Abandono de animais na Ilha da Cotinga leva risco à saúde da comunidade indígena

Em visita ao JB Litoral, a cacique denuncia o abandono de animais de estimação e a negligência para tentar resolver o problema

por Redação JB Litoral
23/06/2020 20:00 (Última atualização: 23/06/2020)

As zoonoses são uma ameaça à saúde pública

A Ilha da Cotinga é considerada um dos principais pontos turísticos de Paranaguá, onde ainda são encontradas muitas lembranças do início da civilização paranaense. Hoje, ela continua sendo habitada por índios guaranis que lutam pela preservação da terra em que seus ancestrais nasceram. Porém, essa missão fica mais difícil a cada dia que passa, pelo menos é o que relata a cacique da aldeia Tekoa Takuaty, Juliana Kerexu Mirim Mariano.

Enfrentando muitas dificuldades, a índia guarani esteve na redação do JB Litoral e expôs os graves problemas que a aldeia vem enfrentando.

Entre os que mais preocupam, a cacique denuncia que muitas pessoas estão abandonando seus animais de estimação na localidade. Ela conta que eles são trazidos em barcos e abandonados à própria sorte. “Os cães e gatos chegam muito sujos, magros e assustados. É preciso um grande trabalho para não deixar que eles morram. Para nós, é uma despesa a mais a compra de ração e medicamentos”, declarou Juliana.

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“Precisamos de ações para preservar o nosso povo”

Essa situação expõe a comunidade indígena ao risco das zoonoses, às doenças transmissíveis entre os animais e o homem e vice-versa, e que podem ser uma ameaça à saúde pública de toda a comunidade indígena. “Estamos expostos às doenças trazidas por esses animais e nem sabemos como nos proteger. Precisamos de ações que ajudem a preservar o nosso povo”, alerta a guarani.

Grande Repercussão

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Há alguns meses, um caso chamou muito a atenção dos parnanguaras nas redes sociais, que foi a postagem de um vídeo de um cachorro muito debilitado e que havia sido abandonado na Ilha da Cotinga. As imagens do animal magro e doente causaram comoção dos internautas. Com isso, os profissionais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e a Guarda Civil Municipal (GCM) foram acionados para atuarem no caso. O resgate do animal foi realizado, assim como o seu atendimento pela Semma. Na época, a prefeitura disse se tratar de uma situação isolada e não algo que acontecesse constantemente.

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Palavra da Prefeitura

Procurada pelo JB Litoral, a respeito dessa denúncia, a Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) informou não ter conhecimento da desta situação. Disse, ainda, que consultou os setores de fiscalização e de veterinária, confirmando não haver nenhum registro formalizado de queixa na localidade.

Com relação à questão de controle de animais, a Secretaria diz que a prefeitura possuiu um programa de castração gratuita desde abril do ano passado e que contribui para minimizar os problemas provenientes das zoonoses. Porém, esse serviço só está disponível para alguns beneficiários, como animais tutelados provisoriamente pela própria Secretaria, os que pertencem a pessoas que estejam em vulnerabilidade social e os que estiverem acolhidos provisoriamente pelas ONGs.

A Secom admitiu existir uma deficiência na fiscalização das ilhas e comunidades marítimas devido ao deslocamento, mas que as denúncias podem ser feitas por meio do telefone 3420-6141 e que todas são averiguadas.