Ambulantes e comerciantes sofrem impacto com proibições nas praias

por Redação JB Litoral
06/10/2020 20:28 (Última atualização: 2 semanas atrás)

Cerca de 3 mil ambulantes foram afetados com as medidas restritivas de combate à Covid-19. (Foto: Marinna Protasiewytch)

Por Marinna Protasiewytch

Após as mudanças de regras e sucessivos decretos municipais, a vida de muita gente mudou. Profissões essenciais ganharam mais carga de trabalho e alguns ofícios foram relegados a uma espécie de ostracismo, como o caso dos ambulantes. A atividade sofreu uma perda irreparável que iniciou com a pandemia e se agravou após os decretos proibitórios impedindo a circulação dos vendedores de rua.

Essa atividade econômica representa a forma de renda de, aproximadamente, três mil trabalhadores, unindo os registros das cidades de Pontal do Paraná, Guaratuba e Matinhos. Segundo a assessoria de comunicação de Pontal do Paraná, somente neste ano foram realizados o cadastro de 700 vendedores ambulantes para a temporada, mas a tendência é de que esse número seja maior, caso os trabalhadores informais e sem cadastro sejam contabilizados.

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São mais de dez atividades ambulantes afetadas pelos decretos municipais.

Vidas afetadas

Um haitiano de 39 anos, que anda pelas praias Matinhos, mesmo com a proibição de circulação, conta que buscou no Brasil uma forma de recomeçar a vida. Vendendo óculos na praia há três anos, até 2019 conseguiu o sustento próprio e o da família, mas com a pandemia tudo mudou. “Não tenho comido direito, nem minha família. Meu filho pequeno pede comida e não posso dar. É triste ver que a gente vai sofrer mais uma vez com a falta de alimento. Estamos sobrevivendo com ajuda das pessoas”, contou emocionado.

O JB Litoral entrou em contato com a prefeitura de Matinhos, mas não obteve respostas quanto a uma ajuda aos ambulantes, especialmente para os estrangeiros. Já o município de Pontal do Paraná informou que fez o cadastro dos ambulantes para a temporada e postergou o pagamento para janeiro de 2021, como forma de ajudar os trabalhadores. A taxa custa R$150,00 e é necessária para a regularização do cadastro daqueles que trabalham na orla e na areia da cidade.

Decreto em Guaratuba

A partir do dia 1º de outubro a prefeitura de Guaratuba passou a aplicar um novo decreto para o município. Houve a flexibilização de algumas condições, como a liberação do acesso ao calçadão da orla, nos finais de semana e feriados, para atividades físicas – caminhadas, sem aglomeração e com uso de máscaras. Permanece proibido o acesso à faixa de areia e à água a partir das 18h de sexta-feira, sábado, domingo e feriados. Areia e água estão liberadas de segunda-feira até às 18h de sexta.

Decreto em Matinhos

No novo decreto publicado pela prefeitura, os ambulantes que atuam no calçadão poderão trabalhar das 08h às 22h, respeitando as regras de higiene e distanciamento. A liberação da orla e areia da praia foi realizada antes do feriado da independência, no dia 7 de setembro. Aglomerações e muitas pessoas vendendo produtos na beira da praia foram registrados naquele fim de semana.

A expectativa agora é de que a fiscalização das cidades, realizadas prioritariamente pelas agências de vigilância sanitária, seja feita de maneira correta para impedir o descumprimento do previsto nos decretos. Outro ponto é a atitude dos governos municipais perante os ambulantes, seja em forma de auxílio ou de medidas facilitadoras para que os trabalhadores continuem conseguindo seu sustento por intermédio dessa atividade econômica.

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