Após 15 anos de escassez, moradores voltam a ter água nas torneiras

por Cleverson Teixeira
21/08/2020 21:18 (Última atualização: 21/08/2020)

Após 15 anos de escassez, moradores voltam a ter água nas torneiras 2
Retomadas em dezembro de 2019, obra ainda não tem data de entrega

A falta de abastecimento de água, que atingia Antonina, há cerca de 15 anos, chega ao fim. É o que garante o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (SAMAE). Mesmo em fase de testes, todos os bairros contam com as torneiras cheias e a pressão da água mais forte desde o dia 9 deste mês.

Antes do que a SAMAE considera como a solução do problema, a cidade capelista tinha o fornecimento interrompido todos os dias, das 21h às 5h. Nas regiões mais altas, a água não tinha força para chegar às casas, acabando até mesmo durante a tarde.

As obras da nova adutora foram iniciadas, em julho de 2018, há mais de dois anos, pela empresa TRIX Engenharia, e fiscalizadas pela Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e pelo Instituto Água e Terra (IAT). O valor estimado para a realização dos serviços ultrapassa os R$ 7 milhões.

Em 2019, houve a paralisação dos trabalhos, que adiou a finalização do novo sistema de água, o qual seria entregue em abril deste ano. Em dezembro do ano passado, a prefeitura retomou as atividades, depois da liberação das verbas, feita pela Fundação de Saúde (FUNASA), órgão conveniado ao SAMAE, para a construção do novo canal de captação.

Na quinta-feira (13), o JB Litoral procurou o diretor-geral do Serviço Autônomo de Água e Esgoto, para obter informações a respeito dessa nova fase que o município capelista vivencia, agora, sem a falta de água, segundo a autarquia municipal. Entretanto, não foi informado à reportagem a data da conclusão e entrega da obra da adutora.

De acordo com o diretor, Cléber Cezarino, todos os testes realizados estão sendo aprovados e tudo aquilo que projetaram está se concretizando. “Essas fases de testes significam alinhamento a laser nas bombas e a verificação da existência de algum vazamento na linha de recalque. Foi medida a adução e realmente está chegando à quantidade próxima daquilo que foi projetado no papel. As expectativas dos testes foram atendidas”, disse.

70 litros por segundo

Conforme Cezarino, foi verificada que uma quantidade de 70 litros por segundo de água seria suficiente para atender a cidade de 19.011 habitantes. Ele afirmou que, a partir desse momento, a população não encontrará mais as torneiras secas. “Não vai faltar mais água no município. Mesmo sendo uma fase de testes, já não faltou. Estamos com todos os nossos reservatórios cheios. Por segundo, estava chegando de 35 a 37 litros, isso na estação de tratamento antiga, de 200 milímetros. Hoje, nesta nova adutora, de 300 milímetros, sem a parte mecânica, chega a 37 ou 38 litros de água por segundo, e, com o motor ligado, a 70 litros”, relatou.

Ainda de acordo com o diretor do SAMAE, seis horas de adução com o motor ligado, que é o momento de condução da água pelo sistema de distribuição, todos os reservatórios estarão cheios. Com isso, o aparelho poderá ser desligado, gerando, segundo Cléber, uma grande economia de energia elétrica. 

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Água de boa qualidade, diz prefeitura

Na sexta-feira (14), o prefeito de Antonina, José Paulo Vieira Azim (PSD), fez uma transmissão, ao vivo, em sua rede social, direto da Estação de Tratamento de Água (ETA) com as presenças de vereadores, servidores e representante da TRIX, anunciando o funcionamento do novo sistema de distribuição e fez a abertura simbólica do registro do reservatório.

De acordo com Azim, por muito tempo, os moradores foram privados no período da noite de usufruir dos serviços, mas, agora, isso se torna uma página virada. “Isso mudou, o povo antoninense tem água 24 horas por dia. Hoje, colocamos em funcionamento um filtro acessório, ou seja, a água vai ficar com uma qualidade ainda melhor”, completou.

Para o servidor do Samae e também vereador Paulo Roberto Broska, hoje, a realidade da distribuição de água é totalmente diferente. “Antes tínhamos que desligar os conjuntos de motobomba, para que eles não queimassem. Hoje, não. Estamos com mais de um milhão e meio de litros de água. Toda a distribuição está completa. A bomba vai ficar mais tempo desligada, porque a quantidade de água que está vindo é suficiente para atender toda a demanda”, concluiu.

Moradores se surpreenderam

Depois de improvisar como podiam, estocando água para higiene em recipientes, os antoninenses mostram-se satisfeitos com o atual cenário. Moradora da área central, Ana Maria Lopes de Souza, disse que isso gera uma certa autonomia para todos. “Podemos tomar banho em qualquer horário. O meu marido chegava uma hora da manhã do serviço e não tinha água. Antes de dormir, podemos deixar a louça da janta limpa. Agora, as garrafas, utilizadas para armazenar água, podem ficar de lado”, comemorou.

Já a moradora do bairro Tucunduva, Thainá Garcia, afirmou que, de início, quando abriu a torneira, na madrugada de segunda-feira (10), não acreditou que tudo estava voltando à normalidade, depois de um duro período de escassez de água. “Por um bom tempo precisei contar com um balde de 100 litros para poder higienizar o banheiro, tomar banho e fazer comida. Não foi nada fácil essa rotina. Mesmo ‘acostumados’ com a falta de água, às vezes, não nos dávamos conta de que não tinha e abríamos a torneira. E não tem nada mais triste do que a falta dela. Agora, esperamos que continue assim, com água para tudo e para todos”, contou.

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