Aulas on-line, ofertadas pela Secretaria de Estado da Educação, dividem opiniões

por Redação JB Litoral
13/04/2020 15:26 (Última atualização: 13/04/2020)

As videoaulas serão gravadas pelos professores da Rede Municipal de Curitiba. (Foto: Divulgação/Agência Brasil)

Devido à paralisação das aulas, por conta da pandemia da Covid-19, o coronavírus, uma das medidas adotadas pela Secretaria de Estado da Educação (SEED) foi a implantação de pacote de ações que compõem o EAD Aula Paraná. Sendo assim, os mais de 1 milhão de alunos passaram a ter Ensino A Distância (EAD).

As aulas estão sendo transmitidas na TV aberta e no YouTube. Na televisão, a transmissão ocorre em multicanais da RIC TV, afiliada da Rede Record no Paraná. Já no YouTube, a transmissão é realizada nos mesmos horários da televisão. Os links dos canais por região do Paraná, assim como os relacionados às aulas no YouTube, e a grade horária, estão disponíveis no site da SEED (educacao.pr.gov.br).

Além desses canais, os estudantes também têm acesso às aulas pelo aplicativo Aula Paraná (que já pode ser baixado para Android e iOS). No aplicativo, será possível acompanhar as aulas nos mesmos horários da televisão e, também, o estudante poderá interagir com os professores e colegas em um chat em tempo real. De acordo com a Secretaria de Estado, o aplicativo não consume os dados 3G e 4G, pois a pasta está providenciando pacotes de dados junto a todas as operadoras de telefonia.

Segundo a SEED, as escolas serão reabertas quando a situação for considerada segura pelas autoridades sanitárias.

Presença registrada e Ensino Médio

A SEED explicou, ainda, que as presenças dos alunos serão computadas de acordo com as atividades propostas pelas aulas na TV, pelo celular e pelo computador, e entregues on-line. Alunos que não têm acesso à internet poderão levar as atividades, resolvidas no papel, em seus colégios, nos mesmos dias de entrega das merendas ou até sete dias depois que as aulas voltarem à normalidade.

Os que não têm acesso nem à TV e nem à internet poderão retirar as atividades propostas quinzenalmente na escola, no dia da retirada da merenda, e entregar na próxima quinzena ou até 7 dias após a retomada das aulas normalmente.

A SEED salientou, também, que os estudantes do Ensino Médio que trabalham e não conseguem liberação de seus empregos para acompanhar as aulas nas transmissões ao vivo poderão assisti-las posteriormente, no YouTube, e fazer as atividades pelo aplicativo.

O que diz a APP-Sindicato

Segundo o presidente do Sindicato dos Professores das Redes Públicas Estadual e Municipais do Paraná, a APP-Sindicato, Hermes Silva Leão, a educação a distância não garante a todos os estudantes o acesso às aulas, a interação com os professores e está longe de assegurar quaisquer reais possibilidades de aprendizagens. “Acreditamos que a educação a distância, que está sendo colocada pelo Governo, não alcança todos os alunos e não foi debatida com as escolas. Além disso, no mínimo, 30% dos estudantes terão que buscar o material impresso para estudar, com isso já são duas formas diferentes: a virtual e o material impresso. Essa medida também não atende a universalidade exigida da oferta da educação”.

Hermes falou, ainda, sobre o calendário de reposição. “Nós estamos defendendo que o calendário seja debatido com as universidades, pois muitas estão suspendendo o calendário dos vestibulares e um movimento está sendo feito para suspender o ENEM. A educação tem que ser de forma presencial e que esse período de pandemia seja aproveitado apenas para fazer orientações de forma lúdica, mais cultural, sem que seja colocado como educação formal”, concluiu.

Estudante aprova iniciativa

A estudante Laura Maciel de Freitas está cursando o 3º ano do Ensino Médio, no Colégio Estadual Bento Munhoz da Rocha Neto, em Paranaguá, e pretende prestar vestibular e fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) ainda este ano. Para isso, a jovem de 16 anos está estudando em casa. “Eu tenho interesse em ingressar na área de marketing ou publicidade e propaganda e também pretendo fazer o ENEM, acho que é uma boa porta para conseguir entrar em qualquer faculdade. Tenho estudado o máximo que consigo em casa, tentando sempre variar o método de estudo, com videoaulas, material escrito e também conversando com quem conheço sobre algo”.

Mesmo com várias opções, a estudante sente falta da aula presencial. “Com a paralisação das aulas ficou bem mais difícil conseguir focar nos estudos, pois quando estamos na escola, com a presença dos professores, fica menos maçante de aprender e, caso fiquem dúvidas sobre algo, sabemos que sempre podemos contar com alguém para tirá-las”.

Sobre as aulas on-line, Laura aprovou a iniciativa, mas salienta um ponto negativo. “Achei interessante a proposta, pois penso que o EAD é o método mais seguro neste momento. Sei que tem muita gente que não tem condições de estudar a distância e acho esse o maior ponto negativo disso, mas, fora isso, é a única maneira de não passar o ano em branco”.

Mesmo com todas as dificuldades, Laura ressalta a importância da quarentena neste momento. “Sei o quanto é importante a paralisação, sem ela corremos um grande risco de contaminação social e creio que foi uma medida muito necessária, tanto essa como todas as outras feitas, visando principalmente o bem-estar e segurança de todos. Não acredito que a paralisação possa atrapalhar meus planos de modo geral, sei que se eu me esforçar nos meus objetivos posso sim realizá-los”.