Bolsonaro venceu a eleição, mas perdeu na maioria das cidades do Brasil

por Redação JB Litoral
30/10/2018 00:00 (Última atualização: 30/10/2018)

Apesar de o Presidente eleito do Brasil, Jair Messias Bolsonaro (PSL), ter vencido as eleições presidenciais deste ano, com mais de 57 milhões de eleitores tendo depositado confiança em seu plano de governo, ou seja, 55% dos votos válidos (aqueles que são efetivados, descontando-se os nulos e brancos), ele não ganhou na maioria das cidades do país e nem nas somas totais. Já o derrotado, Fernando Haddad (PT), venceu em 2.810 municípios, obteve 44% dos válidos, enquanto Bolsonaro em 2.760 cidades.

O segundo turno bateu recorde histórico de ausentes, brancos e nulos, alcançando um número acima de 43 milhões de votantes os quais decidiram não escolher ninguém. Isto representa 29% dos 147 milhões de eleitores. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apesar de ser o escolhido, Bolsonaro, por totalidade, recebeu apenas 39% dos votos, isto porque além daqueles que não votaram em nenhuma das duas opções, Haddad obteve 47 milhões, ou 32%. Sendo assim, 61% dos eleitores brasileiros se recusaram a votar no candidato do PSL.

115 milhões foram às urnas

Um total de 115 milhões de votantes se deslocaram até as zonas eleitorais, no domingo (28), e garantiram que Bolsonaro recebesse 49,85% da totalidade de votação, somando-se a dos dois concorrentes, além dos brancos e nulos. Esta é a terceira vez, na democracia brasileira, que alguém se elege, para este cargo, com menos da metade dos votos. A mesma situação ocorreu com Fernando Collor de Mello (PTC), em 1989, e com Dilma Rousseff (PT), na reeleição de 2014.

O processo eleitoral deste ano teve o maior percentual de nulos e brancos da história democrática do Brasil, 9,57% no total. É o maior índice desde 1989. Foram quase 2,5 milhões de votos em branco e acima de 8,6 milhões anulados. Mais de 104 milhões decidiram escolher por um ou outro candidato e, em torno de 31 milhões de pessoas preferiram não exercer seu direito de votar.

 

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Haddad foi o primeiro colocado em 2.810 municípios, mas na quantidade de votos válidos foi derrotado. (Foto: Getty Images)

Maioria das cidades no Paraná

Apesar de ter vencido na maioria dos municípios, Haddad perdeu na quantidade de Estados. Enquanto ele ganhou em 11 (nove do Nordeste e dois da região Norte), Bolsonaro foi o primeiro em 16. No Paraná, o eleito obteve o primeiro lugar na maioria das cidades, 307, já o petista em apenas 92.

O Acre foi o estado que mais deu votos a Bolsonaro, com 77% dos eleitores acreditando que seu governo será bom para o país. Já Haddad recebeu maior apoio do Piauí, com a mesma porcentagem.

No entanto, o crescimento do concorrente do PT do primeiro para o segundo turno foi muito expressivo. Enquanto Bolsonaro aumentou seu apoio em 17%, Haddad cresceu além de 50%, pois havia recebido 31 milhões de votos no dia 07 de outubro.

Em comparação, o Partido dos Trabalhadores obteve uma queda significativa de 20% no número de cidades em que conquistou a maioria. Na última eleição, em 2014, Dilma Rousseff venceu em 3.527 municípios, enquanto Aécio Neves (PSDB) em 2.043.

Expectativa de mudança

O antipetismo, consolidado neste ano, foi a cartada usada por Bolsonaro para se eleger presidente da nação. Com os escândalos de corrupção envolvendo o PT, e seu líder maior, Luis Inácio Lula da Silva, preso, o eleito encontrou o clima ideal, onde fomentou o sentimento de que algo precisava mudar.

Com uma campanha baseada em fake news, segundo denúncia do seu adversário, disparadas por seus apoiadores e, inclusive, pelo próprio candidato, o que fez o TSE mandar retirar as notícias falsas sobre o chamado kit gay, Bolsonaro se apresentou como a mudança política que a nação precisava, apesar de estar na vida política há 27 anos, cumprindo sete mandatos na Câmara dos Deputados, pelo Rio de Janeiro.

27 anos e dois projetos aprovados

Nas mais de duas décadas como deputado, ele obteve somente dois projetos de lei aprovados, no entanto apresentou um total de 640 proposições. Com sua imagem ligada à segurança pública, este tema foi pouco representado em suas propostas durante os mandatos.

Das centenas de proposições, existe uma análise, feita pela XP Investimentos, de 435, o restante não é passível de avaliação quanto ao seu tema e não apresenta um posicionamento efetivo do deputado e, por isto foram excluídas. Segundo a pesquisa, dentre a quantidade analisada, 46% tiveram cunho corporativista. Em seguida, foram 10% relacionadas a porte de armas, 9% a matérias penais e 5% em contraposição a pautas associadas à esquerda. As outras categorias não atingiram 5% e o restante acumularam 15%.

O estudo mostra que ele focou em favorecer corporações, com destaque para militares e profissionais de segurança, algumas inclusive com impacto adverso para o Tesouro. As demais tiveram pouco a ver com temas econômicos e se concentraram em pautas ideológicas, conservadoras em geral.

 

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