Careca se despede e deixa saudades

Cidade perde um grande sindicalista e a família, um exemplo de emoção e amor.

por Redação JB Litoral
28/01/2014 00:00 (Última atualização: 28/01/2014)

Mesmo sem conhecer a filosofia de vida de Charles Chaplin, um dos maiores ator e cineasta que o mundo já conheceu, o sindicalista Carlos Alberto Ramos, mais conhecido por Careca, nos seus 71 anos de uma vida bem vivida, atendeu ao pé da letra um conselho do eterno Carlito. “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”.

Assim fez Careca enquanto desenvolveu sua missão na terra, cantou, chorou, dançou, riu e viveu intensamente a alegria da vida em família, no trabalho e na sociedade.

Pai amoroso e sempre presente de Claudinale, Claudinei e Adriana, poucos sabem, mas Careca serviu o exército na seleta e rigorosa academia militar das Agulhas Negras no Rio de Janeiro. Mas a vida militar não o seduziu e acabou passando no concurso do Sindicato dos Consertadores de Carga de Paranaguá, onde trabalhou na faixa portuária até se aposentar. Interessado no melhor para sua categoria, Careca foi presidente do sindicato e chegou atuar ao lado do presidente da Federação dos Avulsos (Fenccovib) Mário Teixeira em Brasília.

Torcedor apaixonado do Leão da Estradinha e do Fluminense, Careca, sempre foi uma pessoa de bem com a vida, sem jamais abrir mão da responsabilidade de cuidar de sua família, desde o lado emocional até o material. Casado com Malvina Ramos há 48 anos, ele adorava a vida em família e, como presente, os filhos lhe deram oito netos, Níniver, Mirella, Gabriella, Diego, Victor, Emanuel, Gabriel e Jade, os quais consideravam seu maior tesouro na terra.

Boêmio, Careca adorava cantar, dançar e reunir com a família e os amigos. A rádio Difusora de Paranaguá sempre foi sua fiel companheira e grande paixão, onde ouvia Pitanga cantar. Em retribuição a este carinho, o cantor, no dia de sua despedida, o homenageou cantando o sucesso “Adeus, cinco letras que choram”.

Apaixonado pela política, Careca conseguiu a façanha de não ter inimigos, apesar do irmão vereador de diversos mandatos. Devoto da Padroeira do Paraná, Nossa Senhora do Rocio, nas horas vagas, era comum vê-lo jogando paciência com seu baralho.

Com uma voz boa e afinada, Careca, gostava de emocionar a família e os amigos cantando sucessos de seus grandes ídolos, Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Cartola, Roberto Carlos e Francisco Alves. Depois de se recuperar de dois AVC, no dia 14 do mês passado, Careca partiu sem pode passar o Natal ao lado de sua família e dos netos que tanto amava. Deixou um legado de emoção, alegria, vivacidade e carinho para família e todos os que o conheciam.  

O adeus da filha Adriana

Bastante ligada ao pai, da mesma forma que os demais irmãos, a filha Adriana Trochmann resumiu num relato, o que era o pai para a família. “Velho guerreiro, era assim que ele se intitulava. Sua maior alegria era ver a família reunida na casa de praia, mesa farta, boa comida e uma boa música. O microfone foi seu companheiro, onde cantarolava suas serestas, emocionava a todos com sua voz macia e seus agudos fortes no momento certo. Dava alma à melodia e, assim passamos a nossa infância ouvindo seus LPs de Altemar Dutra, Roberto Carlos, Nelson Gonçalves, Francisco Alves dentre muitos outros que falavam do amor. Sempre defendeu os filhos com unhas e dentes. Amava fazer aniversário e aí, se alguém esquecesse a data, chegava a chorar. Afinal, ele era pura emoção. Chorava quando escutava o hino nacional no início da Copa do Mundo e chorou quando seu Fluminense foi rebaixado… Ahhh, quantas histórias… Suas piadas faziam todos chorarem de tanto rir, pois fazia caras e bocas ao interpretá-las. Dançarino de mão cheia que, para não parar a dança, ia para o meio do salão com um lenço na mão e não perder tempo de enxugar o suor. Sempre nos falava que o nosso nome era a única coisa que abriria portas, portanto teríamos que sempre mantê-lo limpo e digno. O conforto material e a referência social ele fazia questão de manter. Amava receber visitas, sempre muito hospitaleiro e agradável. O que não tivemos também nos serviu para crescermos como pessoas do bem. Hoje nosso patriarca nos deixou um vazio gigante, mas sempre o honraremos mesmo com todas as suas imperfeições. Afinal, assim somos todos. Sempre te amaremos na certeza que nos reencontraremos na eternidade. Parafraseando Nelson Gonçalves: “naquela mesa ta faltando ele, e a saudade dele está doendo em mim…” Saudades da sua filha, esposa, netos, genros e nora”.

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