Casos de coronavírus devem aumentar entre o fim de abril e início de maio, diz SBI

por Redação JB Litoral
06/04/2020 15:49 (Última atualização: 06/04/2020)

Na sexta-feira (03), o governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) se reuniu, no Palácio Iguaçu, com um grupo de infectologistas para analisar o momento atual de enfrentamento ao novo coronavírus, a Covid-19, no Paraná. Durante o encontro, foram alinhadas estratégias de combate à doença para as próximas semanas.

Com 401 casos confirmados e sete pessoas mortas pelo coronavírus até o sábado (04), os infectologistas informam que o pior ainda está por vir. A expectativa é que o pico de casos da doença no Estado ocorra entre o fim de abril e o começo de maio.

A pandemia está, neste momento, sob controle no Paraná, mas em casos desta magnitude, um dia é diferente do outro”, comenta o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Clóvis Arns da Cunha.

Ele também afirma que o monitoramento da pandemia deve ser feito diariamente, buscando sempre a antecipação de ações, evitando que o Estado seja pego de surpresa e tenha que tomar medidas mais drásticas de forma repentina.

O governador informa que a ideia é tornar periódica a reunião com especialistas, para que sejam discutidos os diversos cenários e perspectivas.

“Um encontro como esse, com ótimos especialistas que temos aqui no Paraná, serve para ajudar o Governo do Estado nas tomadas de decisões. Um debate de ideias e planejamento de ações para que a população paranaense sofra o mínimo possível”, diz.

Carlos Massa Ratinho Junior (PSD)

Ratinho Junior também reforça o pedido para que a população fique em casa, colaborando com a diminuição da circulação do vírus. “É o momento de isolamento social responsável. De união em torno do bem comum”, alerta.

O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, destaca a opção do Governo pela transparência nos números e nas ações que estão sendo tomadas. “Esse é um pedido expresso do governador. Deixar claro que estamos no começo do processo de enfrentamento ao coronavírus e de que há muito pela frente. Por isso, a colaboração de especialistas é essencial”, afirma.

HRL se prepara para aumento na demanda

Com a notícia de que o número de casos deve continuar aumentando nos próximos meses, o JB Litoral procurou a diretora-técnica do Hospital Regional do Litoral (HRL), em Paranaguá, Lúcia Eneida Rodrigues, para saber como o hospital está se preparando para o aumento da demanda de pacientes.

De acordo com ela, o HRL tem um Comitê de Operações Especiais que se reúne diariamente para planejamento e tomada de decisões. “O comitê é soberano para definir os rumos dentro do hospital, levando em consideração todas as áreas: desde pessoal técnico, administrativo, da segurança e higienização, médicos e enfermeiros, pessoal de apoio médico, recursos humanos e almoxarifado, entre outros. Todos os funcionários do hospital estão convidados a participar conosco das decisões de forma transparente e aberta”, diz.

Casos de coronavírus devem aumentar entre o fim de abril e início de maio, diz SBI 2
Diretora-técnica do HRL reforça que o distanciamento social é fundamental para diminuir a disseminação do vírus

A diretora comenta que o Comitê de Operações Especiais ajuda a definir fluxos lógicos e racionais de pessoas e material, evitando desperdício, porém, sem tirar o foco da segurança dos pacientes e servidores. “Foi por meio desse comitê que houve a decisão do local da unidade de atendimento especializado, conforme solicitação da SESA e apoio da FUNEAS, para alocar estes pacientes. No momento, são quatro leitos de cuidados avançados e 10 de cuidados intermediários. Com o apoio da comunidade portuária, estamos ampliando mais 20 leitos para atendimento exclusivo desses pacientes”, informa.

A respeito da orientação para evitar a contaminação pela Covid-19, especialmente durante o pico da doença, ela explica que não existe mágica e nem milagre. “O distanciamento social é fundamental para diminuir a velocidade de dispersão do vírus, aumentando o tempo da organização do sistema de saúde como resposta ao grande número de pacientes que pode chegar”, conclui.