Casos de dengue aumentam71% em apenas uma semana

por Luiza Rampelotti
28/04/2020 15:48 (Última atualização: 28/04/2020)

Combate a pandemia do coronavírus, não se pode desviar o foco de outras doenças graves, alerta o Diretor

Em apenas uma semana, o Boletim Epidemiológico da Dengue, publicado pela Secretaria Estadual da Saúde (SESA), mostrou um crescimento de 90 casos confirmados da doença em Paranaguá. No boletim do dia 14, existiam 127 confirmações e no último divulgado, na quarta-feira (22), já são 217 pessoas infectadas pela dengue. Isso representa um aumento de 71%, e os números colocam o município em situação de alerta para a doença que é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.  

A preocupação se torna ainda maior uma vez que o Paraná está vivendo a maior epidemia de dengue da sua história, de acordo com o diretor da 1ª Regional de Saúde do Paraná (1ª RS), José Abreu. São 128.405 mil casos confirmados até o momento, registrados durante o ano epidemiológico iniciado em agosto de 2019 e que termina no final de julho de 2020. Ou seja, os números ainda serão maiores.

Em 2015/2016, quando a cidade sofreu uma epidemia que vitimou fatalmente 30 pessoas e fez 16.392 mil infectados, o Estado registrou a ocorrência de 56.351 mil casos e 61 óbitos no total, sendo metade somente no município litorâneo. Neste ano, já existem 111 mortes confirmadas no Paraná, porém, nenhuma no município. “Apesar de o Estado estar em epidemia, este ano temos uma condição muito mais favorável em Paranaguá do que naquele período de 2015/2016, pois são 217 casos registrados e nenhum óbito”, tranquiliza Abreu.

Causas para o aumento nos números

O aumento no número de casos da doença entre uma semana e outra também preocupa o diretor. Segundo ele, vários fatores podem estar justificando essa condição. O primeiro deles é que, historicamente, é a partir do mês de abril que as ocorrências passam a se intensificar no litoral. “É exatamente a partir do mês de abril, maio e junho que passa a ter um aumento significativo no número de casos. É uma tendência que repete os anos anteriores”, diz.

Outro fator diz respeito à confirmação da circulação e distribuição da doença em todas as regiões do município, o que possibilita a confirmação dos casos apenas utilizando critérios clínicos e epidemiológicos, dispensando os exames laboratoriais. “Essa condição estabelecida fez com que mesmo aqueles casos que não tenham comprovação laboratorial, mas que ocorrerem em locais que sabemos que está circulando o vírus e tiverem uma clínica compatível com a dengue, sejam considerados como positivos”, informa.

Além disso, a terceira possibilidade para o aumento no número de casos de dengue, entre uma semana e outra, se dá, devido, justamente, ao isolamento domiciliar, decretado pelos governos como forma de combate ao novo coronavírus (Covid-19). “A determinação do isolamento social fez com que as pessoas permanecessem mais tempo em suas casas. E como é sabido, em cerca de 90% das pessoas que adoecem, o criadouro do mosquito está no ambiente domiciliar. Essa condição de isolamento pode ter provocado esse tipo de aumento”, explica o diretor da 1ª RS.

De acordo com ele, neste momento é imprescindível que as pessoas aproveitem o período de isolamento para manter limpas as suas residências e terrenos. “Pelo menos uma vez por semana as pessoas têm que buscar focos de água parada dentro de sua residência, porque é ali que há uma proliferação de mosquitos. Sem esquecer de proteger as caixas d’água, olhar os ralos de pias e procurar se a água não se acumula em algum lugar no interior dos terrenos. Quem tem ar condicionado, precisa observar se na bandeja de condensação não tem uma água acumulada. Aquelas geladeiras um pouco mais antigas também podem ter água e abrigar o mosquito”, recomenda.

Dengue x Coronavírus

Abreu destaca que, apesar de os esforços dos governos municipais, estaduais e federais estarem voltados para combater a pandemia do coronavírus, não se pode desviar o foco de outras doenças graves. “Neste momento temos a Covid-19, mas a dengue ainda é uma ameaça para todos nós. Até quinta-feira (23), o Paraná tinha 55 óbitos por Covid e 111 por dengue”, diz.

Ele também ressalta que a cidade merece atenção especial em relação à dengue, visto que foram encontrados, no município, os tipos I, II e IV da doença. “Ou seja, dos quatro tipos, encontramos três na cidade”, informa.

Para ele, a população precisa se conscientizar que a dengue é uma doença grave e mata, e que é necessário estar unida ao Poder Público para o combatê-la. “Os municípios e a própria população têm cumprido parte da responsabilidade de manter limpo os seus ambientes. Observamos em Paranaguá, particularmente, uma grande mobilização da prefeitura e da população no sentido de descartar material inservível e eliminar essas fontes que acumulam água”, comenta.

Segundo ele, a Covid-19 ainda não chegou ao seu pico no Brasil, e deve fazer muito mais casos durante o inverno. Por isso, é necessário reduzir os riscos de contaminação por dengue e prevenir a doença, para evitar uma sobrecarga nos sistemas de saúde. “A dengue, em sua fase grave, exige leito de UTI e cuidado hospitalar, e vemos que no momento em que o coronavírus chegar, ele vai sobrecarregar os serviços de saúde. Então precisamos colocar em prática as ações de combate às doenças para evitar uma sobrecarga”, conclui.