“Chegou a hora de a mulher ter voz na política”, diz Josi Isaías

por Redação JB Litoral
06/10/2020 17:39 (Última atualização: 06/10/2020)

“Não seremos mais apenas uma parcela, mas estaremos inseridas e representando a todas e todos no ambiente político”, diz Josi Isaías

Nos últimos anos, o Brasil tem vivenciado um avanço no debate público a respeito das questões femininas, principalmente sobre os direitos das mulheres. No entanto, no que se refere à representatividade na política, a temática está muito distante do desejado.

Historicamente, os cargos de poder são ocupados, em sua maioria, por homens, que são eleitos e têm voz ativa nas tomadas de decisões. Isto acontece devido à exclusão histórica das mulheres na política e que reflete, ainda hoje, no cenário de baixa expressão feminina nos governos.

Com o intuito de mudar esse quadro em Paranaguá, a líder comunitária Josiane Constantino Isaías (Republicanos), mais conhecida como Josi Isaías, decidiu tentar uma vaga no Poder Legislativo, na eleição proporcional de 2020. Segundo ela, é necessário a união das mulheres para que seja possível a representatividade da classe em todos os âmbitos sociais, especialmente na política, tanto na Câmara de Vereadores, quanto na presidência de associações de bairros da cidade.

A mulher não faz parte da política, ela apenas cumpre a porcentagem de cotas necessária para que o partido lance os candidatos. Nós vamos mudar esta situação, não seremos mais apenas uma parcela, mas estaremos inseridas e representando a todas e todos no ambiente político”, diz.

Parnanguara e moradora do bairro Jardim Iguaçu, a cabelereira de 37 anos, mãe de quatro filhas, iniciou no ativismo social comunitário em 2016, durante a epidemia de dengue que o município enfrentava. Junto a outros moradores, ela realizou mutirões de limpeza no bairro e ações de conscientização com o objetivo de auxiliar no combate à doença.

No ano seguinte, 2017, foi eleita para ocupar a vice-presidência da Associação dos Moradores do Jardim Iguaçu, cargo no qual atuou até junho deste ano, quando renunciou para se dedicar à campanha eleitoral.

CONTINUA DEPOIS DO ANÚNCIO

No mesmo ano, realizou o curso profissionalizante de Defensores Populares, oferecido pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR), e se especializou em Direito da Mulher. Além de ter se formado como Agente de Regularização Fundiária. A partir de então, passou a atuar mais ativamente na luta pelas mulheres.

“Conheço a realidade e as deficiências de nossa cidade”

Em 2019, Josi assumiu a vice-presidência do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, mas também renunciou ao cargo devido à campanha política. “Sempre estive engajada nas ações sociais e participando nas demandas políticas da cidade, com vontade de fazer algo relevante pela população, mas cansei de ir até as sessões da Câmara e nunca ser ouvida e nem me sentir representada pelos vereadores. Por isso, decidi me candidatar”, conta.

Sua proposta é lutar pelos direitos fundamentais de todos, com o foco, especialmente, na mulher, além de incentivar a população a ocupar os espaços políticos que, normalmente, não tem oportunidade. “Sou conhecida pela minha principal linha de luta que é o combate à violência contra a mulher, mas, conheço a realidade e as deficiências de nossa cidade nas demais áreas, e quero, junto com o povo parnanguara, construir uma nova Paranaguá”, diz.

Um de seus projetos diz respeito ao fomento a programas de apoio às mulheres empreendedoras, contribuindo para sua independência financeira, o que garante poder de decisão sobre suas vidas. “Segundo dados de pesquisas, 35% das mulheres que sofrem violência permanecem no relacionamento por dependência financeira. Para contribuir com o fim dessa situação, temos que criar projetos que sejam funcionais, além de capacitá-las para o mercado de trabalho e desburocratizar a criação de novos empreendimentos. Nesse sentido, criamos o programa integrado “Mulheres Donas de Si”, que as prepara para o mercado e para novas conquistas de empreendimentos. Meu objetivo é fazer cumprir a Lei 13.340/06, gerando emprego e renda. É viável, é constitucional”, afirma a candidata.

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments