Cidades do litoral em alerta para Covid-19 – SESA não descarta quarentena na região

por Luiza Rampelotti
01/07/2020 17:44 (Última atualização: 01/07/2020)

Foto: Bigstock

Apesar de a 1ª Regional de Saúde (RS) de Paranaguá, que engloba as sete cidades do litoral, ainda estar abaixo da média estadual no índice de casos de coronavírus (Covid-19) confirmados por 100 mil habitantes, os registros continuam subindo diariamente na região litorânea.

Somente nesta quarta-feira (01), foram confirmados, pela Secretaria de Estado da Saúde (SESA), mais 63 infectados em Paranaguá, recorde de confirmações em apenas 24 horas. Além disso, mais 16 registros foram detectados nas outras cidades, somando 618 no total, desde o início da pandemia. Porém, de acordo com o Diretor da 1ª RS, José Carlos de Abreu, esse aumento se deu devido a “problemas técnicos que fizeram com que houvesse um acumulado de exames”. “Esses 63 casos não quer dizer que sejam apenas de um dia, é um acúmulo de testes de alguns dias e os resultados saíram hoje”, esclarece.

Com uma população de 294.160 mil habitantes, o litoral paranaense tem uma incidência de 207 casos a cada 100 mil habitantes, enquanto que, no Paraná, essa média é de 209 confirmações. Porém, nos últimos sete dias, houve uma explosão de 239 casos na região, o que tem gerado preocupação na população, especialmente, com relação a um possível colapso no Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que o Hospital Regional do Litoral (HRL), em Paranaguá, é o único a atender os casos mais graves de Covid-19 das sete cidades.

Na quarta-feira (01), 55% dos leitos destinados para atender, exclusivamente, pacientes com coronavírus, no HRL, estavam ocupados. São 20 leitos no total, divididos em metade para a Unidade de Cuidados Avançados (UCA) e a outra parte para a ala de Cuidados Intermediários (UCI). Na data, na UCA, existiam nove pacientes internados e, na UCI, somente dois.

Diretor Regional de Saúde José de Abreu
Diretor da 1ª Regional de Saúde, José de Abreu

Cidades estão testando mais

Nos últimos 10 dias houve uma mudança no cenário do litoral com relação ao coronavírus – a nossa velocidade de transmissão de casos aumentou e isso fez com que nos aproximássemos da média paranaense de incidência diária de novas confirmações”, explica Abreu. Segundo ele, isso se explica devido ao crescimento da busca ativa pelos cidadãos sintomáticos respiratórios e na ampliação das testagens realizada pelas cidades de Paranaguá, Pontal do Paraná e Morretes.

Esses três municípios estão indo atrás de qualquer sintomático e estão testando as pessoas, isto é, eles têm uma média de testagem superior ao índice paranaense. Isso é bom porque ao encontrar esses pacientes positivos e instituir medidas de isolamento domiciliar para eles, estaremos retirando-os do meio social, o que irá reduzir a transmissão do vírus”, afirma o diretor.

Paranaguá, Pontal do Paraná e Morretes em alerta

Abreu informa que nesta quarta-feira (01), a 1ª Regional de Saúde foi informada que Paranaguá, Pontal do Paraná e Morretes estão em uma condição de alerta para a Covid-19. Ele comenta que as cidades estão com uma média de incidência diária maior do que a paranaense.

Apesar do expressivo aumento nos casos, o litoral do Paraná ficou de fora da “quarentena mais restritiva” imposta pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), na terça-feira (30), a 134 cidades do Estado, por meio do decreto 4942/20. Nestes locais, todas as atividades consideradas não essenciais (shoppings, comércios, academias, salões de beleza, bares e restaurantes – a não ser por delivery, entre outros) deverão parar de funcionar e há a determinação de um toque de recolher entre às 22h e 5h nas ruas, durante 14 dias.

Nas sete cidades do litoral, o comércio e demais atividades estão funcionando com horário reduzido e, inclusive, em Guaratuba, já houve a reabertura das praias, de segunda a quinta-feira, para a prática de atividades esportivas.

SESA não descarta quarentena no litoral

O diretor da 1ª RS, vinculada à SESA, destaca que apesar de o governador não ter incluído o litoral no novo decreto, ele deixou aberta a possibilidade de novas regionais serem incluídas nas determinações. “À medida em que sejam identificadas essas situações de alteração nos números, novas regionais deverão ser incluídas na abrangência do decreto e caberá à SESA tomar a decisão de inclusão”, diz.

Ele informa que a Regional de Saúde irá avaliar, nos próximos dias, se os casos continuarão crescendo de forma séria e, em caso positivo, será recomendado aos municípios que realizem uma revisão nos decretos municipais em vigência no litoral, no sentido de restringir ainda mais o deslocamento da população. “Tenho andado nas ruas e, infelizmente, vejo que apesar de todo esforço das gestões municipais há pessoas fazendo o uso inadequado de máscara, há locais em que ainda ocorrem aglomerações, onde o povo ainda circula sem máscara, e isso nos preocupa muito. As pessoas precisam acreditar que essa é uma doença grave, que mata, e o reflexo desse crescimento está no aumento da taxa de ocupação dos leitos do HRL. Se não tivermos a contribuição da população, teremos muitas dificuldades nos próximos dias”, finaliza Abreu.

Casos confirmados

Paranaguá lidera o número de confirmações da doença, são 382 infectados até o momento, destes, foram seis óbitos. Em seguida, Pontal do Paraná, com 74 registros (e 02 mortes); Morretes, com 69; Guaratuba, com 42 (e 01 óbito); Matinhos, com 28; Antonina com 22 e Guaraqueçaba com 01, que veio a óbito.

A SESA informa, também, que na região 161 pacientes já se recuperaram.