Cinemas de Paranaguá sofrem com perda de 76,95% da renda bruta

por Redação JB Litoral
19/11/2020 09:22 (Última atualização: 19/11/2020)

Cinesystem fica no interior do hipercondor

Por Marinna Protasiewytch

Um dos setores mais afetados pela pandemia do novo coronavírus, a indústria de entretenimento e, principalmente, os cinemas tiveram grandes prejuízos durante os decretos de fechamento de estabelecimentos comerciais. Segundo dados do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA), da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), entre janeiro e outubro, as empresas que operam salas de cinema tiveram uma queda de quase 80% na bilheteria, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Em um recorte apenas no município de Paranaguá, o painel do OCA demonstra que, em 2019, as empresas de cinema no município tiveram uma renda total de R$1.776.313,00 (um milhão e setecentos e setenta e seis mil e trezentos e treze reais), já no acumulado dos primeiros nove meses de 2020 foram arrecadados R$409.419,58 (quatrocentos e nove mil e quatrocentos e dezenove reais e cinquenta e oito centavos), cerca de 77% a menos do que o ano anterior.

Rafael Chainça, diretor do Cine Uniplex, instalado no shopping Mall no fim de 2019, destacou que as incertezas afetaram todo o empreendimento. “Passamos por um período de muita dificuldade, claro. Nossa maior preocupação foi conseguir honrar o compromisso com os colaboradores, o cenário de incertezas com relação à volta do cinema sempre deixava todos bem preocupados”, contou.

No empreendimento do segmento mais antigo da cidade, o Cinesystem, localizado anexo ao Condor de Paranaguá, também houve grandes prejuízos. “A queda em relação a 2019 vai ser provavelmente entre 85 e 90%, tendo em vista que estivemos abertos somente em janeiro e fevereiro e na reabertura, que deve acontecer mais para o final de novembro, não há previsão de filmes de grande apelo. Os principais longas foram transferidos para 2021 ou foram direto para o streaming. 2020 não vai ser um ano de grande impacto de bilheteria”, detalhou Sherlon Adley, diretor Comercial e de Marketing da Cinesystem.

Na primeira semana, as salas de cinema parnanguara receberam quase sete mil telespectadores, que pagaram um preço médio, estimado pelo OCA, de R$13,00 por bilhete, gerando em torno de R$90 mil de renda bruta. “Ficamos fechados por mais ou menos sete meses e o faturamento de 100% caiu para zero”, destacou Rafael Chainça. “O impacto foi forte, já são mais de 230 dias fechados em Paranaguá e não temos outras fontes de receita que não a gerada presencialmente pelo público da cidade, que há tantos anos nos acompanha com carinho e dá todo o apoio para o nosso negócio”, desabafou Sherlon Adley.

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Reabertura das salas

As sessões cinematográficas estão liberadas em Paranaguá pelo Decreto Municipal nº 2.174, desde o dia 4 de setembro, de segunda a domingo, das 14h às 22h. Com diversas regras de prevenção à Covid-19, os clientes devem utilizar o tapete higienizador de sapatos, máscaras a todo o momento dentro das salas e usar álcool em gel frequentemente. Crianças menores de 12 anos e idosos a partir de 60 anos não podem entrar nos estabelecimentos para acompanhar as sessões, por serem considerados grupos de risco.

Além disso, as salas devem funcionar com 50% da capacidade, com distanciamento de 2 metros para cada poltrona utilizada, devidamente sinalizadas. “Nosso trabalho está focado em mostrar para o cliente que ir ao cinema é seguro e que estamos com tudo preparado para que ele possa aproveitar a telona, o som sem igual e aquela pipoca quentinha que faz parte da memória afetiva de todos nós”, afirmou Sherlon Adley, diretor Comercial e de Marketing da Cinesystem.

Retomada do setor

“Esperamos uma retomada bem lenta, já que muitos ainda têm medo de se expor. Além disso, são os lançamentos de grandes filmes que atraem o público, e como as distribuidoras não estão liberando os filmes, acaba prejudicando muito essa volta à normalidade”, concluiu o diretor do Cine Uniplex.

Já o responsável pelo Cinesystem de Paranaguá contou que “a expectativa para o final de ano é retomar a operação e nosso contato próximo com os consumidores. Como empresa, nossa torcida e expectativa é um 2021 forte, com grandes lançamentos e com o consumidor se sentindo confortável em retornar às salas”.

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