Comunidades pesqueiras sofrem com as constantes quedas de energia elétrica

Tagaçaba, Ilha Rasa, Amparo e Medeiros são as regiões mais atingidas, permanecendo até dois dias sem fornecimento de luz

por Redação JB Litoral
03/07/2020 12:39 (Última atualização: 05/07/2020)

Comunidades pesqueiras pedes providências da Copel para a resolução do problema da falta de energia

Em pleno século XXI, onde quase tudo é movido à energia elétrica, ficar sem ela, pode gerar grandes transtornos para muita gente. Esse é o retrato atual de algumas comunidades pesqueiras das baías de Guaraqueçaba e até de Paranaguá. Cerca de 30 ilhas compõem a região, dessas, Tagaçaba, Ilha Rasa e Ilha do Medeiros de Guaraqueçaba e a Ilha do Amparo, de Paranaguá, são exemplos dos muitos problemas que a constante interrupção no fornecimento de luz está trazendo à população.

Essas regiões são compostas basicamente por comunidades pesqueiras, onde os profissionais da pesca artesanal precisam de um local refrigerado para a armazenagem e conservação do produto. Muitas mulheres também auxiliam seus maridos fazendo a limpeza de peixes, camarões e mexilhões para o abastecimento dos restaurantes do litoral. Sem a energia elétrica que faz a atividade econômica funcionar, o sustento da comunidade fica comprometido.

De acordo com Cláudio de Andrade Corrêa, morador da Ilha do Medeiros, a cada dia que passa a situação dos moradores vai ficando mais crítica. “Há mais de um mês que a minha geladeira queimou por causa da oscilação da energia elétrica. Tentei entrar em contato com a Copel para relatar o problema, mas até agora não consegui resolver. Além disso, nós, pescadores, temos um prejuízo enorme com a perda de mercadoria e outros alimentos para o nosso consumo”, declarou o pescador.

Se durante o dia o desabastecimento de energia já é um problema, à noite, a situação piora. A Ilha Rasa é uma das mais afetadas e fica na maior escuridão, colocando em risco a segurança dos residentes. Mauro Fernandes é presidente da associação de moradores e, segundo ele, quem mais sofre com isso são as crianças. “Chegamos a ficar quatro noites consecutivas sem luz. As crianças ficam com muito medo, pois não é possível enxergar nada pela frente. Além disso, para sair de casa é preciso tomar um cuidado redobrado”, desabafa.

Os moradores pedem que sejam tomadas providências para a resolução desse problema, que há tempos aflige a região, além de um posicionamento da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (COPEL), responsável pela distribuição da rede elétrica, a respeito do motivo das constantes quedas de energia.

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Luz só para quem tem gerador

Indignada uma moradora, que preferiu não se identificar, disse que só tem energia elétrica as pessoas que ter gerador próprio e filmou a situação com seu celular e enviou para redação do JB Litoral. No áudio ela conta que as crianças, à noite, não conseguem dormir e choram por causa da escuridão. Disse ainda que os alimentos da geladeira estão apodrecendo, principalmente os peixes. A moradora reclama ainda que tem procurado a Copel, mas eles não atendem. “A gente liga e eles não atendem e, quando atendem dizem que amanhã resolvem, mas não fazem nada e chega às 17 horas e a luz apaga de volta. Tem gente que está vendendo suas casas e indo embora. Só Deus que sabe que dia que vem essa luz”, dispara.

Verificação do problema

Procurada pelo JB Litoral, a COPEL informou que a rede tem permanecido ligada durante a noite e em alguns momentos do dia. Porém, para que as equipes possam escalar em postes para a verificação dos isoladores, é necessário que a energia seja desligada por algumas horas para garantir a segurança dos funcionários.

De acordo com o superintendente da Copel no litoral, Sidnei Garsztka, “os trabalhos na rede de distribuição no Itaqui e demais comunidades locais já evoluíram, mas ainda não foi localizado o defeito principal”.

Ele completa, ainda, que “as equipes estão trabalhando incessantemente para identificar o defeito, atuando com drones e equipamentos de termovisão, além da necessidade de escalarmos poste por poste para a identificação”.