Cresce transferências de alunos da rede privada para rede municipal, em Paranaguá

por Redação JB Litoral
09/10/2020 17:40 (Última atualização: 09/10/2020)

Segundo a Semedi, cerca de 171 transferências foram realizadas no município Foto: Cláudio Neves/ANPr

Por Gabriela Vizine

Desde o início da pandemia, a transferência dos alunos da rede privada para a pública teve um aumento significativo no Paraná. Segundo dados de maio, da Secretaria de Estado de Educação e Esportes (SEED) do Paraná, cerca de 7000 alunos migraram do ensino particular para a rede pública estadual de educação. Já em setembro, os números subiram para 13.179, ou seja, um aumento de 88,2% de transferência.

Em Paranaguá, a secretária, da Secretaria Municipal de Educação e Ensino Integral (Semedi), Tenile Cibele do Rocio Xavier, informou ao JB Litoral que o número de alunos transferidos também cresceu. “De acordo com o nosso levantamento, entre março e agosto, houve um aumento de 171 matrículas na educação infantil e 58 nos anos iniciais”, disse.

Segundo o quadro, a educação infantil do município, no mês de março, obtinha o número de 4.185. Em agosto, os dados revelaram 4.356 novos estudantes. No ensino fundamental, o acrescimento não foi diferente, o levantamento de março contabilizava a demanda 9.884 alunos e em agosto 9.942.

De acordo com a pasta, a Semedi está recebendo todas as matrículas que têm sido solicitadas as escolas, as quais estão ocorrendo virtualmente, por meio de áudio e vídeo. “Acredito que, mesmo com a crescente demanda, atenderemos com qualidade”, destaca Tenile.

Depois de oito anos, mãe transfere filha para rede pública

A professora Franciele de Souza Martins transferiu sua filha, de oito anos, da rede de ensino particular, em Paranaguá, para a educação pública municipal. No terceiro ano do ensino fundamental, a menina estudou em escola privada desde os três anos.

“Resolvi fazer a mudança porque estava descontente com os métodos utilizados pela antiga escola privada. Sou professora, e estava pagando por um ensino que tive que assumir. A escola não ofertava aula on-line, por intermédio de atendimento dos professores e de aplicativos. Eu estava pagando, mas era eu quem dava aulas”, diz.

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De acordo com Franciele, a rotina mudou bastante após a pandemia. “Percebo que a diferença da pública para a particular é que eles estão apresentando conteúdo. Eu via minha filha sobrecarregada com muita atividade nova e isso acabava desgastando-a muito. Tanto para mim, quanto para ela. Pois, por ser educadora e ter uma grande demanda de trabalho, estava sobrecarregada. Tanto que cheguei a fazer a apostila do segundo bimestre inteira com a minha filha”, pontua.

Segundo a profissional, a escola pública conta com uma demanda menor de conteúdo. Dessa forma, ela observa que a instituição trabalha com a realidade da criança, para que a mesma consiga desenvolver sozinha as atividades solicitadas. Além disso, Franciele cita que as professoras dessas entidades possuem grupos de WhatsApp, pelos quais interagem com os estudantes e acompanham as lições escolares. “Se surgir dúvidas, a professora envia resposta por áudio. Se for necessário, grava vídeo e se coloca à disposição para atendimentos”, relata. 

Embora muitas famílias brasileiras tenham sido afetadas pela crise financeira, desencadeada pela COVID-19, no caso dela, a decisão de migrar para outra escola não estava atrelada às condições financeiras. “Não que tivesse apertado para pagar a escola, mas era um dinheiro que a gente economizou. Estava pagando para eu ensinar em casa. Achamos que foi um dinheiro jogado fora”, esclarece.

O que diz o Sinepe

Segundo a presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Paraná (Sinepe/PR), Esther Cristina Pereira, as escolas particulares tiveram uma grande queda no número de alunos, principalmente na educação de crianças entre 0 e 3 anos. A presidente acredita que esse levantamento está relacionado à crise financeira em função do coronavírus. “A maioria não foi uma opção, pois muitas famílias perderam o emprego. Estamos trabalhando, também, junto ao Sindicato dos Professores, pois muitos profissionais foram despedidos”, comenta.

De acordo com o Sinepe, a rede privada optou por continuar com as aulas de forma on-line. “Para ajudar no desempenho das instituições, estamos produzindo lives – transmissões de vídeos na internet em tempo real -, regularmente, desde o dia 20 de março, para instruir os profissionais. Além disso, estamos auxiliando diretoras de escolas, pois muitos colégios já foram fechados”, conta.

A presidente da entidade diz ainda que o Sindicato gostaria que pelo menos 2 a 3 crianças, que estão tendo dificuldades no aprendizado, pudessem voltar às aulas presenciais. “Gostaríamos que os educadores tivessem a oportunidade de dar mais atenção a essas crianças. As escolas possuem laudos comprovando quais alunos precisam de uma maior atenção nos estudos. As escolas particulares estão preparadas desde junho, afinal, somos um negócio e estamos nos organizando. Acredito que, no futuro, como escola particular, focaremos mais no relacionamento afetivo e emocional”, conclui.

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