Deputados da CPI da Merenda devem ganhar prêmio de teatro, diz advogado

por Redação JB Litoral
13/09/2016 21:31 (Última atualização: 13/09/2016)

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Jéter Rodrigues, ex-assessor do atual presidente da Alesp, presta depoimento na CPI da Merenda, na Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp), em São Paulo (SP), nesta terça-feira (13). A CPI vai apurar a suspeita de fraudes no fornecimento de alimentos para escolas estaduais. (Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Folhapress)

(FOLHAPRESS) – Suspeito de envolvimento em um esquema de fraudes e pagamentos de propina na merenda escolar em São Paulo, Jéter Rodrigues Pereira, ex-assessor do deputado Fernando Capez (PSDB), depôs nesta terça (13) na CPI da Merenda, na Assembleia Legislativa. Na saída, o advogado dele provocou os deputados insinuando que eles são atores.

“Eu não vou falar [que foi] um teatro, mas acho que eles poderiam ganhar um prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte. É só isso o que eu tenho para falar”, disse o advogado Roberto Lamari sobre a atuação dos parlamentares na CPI.

“Ele vai ser convocado a prestar esclarecimentos sobre essa declaração. Isto aqui não é um teatro, não é uma comédia”, rebateu o presidente da comissão, Marcos Zerbini (PSDB).

Em seu depoimento, Pereira caiu em contradição diversas vezes. Deputados da base e da oposição chegaram a pedir sua prisão por considerarem que ele estava mentindo, mas desistiram da medida.

Pereira era assessor do gabinete de Capez, em 2014, quando assinou um contrato com a Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar) para atuar em favor da cooperativa junto à Secretaria da Educação do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

A Coaf, depois disso, firmou dois contratos com o governo para fornecer R$ 11,4 milhões em suco de laranja para as escolas estaduais.

À CPI Pereira afirmou que receberia R$ 200 mil só para ficar à disposição da Coaf para buscar documentos em cartório e prestar serviços burocráticos. Ele disse, porém, que não recebeu nada.

“Não sei [com quem ficou o dinheiro]. Comigo não ficou”, afirmou. Acrescentou, ainda, que “com certeza” considera-se “vítima” do esquema.

Como a Folha de S.Paulo noticiou em agosto, outro ex-assessor de Capez depositou em sua conta um cheque de R$ 50 mil emitido pela Coaf. Para investigadores da polícia e do Ministério Público, trata-se de uma das parcelas da propina paga a agentes públicos.
Pereira disse que Merivaldo era seu parceiro no negócio com a Coaf. O depoimento de Merivaldo está agendado para esta quarta (14).

O ex-assessor -que atuou no gabinete de Capez de 2013 a 2014 e aposentou-se em maio deste ano, em meio às investigações- inocentou o tucano de participação no esquema. “Ele não tinha conhecimento”, afirmou.

CRÍTICAS

Segundo a avaliação de deputados da base do governo e da oposição, Pereira mentiu à CPI em vários pontos -por exemplo, quando negou ser dono de uma empresa que está registrada em seu nome na Junta Comercial. Barros Munhoz (PSDB) disse que a comissão ficou desacreditada.

“Ela está totalmente desacreditada, a CPI como instrumento de apuração”, declarou o tucano. E acrescentou, sobre a declaração do advogado de Pereira: “Merecemos um prêmio de sofrimento. Isto aqui é um martírio. Assistir a um depoimento como esse é lamentável.”
Para Alencar Santana Braga (PT), o “grande ator” na CPI foi Pereira, que mentiu e deu diferentes versões sobre os mesmos fatos.

“Ele disse que foi um contrato [com a Coaf] para ajudar a tirar documentos, mas o contrato é expresso para atuar na chamada pública [licitação] junto à Secretaria da Educação, ou seja, um contrato de tráfico de influência”, disse.

“O Jéter fez sua grande atuação aqui para defender o Capez, e já ganhou o prêmio dele, que é a aposentadoria. Ele é um grande ator e está bem treinado por mais pessoas”, afirmou o petista.

PROMOTOR

Mais cedo, o primeiro a ser ouvido na CPI foi o promotor Leonardo Romanelli, que iniciou as investigações que culminaram, em janeiro, na deflagração da Operação Alba Branca.

Deputados governistas questionaram o promotor sobre a legalidade das investigações. Romanelli defendeu o trabalho do Ministério Público e sua competência para ter atuado no caso. Questionado, disse que o órgão acredita na “imprescindibilidade da participação de agentes públicos para que toda a trama [da merenda] pudesse funcionar”.

Já o lobista Marcel Ferreira Julio, que atuava para a Coaf e é apontado como o elo entre a cooperativa e os políticos, não compareceu à sessão. Ele havia obtido liminar judicial nesta segunda (12) para poder ficar em silêncio. Os deputados reconvocaram o depoimento do lobista para a semana que vem.

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