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Dois anos após atentado à bala, no JB Litoral, investigação permanece na estaca zero

por Redação JB Litoral
26/03/2020 21:27 (Última atualização: 27/03/2020)

Momento que o atirador dispara contra o jornal

Assunto que virou notícia nacional e internacional e foi alvo de cobrança, inclusive, por parte do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), entidade com sede em Nova Iorque nos Estados Unidos da América (EUA), passados dois anos, o atentado à bala no JB Litoral continua na estaca zero em Paranaguá.

Mesmo qualificado como tentativa de homicídio contra o jornalista Gilberto Fernandes, pelo delegado Nilson Diniz, da 1ªSubdivisão Policial, até hoje, os órgãos responsáveis pela investigação e a Promotoria de Justiça do Ministério Público do Paraná (MPPR) não repassaram qualquer informação ao jornalista e veículo de comunicação. As poucas notícias a respeito do caso foram dadas pelo delegado Rogério Martins, sempre que procurado pelos alvos.

O escritório de advocacia do Drº Elias Mattar Assad, que representa o jornalista e o JB Litoral, teve acesso ao processo que, hoje, conta com apenas 96 páginas, as quais não trazem informações importantes, apenas apontam indícios materiais, entre eles, pedidos negados e liberados de quebra de sigilo telefônico de possíveis envolvidos e a investigação resultada desta liberação.

No dia 12 do ano passado, a Promotoria de Justiça do MPPR pediu o arquivamento do inquérito, alertando que “nada impede que, à vista de novas provas, seja desarquivado o mesmo inquérito policial e oferecida a denúncia”.

Essa posição é reforçada pelo advogado Drº Vicente Bomfim, do Drº Elias, que vê a decisão como um arquivamento provisório. “Em que pese a determinação do arquivamento do inquérito, não foi realizada qualquer análise de mérito da situação, de forma que surgindo novas evidências que possam levar ao autor desse grave crime, a investigação poderá ser reaberta, resultando certamente em um processo criminal”, argumenta Drº Bomfim.

Da mesma forma, a 2ª Vara Criminal de Paranaguá, alegando que, pela análise das peças que instruíram o processo e pelos argumentos defendidos no parecer do MPPR, determinou o arquivamento do inquérito, no dia 18 de junho do ano passado.

Apesar de ambas as decisões, nenhuma delas foi repassada à vitima do atentado, o qual ocorreu por meio de cinco disparos de uma arma calibre 38 nos minutos iniciais do dia 26 de março de 2018. 

Cobranças no Brasil e exterior

No dia seguinte ao atentado, em nota, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), nos EUA, trouxe o caso cobrando que as autoridades brasileiras deveriam “investigar imediatamente um recente atentado contra os escritórios do semanário independente Jornal dos Bairros, no Paraná, e levar os responsáveis à justiça”.

A nota descreve o fato, onde um pistoleiro não identificado disparou, por volta da meia-noite do dia 26 de março, pelo menos três tiros contra a sede do jornal, quando a edição da semana ia ser impressa.

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A pesquisadora associada do CPJ para a América Central e do Sul, Natalie Southwick comentou o fato. “As autoridades brasileiras devem agir rapidamente para levar os responsáveis, pelo ataque às dependências do Jornal dos Bairros, à justiça e mostrar que os atentados à mídia não serão tolerados. Este ato mais recente de violência é um lembrete gritante que o Brasil continua sendo um dos países mais perigosos da América Latina para os jornalistas“, disse na época.

A truculência contra a liberdade de imprensa fez ainda com que importantes segmentos saíssem em defesa, não só do JB Litoral, bem como de veículos e profissionais de imprensa, que vivem ou viveram situação semelhante. Além de importantes jornais, rádios, portais de informação e rede de televisão de todo o país, também se manifestaram contra o ato criminoso o Sindicato dos Jornalistas do Paraná (Sindijor), Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), Repórteres Sem Fronteiras e outras entidades que, mesmo não sendo da cidade, repercutiram o fato como forma de repúdio e alerta ao Paraná e Brasil.

Três tiros acertaram

Na época, o editor contou que viu pelas câmeras de circuito fechado de sua casa, que o atirador corria e disparava contra o prédio da sede do jornal. “Três [tiros] atingiram a porta de metal e quebraram a segunda porta de vidro [na entrada do prédio]. Se eu estivesse trabalhando, teria sido atingido pela bala ou pelos estilhaços de vidro”, disse o jornalista informando que um carro aguardava o atirador e o levou para longe da cena.

Antes desse atentado, ele disse que já havia recebido ameaças relacionadas às reportagens feitas pelo veículo de comunicação. Em maio de 2017, um amigo do jornalista o alertou que um grupo político, o qual não gostava das denúncias feitas pelo jornal, havia lhe falado que iriam atirar em seu escritório.

Em setembro do mesmo ano, um homem telefonou anonimamente para a sua casa e disse à sua filha que iria bater em seu pai. Seis meses após, os disparos ocorreram no JB Litoral.