Educomunicação é instituída como política pública para a Rede Municipal de Ensino

por Luiza Rampelotti
30/07/2020 18:51 (Última atualização: 27/08/2020)

Em 2019, o prefeito recebeu das mãos da então secretária de Educação, Vandecy Dutra, e da secretária de Comunicação, Camila, a proposta do Projeto de Lei. Foto: Prefeitura de Paranaguá

Na terça-feira (21), a Câmara de Vereadores de Paranaguá aprovou o Projeto de Lei 5.596/2020, de autoria das secretarias municipais de Comunicação Social (Secom) e Educação e Ensino Integral (Semedi), que torna a Educomunicação uma política pública na cidade. A lei deve ser sancionada ainda nesta semana, quando o município completa 372 anos e, a partir de agora, as próximas gestões continuarão investindo na área.

A Educomunicação é a junção da educação e da comunicação, ou seja, a utilização da comunicação como ferramenta da educação. O conceito foi trazido para a prefeitura por meio da atual secretária de Comunicação, a jornalista Camila Cordeiro Roque, que tem, em sua formação, experiências na área. “Meu primeiro contato com a Educomunicação foi por meio da ONG Navegando nos Direitos, que existia há muito tempo aqui na cidade, e tinha como foco o enfrentamento da exploração sexual infantil. A ONG realizava pequenos grupos nas escolas, e o tema era discutido de forma lúdica, por meio de revistas e jornais, com os alunos. Fiz parte como voluntária e isso despertou o meu interesse para a área”, diz.

Em sua atuação no Poder Público, desde o início da atual gestão, em 2017, ela passou a utilizar a experiência adquirida por meio de sua graduação, cursos e vivências pessoais com o tema. “Aqui na prefeitura, temos muita liberdade para trabalhar essa questão da criação, de produtos novos, sempre pensando na questão social. E a secretaria de Educação também pensa da mesma forma, o que possibilitou uma parceria”, comenta.

Diálogo mais efetivo com a comunidade

De acordo com ela, logo em 2017, foi identificada, na Secretaria de Educação, uma grande necessidade de diálogo com os pais dos alunos matriculados na Rede Municipal de Ensino e, por vezes, os veículos tradicionais não conseguiam suprir essa necessidade. “Por isso, incentivamos a criação de pequenas páginas do Facebook para as escolas, para que os professores não publicassem, em seus perfis pessoais, informações a respeito dos alunos, às vezes, sem o consentimento dos pais, fotos sem autorização, com boa intenção, mas que poderia ser interpretado de outra maneira. Isto já é uma ação da Educomunicação”, explica.

Desta forma, uma das primeiras ações implementadas teve o objetivo de cuidar da imagem dos estudantes e, assim, surgiu o Código de Ética da Secretaria Municipal de Educação, em parceria com a Secretaria de Comunicação. “Nesse Código, incluímos a questão da imagem da criança, então hoje, ao matricular o aluno em uma escola da rede, o responsável assina (ou não) uma autorização do uso de imagem, e todas as atividades envolvendo a criança são publicadas nas páginas do Facebook”, diz Camila. 

Com o incentivo à utilização das redes sociais pelos estabelecimentos de ensino, como forma de comunicação com a sociedade, a secretária identificou que os professores não tinham conhecimento na área. “O professor nunca tinha tido formação na área, então realizamos oficinas básicas de administração de página, depois de criação de conteúdo e, desde 2017, fomos evoluindo”, informa.

Projeto apresentado em 2019

Dois anos se passaram e, em 2019, durante a Jornada de Comunicação, promovida pela prefeitura, o texto do Projeto de Lei foi divulgado. Segundo a secretária, o evento, que foi voltado à educação, foi o ápice da formação dos professores da Rede Municipal.

Durante a Jornada, fizemos a proposta para o prefeito Marcelo Roque de tornar a Educomunicação uma política pública, e ela foi muito bem aceita. De lá para cá, o texto foi tramitado, surgiram sugestões no meio do caminho e, então, na semana passada, foi aprovado na Câmara Municipal. Agora, vai trocar o gestor e ele vai ter a responsabilidade de continuar esse trabalho”, comemora a jornalista.

Assim que a lei for sancionada, Camila afirma que já existem planos para dar continuidade às ações. “Iremos fazer o planejamento do ano seguinte. Começamos pela formação dos profissionais, que se tornaram multiplicadores e, para um futuro próximo, com o fim da pandemia, se Deus quiser, faremos a parte 2 dessa formação, que seria com as crianças. A lei nos possibilitará ter estrutura para trabalhar, levar equipamentos para essas crianças e etc.”, conclui.

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