Empresas do litoral ganham prêmio de empreendedorismo socioambiental

por Redação JB Litoral
17/12/2020 18:58 (Última atualização: 17/12/2020)

Porto de Cima Brewing, cervejaria localizada em Morretes ficou com a terceira colocação. Foto: Porto de Cima Brewing/Divulgação

Por Amanda Yargas

Duas empresas do litoral foram vencedoras do prêmio do Programa Natureza Empreendedora: o delivery online Olha o peixe!, de Pontal do Paraná, que conquistou o primeiro lugar, e a cervejaria Porto de Cima Brewing, de Morretes, em terceiro. O programa é promovido pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza desde 2019 e busca fortalecer e dar visibilidade a empreendimentos inovadores que contribuam com a conservação da biodiversidade na Grande Reserva Mata Atlântica – o maior remanescente contínuo do bioma no Brasil, englobando áreas em São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Iniciativas transformadoras

A Olha o Peixe! faz a ponte direta entre pescadores artesanais do litoral e os consumidores finais, entregando frutos do mar, inclusive na capital. Os produtos são comprados a preços justos, definidos com os pescadores, e chegam à mesa de clientes e restaurantes que se preocupam com o impacto dos seus produtos.

O idealizador, Bryan Müller, reforça que a empresa tem uma causa: “a Olha o Peixe! fortalece as comunidades pesqueiras do litoral do Paraná e promove o consumo consciente de pescados para clientes que se interessam por produção local e economia solidária”.

Ele considera que no Brasil, às vezes, é difícil trabalhar com um propósito e colocar a causa, e não exatamente o lucro, como foco principal do negócio. “Mas aos poucos a gente encontra os parceiros certos e quando percebemos pessoas e instituições acreditando na nossa causa e também trabalhando por ela, a gente consegue chegar mais longe”.

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Olha o Peixe! ficou com o primeiro lugar. Foto: Olha o Peixe! /Divulgação

A Olha o Peixe! trabalha divulgando tanto a riqueza da cultura caiçara do litoral do Paraná, quanto a qualidade dos produtos. Ela não trabalha com espécies ameaçadas de extinção, leva informação técnica sobre os pescados aos clientes e usa embalagens ecológicas, de forma que o consumidor não olhe apenas o peixe que está comprando, mas todas as vidas por trás desses alimentos. Os resultados já são perceptíveis: “os pescadores tiveram aumento de renda, do poder de negociação com todos os compradores, de compreensão das expectativas dos clientes e dos mercados, de conhecimento técnico e, como consequência, um empoderamento mesmo”, contou Müller.

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Já a Porto de Cima Brewing é uma nanocervejaria que produz chopes e cervejas artesanais, sem adição de conservantes químicos e carbonatados naturalmente. São quase 30 estilos diferentes e exclusivos vendidos em garrafas e a granel.

Cada cerveja ganha o nome de uma espécie nativa, que a marca ajuda a preservar. A própria fábrica está localizada em uma propriedade que tem 43 hectares de mata, sendo que 17 são protegidos por uma reserva particular do patrimônio natural, a Pousada Graciosa. O uso de ingredientes de espécies locais também auxiliam no apoio a outros produtores artesanais locais. Com isso, a empresa consegue agregar valor ao turismo local, propiciando experiências autênticas e genuínas aos visitantes nacionais e internacionais que passam pela região.

Programa Natureza Empreendedora

 Os negócios ganhadores do Natureza Empreendedora participaram de um processo de mentoria e aceleração conduzido pela Fundação Grupo Boticário, em parceria com o Sebrae-PR, ao longo de três meses, junto com outras 17 empresas. O comitê de avaliação considerou critérios como viabilidade técnica e econômica, impacto ambiental positivo e visão de futuro. Entre os conteúdos trabalhados estão Teoria da Mudança e Modelo C, neuroliderança, design de produtos, experiência do usuário, gestão financeira, mensuração de impacto e storytelling. O primeiro colocado recebe 10 mil reais e os outros dois selecionados, 5 mil cada. O segundo lugar ficou com a empresa turística Ekoways, de Curitiba, que oferece um serviço de turismo regenerativo.

Guilherme Karam, coordenador de negócios e biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, reforça que uma forma de promover uma economia sustentável é por meio desses territórios brasileiros que ainda possuem bons remanescentes de ambientes naturais com cultura diferenciada e história muito rica. Segundo ele, a ideia é analisar como é possível aproveitar os ativos que a região tem para desenvolver negócios alinhados com eles, voltados ao ecoturismo, à produção sustentável de cadeias produtivas da região, à educação ambiental, à agropecuária e à pesca sustentável.  “Há uma oportunidade bem interessante que esses negócios usem desse ativo regional da Grande Reserva da Mata Atlântica como forma de se promover, de atrair seus clientes, cobrar um preço diferenciado oferecendo um produto ou serviço diferenciado, que além da entrega que propõe, também contribui para a conservação da natureza na região”.

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