Equipe de canoagem realiza turismo pelas ilhas de Paranaguá

por Redação JB Litoral
28/07/2020 20:06 (Última atualização: 28/07/2020)

A atividade em grupo exige dedicação, paciência e companheirismo para a execução em sincronia dos movimentos. Foto/Rafael Pinheiro/ JB Litoral

Por Andresa Costa

Cerca de 30 ilhas compõem a baía de Paranaguá e as que mais se destacam por suas riquezas naturais são: Ilha dos Valadares, Cotinga, Amparo, Piaçaguera, das Cobras, das Peças e Ilha do Mel. E para comemorar os 372 anos de Paranaguá, o JB Litoral preparou uma reportagem especial, convidando o leitor a fazer um tour por esses locais de carona nas canoas havaianas com a equipe do Paraná Hoe, uma equipe formada por remadores de todas as modalidades como caiaques, canoas e, até mesmo, o Stand up Paddle (SUP). O grupo é liderado pelo instrutor Johnatha Vaz, que oferece aulas para quem deseja aprender a remar e também organiza viagens de longas distâncias por lugares incríveis da baía de Paranaguá, com um único combustível: a força nos braços.

A finalidade desse encontro foi o de conhecer um imenso estuário de rara beleza, até os limites dos municípios de Iguape e Cananéia, no estado de São Paulo.

Na saída do passeio, à margem direita do Rio Itiberê, bem em frente à praça de Eventos Mário Roque, está a Ilha dos Valadares. Situada a uma distância de 400 metros do centro da cidade, a região tem uma área de aproximadamente 3 km² e mais de 30 mil moradores.

Pouco explorada em seu enorme potencial turístico, o instrutor Johnatha Vaz explica que a área oposta ao continente da ilha esconde lindos lugares, do nascer ao pôr do sol. “A maioria das pessoas em Paranaguá não imagina quanta beleza a Ilha dos Valadares esconde. Aquela região tem um potencial para o ecoturismo gigantesco”, declarou.

Seguindo o percurso dos encantos da baía, encontra-se a Ilha da Cotinga, considerada o Marco Zero do Paraná porque foi nela que se estabeleceram os primeiros colonizadores vindos de São Paulo, com intenção de permanecerem no continente. De acordo com Johnatha, “um ponto turístico ainda pouco explorado, mas com muitas riquezas naturais podendo ser bem aproveitado”. A região ainda é habitada pelos seus primeiros moradores, as comunidades indígenas.

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Entre as riquezas da região, está a natureza exuberante da baía que contrasta com os navios. Foto/Rafael Pinheiro/JB Litoral

AMPARO E PIAÇAGUERA

A seguir, há a Ilha do Amparo, uma comunidade pesqueira que fica a 30 minutos da cidade, com aproximadamente 300 habitantes. Nela, é possível desfrutar do prazer de uma boa comida na cozinha comunitária, formada pelas mulheres dos pescadores. Durante o almoço, elas servem refeições com um cardápio à base de peixes, camarões e mariscos frescos, pescados pelos próprios maridos. “Lá, o nosso grupo sempre faz uma parada estratégica para repor as energias com todas as delícias que as cozinheiras preparam. É um banquete também para os olhos”, disse o instrutor. Duas festas anuais acontecem na comunidade, uma em janeiro e outra em junho, porém organizadas pela administração da ilha. O ambiente é tranquilo, ideal para quem busca paz e harmonia. Outra comunidade pesqueira, muito parecida com Amparo, é a da Ilha de Piaçaguera que fica exatamente em frente à Ilha da Cotinga e do Terminal de Contêineres de Paranaguá. Entre as riquezas da região, estão a natureza e a exuberância da baía que contrasta com os navios e canoas, a igreja antiga, o sambaqui, as frutas típicas e as lendas contadas pela população. Ali, também, existe uma cozinha comunitária que atende os turistas que chegam para visitar, e é um ótimo lugar de relaxamento após um saboroso almoço.

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“Qualquer um pode remar e fazer desta, a sua atividade principal”

ILHA DAS COBRAS E DAS PEÇAS

Um lugar que atrai a curiosidade da população parnanguara e turistas é a Ilha das Cobras. No passado, o local abrigou um presídio para isolar os comunistas, depois foi transformado em um reformatório para menores. Após muitos anos abandonada, a construção foi reformada e transformada em residência oficial de veraneio do Governo do Estado. “O lugar é lindo. Por se tratar de uma reserva não temos a permissão de entrada, mas apenas de contornar a ilha, conseguimos ver a dimensão da grandeza dela”, confirma Johnatha. Atualmente, ela está se transformando em uma unidade de conservação e educação ambiental, para que possam ser feitos estudos e pesquisas relativos à proteção do espaço nativo.

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Conhecida por sua festa no mês de janeiro, a Ilha das Peças é um lugar tranquilo, com praias de águas calmas e de natureza exuberante. Existem poucos comércios na região, o que ainda conserva o aspecto rústico do lugar. Contudo, a grande atração são os botos que se concentram na frente do trapiche, principalmente ao amanhecer. Eles são um espetáculo à parte. “Durante um dia de verão, ao nascer do sol, um grupo de botos se aproximou da canoa e nos acompanhou durante um trecho, pulando várias vezes para fora da água. Foi um momento lindo, de muita paz”, contou emocionada uma das participantes da equipe, Luciana Zanini. A Ilha das Peças tem o segundo maior berçário de botos do Brasil. Perde apenas para Fernando de Noronha.

A MAIS FAMOSA

Mais à frente, está a mais famosa do litoral paranaense, a Ilha do Mel. Localizada num ponto estratégico na entrada da Baía de Paranaguá e que, além das suas belezas naturais, quase 90% se encontra sob proteção ambiental, também abriga muita história, como a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres. Ela foi construída em 1767 para garantir a segurança da região e do porto Dom Pedro II, já na época um dos mais movimentados do país. Hoje, a construção é o único monumento militar do século XVIII existente no Paraná. No alto do mirante da estrutura ainda existem canhões da Segunda Guerra Mundial, apontados para a entrada da baía. Há, ainda, o Farol das Conchas que foi construído em 1872 para orientar a navegação na região e que ainda cumpre essa missão. Na época, foi uma grande obra da engenharia, toda em ferro fundido e localizada no alto do Morro das Conchas, um ponto onde se tem quase toda a visão da ilha. A estrutura pode ser visitada por meio de uma conservada escadaria de aproximadamente 150 degraus.

Já a Gruta das Encantadas está rodeada de histórias e fantasias a respeito das lindas mulheres que atraíam homens em noites de luar. É uma obra de arte, esculpida pela natureza, e pode ser apreciada facilmente na comunidade de Encantadas, por meio de uma trilha e passarela.

REMOTERAPIA

O esporte surgiu na Polinésia, um conjunto de ilhas do Pacífico, e se popularizou, principalmente, por pessoas que gostam de atividades físicas ao ar livre. Os amantes de uma boa aventura foram logo seduzidos pelas infinitas possibilidades de conhecer lugares incríveis.

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“Qualquer um pode remar e fazer desta, a sua atividade principal”. Foto/Rafael Pinheiro/ JB Litoral

A embarcação a remo possui um flutuador lateral, que dá estabilidade aos praticantes, variando de tamanho de acordo com o número de lugares, desde individual, duplas, quatro lugares, até as mais tradicionais, de seis lugares. Há também os chamados catamarãs, que são a junção de duas canoas de seis lugares, formando uma embarcação de duplo casco com 12.

Com o decorrer da prática, o esportista desenvolve o foco e o equilíbrio nas remadas para evitar sobrecargas físicas desnecessárias. Já em grupo, a atividade exige dedicação, paciência e companheirismo para a execução em sincronia dos movimentos. De acordo com Johnatha Vaz, “isso faz com que o esporte seja uma ótima forma de ampliar as relações interpessoais como o trabalho em equipe e a confiança no próximo”.

Somando a esses benefícios, a canoa havaiana atua, ainda, na perda de peso, melhora o condicionamento físico, tonifica os músculos e ajuda na flexibilidade. “Este esporte proporciona um ganho de qualidade de vida, já que muitas vezes a prática acontece bem cedinho, com o sol nascendo ou no finalzinho da tarde. Muitos praticantes contam que passaram a se alimentar melhor e adotaram um estilo de vida muito mais saudável depois do contato mais próximo com a natureza. Funciona como uma terapia.“, analisou Johnatha.

Por ter o rio Itiberê ao alcance da população, Paranaguá se tornou um ambiente indicado para a prática da canoa havaiana. Contudo, caso alguém queira experimentar, mas não saiba nadar, o instrutor garante que não há problemas. Um colete salva-vidas é disponibilizado para quem não tem tanta intimidade com o mar.

O esporte é bem eclético, atraindo homens, mulheres, crianças e idosos. “As pessoas acreditam que é preciso estar em excelente forma física para começar a praticar, mas estão enganadas. Qualquer um pode remar e fazer desta, a sua atividade principal“, explica o instrutor.

Para quem vai começar na modalidade, ele indica procurar por profissionais capacitados para o esporte, pois é uma habilidade para percorrer distâncias em mar aberto, além da necessidade de utilizar equipamentos de segurança. “O ideal é buscar um instrutor qualificado, equipamentos adequados e tomar todos os cuidados necessários com a segurança”, recomenda.

Especial 372 anos de Paranaguá