Ex-presidente fica surpresa ao saber que assinou para retirada de R$ 14 milhões

por Redação JB Litoral
04/07/2017 17:58 (Última atualização: 04/07/2017)

Entidade teve seu patrimônio financeiro comprometido na gestão Baka

Passados quatro anos e meio da retirada de R$ 2 milhões dos fundos de aposentadoria dos servidores municipais, administrado pela Paranaguá Previdência, na quinta-feira (22) a ex-presidente da entidade na gestão de José Baka Filho (PDT), a servidora aposentada Célis Regina Schneider foi ouvida pela justiça, na ação que levanta a responsabilidade por este saque ilegal.
 

Ex-presidente fica surpresa ao saber que assinou para retirada de R$ 14 milhões 4O JB teve acesso ao depoimento prestado no Fórum pela servidora que aparentou insegurança em suas declarações, chegando se contradizer algumas vezes e surpreendida ao ser confrontada por documentos que provavam ações que havia feito, mas negou.  

Entre as contradições e surpresas, Célis negou ter recebido solicitação de credenciamento da Máxima Private Equity Fundo de Investimentos em Participações que recebeu o dinheiro da Paranaguá Previdência, mas ao ver o documento apresentado, admitiu ser sua letra e assinatura.

Após isso, disse desconhecer e não se recordar, apesar de ter recebido a solicitação por Aviso de Recebimento (AR), um dia após sua nomeação como presidente.

Garantindo não conhecer ninguém da Máxima Private, a servidora repassou a responsabilidade para o economista Fernando Peixoto de Paula Lima, nomeado pelo prefeito Baka para ocupar a Diretoria de Administração e Finanças no último mês de sua gestão.

Após ouvir do Diretor que a aplicação não haveria nenhum problema foi com ele até a Caixa Econômica federal (CEF), onde teve problema retirar os R$ 2 milhões.

“Eu confiei nele”, disse a ex-presidente ao admitir que fez um mandato tampão e não houve tempo para se inteirar do cargo, além do fato de não ter conhecimento da área financeira e sim de gestão pública.  
 

Sem saber que assinou R$ 14 milhões

O ponto mais surpreendente do depoimento foi quando a servidora tomou conhecimento que também assinou solicitação de transferência para as financiadoras Lenin Multisetorial & PCA no valor de R$ 8 milhões e para PRA1 – Fundos de Investimentos de Renda Fixa, no valor R$ 4 milhões, totalizando os R$ 14 milhões.

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Essas solicitações ocorreram no dia 6 de dezembro, dois dias após a assembleia com os membros do Conselho de Administração e Conselho Fiscal, que foram contrários ao investimento dos recursos através de instituições financeiras da inciativa privada, contrariando a legislação do Paranaguá Previdência. Ela assinou a transferência junto com Diretor Fernando Lima. Entretanto, Célis admitiu ter assinado apenas a liberação dos R$ 2 milhões da Máxima Private.

“Para mim não existia outros valores, estou tomando conhecimento agora. Eu sabia dos R$ 2 milhões, mas de outras operações não”, disse a servidora bastante surpresa.  

Um momento tenso no depoimento ocorreu quando a ex-presidente negou ter ido até a Caixa Econômica dia 18 para tentar nova transferência valores, mesmo após o MPPR entrar com bloqueio para novas transferências. Depois de garantir não ser verdadeira a informação, ela foi confrontada por documento e ficou novamente surpresa.

“Meu Deus eu não estive lá no banco. Fui uma vez e não fui mais”, alegando não se recordar de ter ido ao banco.  
 

Ex-presidente fica surpresa ao saber que assinou para retirada de R$ 14 milhões 5Ex-prefeito disse em 2014 que atos da Paranaguá Previdência devem ser imputados aos gestores e não a ele. Foto/Gazeta do Povo
 

Baka e Maurício Coutinho
 

Em setembro de 2014, questionado sobre este assunto, a assessoria jurídica do ex-prefeito José Baka Filho informou à imprensa que a Paranaguá Previdência é uma entidade com autonomia administrativa e financeira, independente da prefeitura, e que os atos por ela praticados devem ser imputados aos então gestores e não a ele. No mesmo e ano, ex-presidente da Paranaguá Previdência na gestão do prefeito Edison de Oliveira Kersten (PMDB), Maurício dos Prazeres Coutinho, que hoje responde pela Secretaria Municipal de Fazenda e Orçamento na gestão do prefeito Marcelo Elias Roque (PV), disse que buscava na esfera judicial a recuperação do patrimônio investido, mas se mostrava pessimista quanto a um resultado positivo por acreditar que dificilmente haverá êxito. “Na pior das hipóteses, tais perdas deverão ser supridas pelo Tesouro Municipal”, disse Coutinho na época.

 

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