Falta de iluminação em viaduto facilita que caminhoneiros sejam vítimas de ‘vazadas’

Localizados no entorno do viaduto, na intercessão da BR-277 com a Avenida Bento Rocha, na altura do Km 5, os postes estão sem luz desde antes da inauguração.

por Luiza Rampelotti
11/03/2020 15:55 (Última atualização: 11/04/2020)

As conhecidas 'vazadas' acontecem na região e aterrorizam caminhoneiros (Foto: Reprodução)

Considerado de fundamental importância para a melhoria do trânsito pesado da região, além de agilizar a movimentação das cargas ao porto de Paranaguá, passados cinco meses da inauguração do viaduto Nelson Buffara na entrada da cidade, pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), toda a sua extensão continua sem iluminação, após furto da fiação dos postes.

Leia também:

Localizados no entorno do viaduto, na intercessão da BR-277 com a Avenida Bento Rocha, na altura do Km 5, os postes estão sem luz desde antes da inauguração. Esta situação tem gerado uma sensação de insegurança, tanto para os motoristas, que ainda convivem com a dificuldade de dirigir na escuridão, quanto aos moradores da região.

O caminhoneiro Erineu Miguel Guterres, de Carazinho (RS), comenta que passar no local, à noite, é perigoso.  “Com a falta de iluminação, os noias aproveitam para fazer emboscadas e abrir as bicas dos caminhões, as tradicionais vazadas, despejando todo o produto que carregamos no chão. Com isso, eles utilizam esse produto para vender. É um absurdo, a gente não tem segurança nenhuma”, lamenta.

Falta de iluminação em viaduto facilita que caminhoneiros sejam vítimas de ‘vazadas’ 2
Desde a inauguração, em outubro de 2019, o viaduto, na entrada da cidade, não possui iluminação (Foto: Geraldo Bubniak/AEN)

As obras levaram mais de um ano para serem concluídas. Foram iniciadas em julho de 2018 e executadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR). Entretanto, o investimento de R$ 12,7 milhões partiu da Portos do Paraná e foi aplicado em serviço de terraplanagem, pavimentação, drenagem e obras de arte correntes, obra de arte especial, sinalizações vertical e horizontal, sinalização provisória, iluminação e serviços complementares.

Caminhoneiros lamentam tratamento

O trecho em que se localiza o viaduto recebe mais de 400 mil caminhões por ano, o que representa cerca de 120 mil toneladas de carga. Ao facilitar o trânsito, a obra tem o objetivo de, além de reduzir as filas e congestionamentos na BR-277, contribuir com a expectativa de crescimento da movimentação de cargas no Porto de Paranaguá – já são mais de 50 milhões de toneladas por ano e a previsão é ultrapassar as 80 milhões em médio prazo.

Erineu é motorista de caminhão há mais de 30 anos, transportando soja da região do Mato Grosso do Sul para Paranaguá. Segundo ele, o viaduto auxiliou na melhor fluidez do trânsito, mas ainda é necessário um olhar mais atento para os caminhoneiros que transitam na cidade. “O viaduto realmente ajudou no fluxo do trânsito, mas, infelizmente, não melhorou o problema da insegurança, especialmente devido à falta de iluminação. Os caminhoneiros passam semanas viajando, para chegar até Paranaguá e ter todo o seu trabalho perdido. Infelizmente é assim que a cidade é conhecida”, diz.

Devido à escuridão recorrente no trajeto, o viaduto já foi alvo de algumas reportagens produzidas pela imprensa local, buscando a solução do problema. No entanto, até o momento, a situação continua a mesma.

DER não responde questionamentos

Para a produção desta reportagem, o JB Litoral enviou questionamentos ao DER, por meio de sua assessoria de imprensa. Entre as perguntas realizadas, estavam: por que o problema da escuridão ainda persiste? Existe previsão para que a iluminação seja instalada novamente? E se há uma data efetiva para informar à população sobre a solução do problema.

Porém, o órgão se limitou a enviar uma nota de esclarecimento, que não respondeu a nenhum dos questionamentos. A nota informa que “a implantação da iluminação da obra de arte especial em questão foi executada, mas que a fiação dos postes foi roubada. Atualmente, o departamento avalia uma solução para o caso”. No entanto, a resposta continua a mesma desde dezembro de 2019, sem um prazo estipulado para resolver o problema.

Com informações de AEN