Guardas portuários decidem se entram em greve na próxima semana

por Cristian César de Oliveira [email protected]
11/05/2020 16:03 (Última atualização: 20/05/2020)

Os guardas portuários irão se reunir para decidirem o início de uma possível greve. Será realizada uma assembleia no Porto de Capuaba, em Vila Velha, nesta próxima terça-feira (12).

Segundo o presidente do Sindicato dos Guardas Portuários (Sindiguapor), Antonio Cândido, a principal reivindicação dos trabalhadores é o aumento de 144 para 180 horas na jornada de trabalho, decretada pela Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa).

Antonio Cândido reforçou que no edital do concurso, realizado em 2006 por boa parte dos guardas que trabalham atualmente, não constava uma quantidade estabelecida na carga horária de trabalho. Ao serem chamados em 2008, optaram pela que estava vigente na Companhia, de 144 horas.

Ainda segundo Cândido, no último mês, foi imposto o aumento para 180 horas na jornada dos guardas e o corte nos benefícios definidos no Acordo Coletivo de Trabalho de 2019/2020, vencido no último dia 30 de abril. Dentre eles estão auxílio educação, creche e ticket de alimentação.

O Sindicato entrará na justiça contra a Companhia. O presidente afirmou que já está de posse do advogado um dissídio e uma liminar para derrubar a ação feita pela Codesa. Tudo será apresentado ainda nesta terça-feira (4), no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-ES).

Na última semana, uma manifestação foi feita saindo da Vila Rubim em direção ao prédio da Codesa, localizado na Praia do Suá, em Vitória.

O outro lado

Em nota, a Codesa disse que tomou a medida da alteração na carga horária dos guardas portuários em cumprimento a uma notificação do Tribunal de Contas da União (TCU).

Ainda segundo informado na nota, a medida adotada pela Companhia causou resistência e culminou com a decisão da guarda portuária, em assembleia geral da categoria, de não assinar o Acordo do Trabalho, que estava em fase de conclusão, e optar pelo dissídio.

A Codesa afirma que a diretoria ofereceu quase 7% de reajuste salarial, retroativos a janeiro deste ano; reajustes do auxílio-alimentação; auxílio-educação; auxílio-babá; auxílio-creche; e auxílio funeral.

Além disso, ofertou-se plano de saúde, seguro de vida, manutenção do auxílio-cultura, adicional por tempo de serviço, empréstimo sem cobrança de juros e remuneração de horas extras, horas noturnas e adicional de férias em patamares substancialmente superiores aos previstos em lei, dentre outros benefícios.

Proposta idêntica, segundo a Codesa, foi oferecida e aceita pelos demais trabalhadores da Companhia, que não são guardas portuários, numa negociação respeitosa com o Suport-ES.

Mas a diretoria do Sindiguapor, diferentemente, optou pelo dissídio, pleiteando a manutenção da escala de trabalho que foi proibida pelo TCU, e gerava prejuízos na ordem de R$ 3 milhões por ano para os cofres públicos.

Fonte: ES Hoje