Obra na passarela gastará 83% em apoio náutico e 17% no reforço

por Redação JB Litoral
25/05/2018 14:54 (Última atualização: 25/05/2018)

Tempo sem manutenção resultou no surgimento de mato na estrutura. Foto: Marcio Tibilletti/JB Litoral

Na segunda-feira (14), após 17 anos sem reformas da passarela Drº Antônio José Sant’anna Lobo Neto, a qual liga o continente à Ilha dos Valadares, a Prefeitura de Paranaguá assinou a Ordem de Serviço que garante a realização da obra.

O Prefeito Marcelo Elias Roque (PODEMOS) disse na solenidade que o serviço inclui o reforço das estacas, da laje, pintura e sinalização e será realizado pela Empresa Fator 3 Engenharia e Consultoria Ltda, declarada vencedora com uma proposta de R$ 1.1 milhão (R$1.108.781,81) pela obra, orçada em R$ 1.3 milhão pela prefeitura.

Com sérios problemas em sua estrutura de estacas e até mesmo no piso usado por pedestres e veículos, já mostrado pelo JB Litoral pela primeira vez em 2013, a obra gastará cerca de 83% de seu valor no apoio náutico para execução dos serviços, além de limpeza e pintura, restando 17% na recuperação de estacas e na laje de concreto armado, ou seja, no efetivo reforço da estrutura.

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Empresário fará a obra em 180 dias. Foto/PMP

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Situação da passarela em 2013 levantada pelo JB Litoral

A reportagem do JB Litoral teve acesso à planilha orçamentária da obra e os valores dos serviços a serem executados, feitos pelo engenheiro civil do quadro da prefeitura Carlos Eduardo Xavier Zacarias, e constatou que o maior volume de recursos será gasto em serviços e não no material de reforço da estrutura.

Na planilha, a prefeitura previu uma licitação com um preço máximo de R$ 1.3 milhão (R$ 1.3809.247,63), divididos em cinco partes, serviços iniciais R$ 20 mil (R$ 20.968,99); recuperação de estacas de concreto armado R$ 1.1 milhão (R$ 1.242.473,49), dos quais R$ 1 milhão (R$ 1.065.899.93) será gasto apenas com apoio náutico para execução dos serviços de recuperação das estacas; laje de concreto armado R$ 53 mil (R$ 53.837,94); guarda corpo R$ 10 mil (R$ 10.461,06) e serviços complementares R$ 61 mil (R$ 61.506,16).

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Fator venceu com R$ 1.1 milhão

Levando em conta a planilha do edital de licitação com o valor vencido pela Empresa Fator 3, chama a atenção o alto preço a ser pago pelo apoio náutico, quase 85% do montante destinado para reforço da estrutura. Considerando esta porcentagem, deduz-se que a Fator 3 usará R$ 920 mil apenas nos serviços com barcos, mergulhadores, limpeza e pintura, e cerca de R$ 188 mil no reforço das estruturas que estão em condições precárias. A enorme diferença entre serviço e material, segundo a opinião de um empreiteiro que atua na área e já executou obra semelhante, sugere a realização de duas licitações para execução da obra, uma de material e outra de serviço, o que poderia reduzir drasticamente o custo do empreendimento.

 “Acredito que toda obra, com duas licitações, fecharia em menos de R$ 800 mil”, estima o empresário, que optou por não se identificar.

Em 2015, o Prefeito Edison de Oliveira Kersten (PMDB), baixou o Decreto 2547/2015, impondo medida restritiva de tráfego na passarela como forma de “salvaguardar a integridade física dos pedestres que transitam no local”. Na época, a prefeitura ressaltou, por meio de seu site, “que a medida é cautelar, pois não há risco de queda”. Entretanto, o decreto impediu que veículos motores, elétricos, de tração animal e reboque ou semirreboque passassem pela passarela e apenas ambulâncias e viaturas leves, com a sirene ligada e em situação de emergência estariam liberadas, assim como bicicletas, motonetas e motocicletas, desde que empurradas pelos condutores. Somente em casos de emergência, se não houvesse viaturas ou ambulâncias disponíveis, o guarda municipal de plantão poderia autorizar a passagem de veículo particular.

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Técnicos avaliaram as condições da estrutura na gestão Kersten. Foto/Marcio Tibilletti/JB Litoral

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