Imigrantes contribuem com riqueza cultural histórica de Paranaguá

por Redação JB Litoral
28/07/2020 20:24 (Última atualização: 28/07/2020)

Além do crescimento cultural, estrangeiros contribuem no desenvolvimento econômico no município

Por Gabriela Vizine

Paranaguá é uma cidade que carrega pessoas de diferentes nacionalidades. Há 372 anos, a cidade é marcada pela presença histórica de imigrantes que desbravaram o “Berço da Civilização Paranaense” e a tornaram dona de uma riqueza cultural. Segundo a Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo do Paraná, o Estado conta com a participação de 28 etnias diferentes. Por consolidar o porto, o município contribui para que mais estrangeiros passem por aqui. E muitos deles, permanecem.

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Konstantinos na Grécia (Foto/reprodução Facebook)

O capitão Konstatinos Papanastassiou é grego e mora aqui há 40 anos. Nascido em Tessalônica, cidade portuária do norte da Grécia, sempre atuou na área de navegação. Atualmente é proprietário de uma agência marítima que atende o município, além de Santos, São Francisco do Sul e Antonina, há 25 anos.

Apaixonado pelos mares, viajou por muitos destinos diferentes, porém há um local que ele cita com muito afeto: o Brasil. “A primeira vez que pisei em terras brasileiras foi em 1977”, conta com ênfase. O motivo de se recordar até mesmo da data tem um nome muito especial: a brasileira Viviane, sua esposa. Dentre dezenas de passageiros de uma embarcação, da qual ele era o piloto, Konstantinos conheceu a jovem. E, ali, foi mudada a direção do leme de sua história.

Foram quatro anos de namoro até o casamento. Depois do matrimônio, o casal decidiu morar na Grécia. Lá, eles mudaram os planos e retornaram. Aqui, atuou em outras cidades até se consolidar no litoral. Como a família da esposa era de Curitiba, eles decidiram morar em Paranaguá por ser uma cidade portuária e também estar próxima à família de sua mulher. Konstantinos se adaptou rápido e diz não ter dificuldade quanto à culinária brasileira. “Gosto da comida brasileira, exceto arroz com feijão todos dias”, brinca. Hoje, eles contemplam uma família feliz. O fruto do amor em alto mar concedeu duas filhas. Ele fala com muita paixão sobre a família que possui e é agradecido profissionalmente por Paranaguá ter contribuído em sua vida. “Eu gosto muito daqui. Gosto de cidade pequena. Paranaguá foi muito generosa comigo. Minhas filhas nasceram aqui e eu sou muito grato por isso e pela família que tenho hoje”, relata.

Do Egito para a Terra de Fernando Amaro

Assim como Konstantinos trocou a segunda maior cidade da Grécia, o sheik Ibrahim Mohammed, 41 anos de idade, deixou o Egito para viver em solo parnanguara. Natural de Ciro, ele veio ao município por razões religiosas. A mesquita local, a qual ele frequenta, precisava de um sheik e ele foi o escolhido. Junto à esposa e filhos, mora há quase três anos na cidade. Além de guiar as cerimônias e rezas da mesquita, auxilia as famílias que congregam no templo. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Islamismo tem cerca de 35 mil seguidores no Brasil. O Paraná corresponde a um dos estados com maior presença deles.

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Sheik Ibrahim na Mesquita de Paranaguá. (Foto/ Gabriela Vizine)

Quando é questionado sobre morar em Paranaguá, o sheik esboça um largo sorriso. “As pessoas aqui são normais. Na rua dizem bom dia. São simples e têm respeito comigo. Eu gosto muito desse lugar”, conta entusiasmado.  O modo como as pessoas o trata enche seu coração de alegria. Ibrahim já morou em outro país que não era tão receptível e a comunicação era fria entre as pessoas. “Eu espero ficar muitos anos por aqui”, anseia. Além disso, aprecia o sabor dos pratos brasileiros. “Gosto dos peixes, das carnes e, principalmente, do corte da carne de carneiro”, explica.

Todo esse amor pelo lugar e a comunidade muçulmana parnanguara, a qual ele ajuda, vai deixar uma marca irreversível na vida da família. Aliás, ele está radiante com a recente notícia: “A esposa que amo muito está grávida e agora eu vou ter um brasileirinho sempre comigo”, comemora.

Especial 372 anos de Paranaguá