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Imobiliárias oscilam entre estabilidade e queda durante pandemia de coronavírus

por Cleverson Teixeira
21/05/2020 10:50 (Última atualização: 1 semana atrás)

Com a chegada da Covid-19, muitas empresas tiveram que se adaptar às medidas de prevenção e, ao mesmo tempo, enfrentar a crise econômica instaurada em muitos setores comerciais. No ramo imobiliário, por exemplo, a crise foi bastante sentida em grandes centros, como na capital paulista. De acordo com pesquisas realizadas pelo Sindicato de Habitação de São Paulo (Secovi-SP), o estado vizinho registrou uma queda no mercado de 36%, em fevereiro, e 13,8%, em março.

Para saber como está o mercado imobiliário no Paraná, especificamente, em Matinhos, cidade balneária que geralmente registra uma alta procura por imóveis em época de temporada de verão, o JB Litoral conversou com alguns profissionais da área.

A reportagem visitou três imobiliárias do litoral e constatou que ocorre uma certa oscilação entre a estabilidade e a queda no número de contratos de locações e vendas.

De acordo com o sócio-proprietário da imobiliária Eraldo Imóveis, Wellington Ferreira, não houve um grande impacto nas vendas durante a pandemia. Segundo ele, o mercado segue equilibrado e o que mudou foi a forma de atender o cliente. “Quanto a procura, nós não sentimos uma queda, nós sentimos que o mercado está equilibrado. O que se diferenciou foi a forma de atendimento. Hoje, nós temos atendimentos agendados, visitações agendadas, o cliente não chega mais como ele vinha antes até a empresa. Nós estamos trabalhando muito com a parte da mídia social, com a comunicação via WhatsApp, site e e-mails, explicou.

Por determinação de leis municipal, estadual e federal, as locações diárias foram suspensas neste período. As imobiliárias estão autorizadas apenas a realizarem locação mensal e venda. Segundo Ferreira, apesar de a procura intensiva no escritório ter diminuído, não significa que haja queda na comercialização, já que os canais de comunicação on-line suprem a negociação. Outro fator que colabora para manter o setor em equilíbrio são os juros reduzidos das linhas de crédito. “Abriu muita linha de crédito por meio de financiamento bancário. Isso é uma oportunidade para aquelas pessoas que estavam com caixa, com uma reserva ou que estavam esperando uma oportunidade para comprar”, complementou.

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O empresário Wellington afirma que há um equilíbrio no setor

O empresário diz, ainda, que o reflexo da pandemia pode ser sentido daqui a sete meses. Para o profissional, com as aulas suspensas, o ramo de imóveis teme que em dezembro os alunos não tenham um descanso maior no fim de ano. Caso isso se confirme, as locações diárias sofrerão uma queda significativa.

Procura maior por locação mensal

O corretor de imóveis da JREI, de Matinhos, Luiz Paulo Giordano, explica que a situação atual da doença no país não influenciou nos negócios da empresa. A procura maior, segundo Giordano, está sendo pela locação mensal. Conforme ele, somente a venda de imóveis já estava comprometida antes da pandemia. “A procura está boa, independentemente da situação que a gente está passando. A venda já estava fraca antes desta situação. Então, não vejo influência, no meu ponto de vista”, finalizou.

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JREI Imóveis aponta alta no número de locações mensais

Diferente de outras imobiliárias, o gerente da Crescer Imóveis relata que houve uma queda. Das três que foram procuradas, ela foi a única que sentiu os efeitos provocados pelo coronavírus e, neste momento, está atuando com a compra, venda e administração de condomínios. “Houve uma queda, sim, porque ficamos fechados durante algum tempo e faz umas três semanas que retomamos as atividades. Estamos sentindo que, aos poucos, tem alguma consulta. Com o número que estávamos acostumados a ter, apresentamos uma queda de 70%. A nossa expectativa é que se tiver uma diminuição de casos da Covid-19, a recuperação do mercado começa a partir de setembro”, disse o gerente de Vendas, Michel Wolf.

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Gerente de Vendas Michel relata queda de 70%

Para driblar a situação que o estabelecimento está enfrentando, Wolf relatou que também tem recorrido às mídias sociais para segurar a clientela. Segundo ele, é importante manter esse canal de contato com os clientes, já que muitos deles não são do município. “A maioria dos nossos clientes, 80 % deles, são de fora. Então, tudo o que a mídia oferece, hoje, a gente aproveita para estar o mais próximo possível do cliente”, concluiu.

Segundo especialistas atuantes no litoral do Paraná, a maior busca é feita por pessoas de Curitiba que querem investir na cidade. Clientes da terceira idade é o público que mais compra imóvel em Matinhos. De acordo com os profissionais, o que influencia na decisão de adquirir uma casa ou um apartamento nessa localidade, é a estrutura da cidade, a receptividade e a tranquilidade da região.