Indústria de fertilizantes comemora crescimento no ano, mas mostra preocupação com 2015

Panorama do setor foi debatido durante o Simpósio Sindiadubos, realizado no Campus da Indústria do Sistema Fiep

por Redação JB Litoral
22/10/2014 18:00 (Última atualização: 22/10/2014)

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A indústria de fertilizantes do Paraná chega aos últimos meses do ano comemorando os resultados obtidos em 2014, mas ainda apreensiva em relação a 2015. Com o preço das commodities agrícolas em queda no mercado internacional, os produtores não definiram as safras para o próximo ano, o que pode atrasar as encomendas de fertilizantes. O panorama do setor foi debatido nesta terça (21), no Campus da Indústria do Sistema Fiep, em Curitiba, durante o Simpósio Sindiadubos, promovido pelo Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná.
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O empresário José Carlos de Godoi, presidente do Sindiadubos, afirma que o Paraná deve fechar 2014 com um aumento de 7% no consumo de fertilizantes. A dúvida, no entanto, é se no ano que vem o setor manterá o crescimento. “Neste momento, já tínhamos o agricultor definindo a sua programação para o próximo ano. Mas devido a incertezas nos preços das commodities, principalmente milho e soja, ele ainda não começou a pensar em 2015”, disse. “Isso acaba interferindo nas perspectivas do próximo ano. Talvez nos próximos dois meses a gente tenha uma queda nas entregas, porque o fertilizante que vai ser usado em janeiro e fevereiro já teria que estar sendo entregue em novembro e dezembro”, acrescentou. Além de atender o próprio Estado, as empresas paranaenses fornecem fertilizantes também para agricultores de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O crescimento do consumo de adubos e corretivos no Paraná segue uma tendência nacional observada na última década. De 2004 a 2014, houve um aumento médio anual de 3,5% nas entregas de fertilizantes no Brasil. Este ano, as entregas devem atingir a marca de 32 milhões de toneladas. Como o país não é autossuficiente na produção, a maior parte dos produtos comercializados pela indústria de fertilizantes é importada. Entre janeiro e setembro deste ano, 17,9 milhões de toneladas vieram de fora do país, contra 6,5 milhões produzidas em território nacional.
Cerca de 40% do volume importado pela indústria de fertilizantes brasileira entra no país através do Porto de Paranaguá. Em um passado recente, problemas na estrutura do terminal portuário chegaram a ser um entrave para o setor. Após diversas intervenções nos últimos três anos, as empresas já encontram melhores condições, segundo José Carlos de Godoi. “Temos uma sequência de melhorias, ano a ano. Isso é fruto de um diálogo entre os usuários do porto, que somos nós – que importamos por Paranaguá em média 9 milhões de toneladas de fertilizantes todo ano –, e a superintendência do porto”, ressalta o empresário.

De acordo com Godoi, o diálogo tem como objetivo aprimorar não apenas a estrutura e a operação dos terminais de fertilizantes no porto, mas também das empresas que recebem os produtos. “Devido a uma radiografia que o porto fez do complexo de fertilizantes de Paranaguá, foram verificados problemas também nas empresas que recebiam os produtos. A gente culpava o porto por toda a degola, mas as empresas também tinham deficiências no recebimento de mercadorias. Então se passou a olhar não só dentro do porto, como também fatores externos, todo o conjunto da cadeia”, explicou.

Durante o Simpósio Sindiadubos desta terça, o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino, apresentou um panorama das melhorias que vem sendo implantadas no terminal. Entre elas, a realização de dragagens no canal de entrada dos navios e nos berços de atracação, investimentos em informatização e integração de processos e o início das operações do terminal público de fertilizantes. Nos próximos meses, o porto vai iniciar as obras de reforma do cais comercial de fertilizantes, fazendo com que o terminal passe a ter três berços especializados para atender o setor. “Temos um compromisso, dado pelo governador, de bem atender nossos clientes. O que norteia todas as nossas ações no porto é a excelência no atendimento e não uma simples competição entre portos”, disse Dividino.

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