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Inverno pode aumentar casos de coronavírus, alerta infectologista

por Luiza Rampelotti
28/06/2020 20:33 (Última atualização: 2 semanas atrás)

No inverno, a baixa umidade provoca maior dispersão das partículas, vírus e agentes infecciosos, que podem ficar no ar por mais tempo

Apesar de o frio ainda não ter chegado ao litoral do Paraná, no domingo (21), começou o inverno, período responsável pelas temperaturas mais baixas do ano. Além da queda na temperatura, a nova estação provoca a redução da umidade do ar e a concentração de poluentes e alérgenos aumenta. Com isso, os cientistas estão preocupados porque os vírus semelhantes à gripe geralmente prosperam nos meses de inverno.

O início da temporada coincide, exatamente, com o momento em que o Brasil continua tendo recordes de casos e óbitos confirmados pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o que pode piorar ainda mais o quadro da saúde por aqui.

De acordo com um estudo realizado por epidemiologistas da Universidade de Sydney e da Escola de Saúde Pública da Universidade Fudan, em Xangai, foi encontrada uma ligação entre a transmissão do coronavírus e a temperatura diária no hemisfério sul. “Esse novo vírus provavelmente é uma doença sazonal que se repete em períodos de baixa umidade. Precisamos pensar que, se é inverno, pode ser a hora da Covid-19. A pandemia na China, Europa e América do Norte ocorreu durante os meses de inverno e, quando se trata de clima, descobrimos que a umidade mais baixa é o principal fator aqui, em vez de temperaturas mais baixas”, disse o professor Michale Ward, da Universidade de Sydney.  

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Infectologista afirma que existe um temor, no Brasil inteiro, com relação ao aumento no número de casos da Covid-19 devido ao inverno

A infectologista doutora Camila Lopes Ahrens, ex-funcionária e especialista do Centro Municipal de Diagnóstico de Paranaguá, explica que há um temor com relação ao aumento dos casos de coronavírus no Brasil. “Nesta época do ano, o ar seco predominante provoca maior sensibilidade nas mucosas nasais, e os ambientes costumam ser mantidos fechados, dois agravantes para o aparecimento desse tipo de doença. Por causa da mudança do clima e da proximidade das pessoas em ambientes fechados, há maior dispersão das partículas, dos vírus e de agentes infecciosos”, esclarece.

Diminuição no metabolismo

Ela comenta, ainda, que devido à diminuição da temperatura corporal em função da queda da temperatura externa, o metabolismo diminui em algumas áreas, entre elas, as vias aéreas. Além disso, essa diminuição no metabolismo dificulta que as células de defesa atuem localmente, provocando uma pré-disposição a infecções, conta a infectologista.

Quando a umidade é baixa, o ar fica mais seco e diminui os aerossóis. Logo, quando espirramos e tossimos, esses aerossóis infeciosos menores podem ficar suspensos no ar por mais tempo, o que aumenta a exposição para outras pessoas. Quando o ar está úmido e os aerossóis são maiores e mais pesados, eles caem, atingindo as superfícies mais rapidamente”, informa Camila Ahrens.

Por isso, é importante estar atento aos hábitos e se dedicar à prevenção, como explica o tutor Girlei Silva, do curso de Enfermagem, da Unopar Paranaguá. “A melhor maneira de combater doenças típicas do inverno é a prevenção. O tratamento, muitas vezes, pode ser simples, porém o contágio é rápido, então se prevenir é a melhor forma de enfrentar a estação com tranquilidade”, explica.

Saúde dos idosos

Segundo o IBGE, só no Brasil, existem quase 28 milhões de pessoas com mais de 60 anos, ou seja, cerca de 13% da população do país. Em Paranaguá, esse número é um pouco menor, aproximadamente 8,5% (12.551 pessoas) dos 153 mil habitantes da cidade têm acima de 60 anos.

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) destaca que, entre os principais riscos à saúde dos idosos estão a hipotermia, ausência de movimentação, infecções (gripes e pneumonias) e dores crônicas, como artrites e artroses. Girlei Silva comenta que é preciso adotar cuidados especiais com as pessoas que se enquadram nesta faixa etária, principalmente nesta época do ano.

Mais frágeis, eles têm a imunidade e reservas funcionais mais baixas, além de menor capacidade de regular a temperatura corporal. “A terceira idade faz parte do grupo de risco, portanto, é importante estar com a vacina da gripe e a antipneumocócica em dia para evitar doenças infecciosas”, pontua.

Dicas para fortalecer a imunidade

Lave as mãos: com a pandemia, já se discutiu amplamente a importância de higienizar as mãos. Com gripes e resfriados, é a mesma coisa. Mantenha as mãos limpas, inclusive após tossir ou espirrar, para que o vírus e/ou bactéria não continue presente.

Mantenha-se hidratado: o inverno, geralmente, é uma estação com baixa umidade do ar, o que gera o ressecamento das vias aéreas e provoca a doença. Então, além de beber água, outra dica é colocar toalhas úmidas no ambiente, para evitar o tal ressecamento.

Cuide da Alimentação: a alimentação saudável e a prática de atividades físicas, mesmo que em casa, ajudam a fortalecer o sistema imunológico. Uma conduta com vitaminas, principalmente a C, é bastante indicada. Alimentos como: limão, laranja, abacaxi, acerola, gengibre, couve e cenoura são os melhores para prevenção. Sopas, caldos e chás também podem auxiliar a manter o corpo na temperatura adequada.

Tome banho de sol: a exposição ao sol é importante para aumentar a imunidade. Em caso de deficiência de vitamina D, a reposição deve ser orientada por um nutricionista.

Com informações de Weber Shandwick – Luana Dallabrida