JB Litoral buscou saber qual região vende o melhor caranguejo

Liberação da caça tem previsão para começar dia 1º de dezembro e espécie litorânea é a mesma em todas as cidades

por Redação JB Litoral
06/11/2020 16:44 (Última atualização: 07/11/2020)

Litoral paranaense possui temporada para procriação e consumo regulamentado pelo IAT

Por Marinna Protasiewytch

Um prato tradicional e típico do litoral, a caranguejada, é motivo de reuniões de família e encontros proporcionados pelo prazer de consumir essa iguaria. Sempre disponível para a caça, venda e consumo entre os meses de dezembro e março, o crustáceo tem muitos fãs e adeptos.

Para termos um panorama completo do que é realmente esse animal que traz uma carne diferenciada, saudável e única, consultamos a professora Setuko Masunari, do Departamento de Zoologia da UFPR. Segundo a especialista, o caranguejo que pode ser encontrado no litoral paranaense é de apenas uma espécie, que são os caranguejos-uçá, cujo nome científico é Ucides cordatus.

Qual é o melhor?

Os caranguejos podem ser encontrados em praticamente toda a costa litorânea do Paraná. Advindos dos mangues, a espécie, apesar de única, gera preferência por região. Há quem diga que os de Guaraqueçaba são os melhores.

Para o pescador e caçador do crustáceo, Cláudio de Andrade Correa, o mais vendido é o guaraqueçabano, “o nosso caranguejo de Guaraqueçaba é o mais procurado, porque aqui tem mais conservação do mangue. Quem compra e come acha que o gosto é melhor, que eles são maiores”, explica.

Já Bárbara Helenisse Marinho, professora de Educação Física, é consumidora fiel do caranguejo de Paranaguá, mas conta que muita gente também comenta sobre o crustáceo de Antonina. “Todo ano minha família se reúne para comer, acho que como umas 15 vezes por temporada. Já ouvi falar que o de Antonina é melhor, mas nunca provei, minha família sempre compra o de Paranaguá, mas acho que a diferença está no tempero, no ritual de preparo, no jeito de comer”, conta.

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Caranguejada virou motivo de reunião familiar na casa da Bárbara Helenisse Marinho

Marcio Martins, supervisor de segurança privada, garante, o caranguejo antoninense é o melhor. “Com toda a certeza é o de Antonina, a gente compra, limpa e a minha mãe faz. E para comer, tem que ser com a mão, bem raiz, coisa de nativo, os kits com martelinho são para os menos experientes”, brinca.

Consumidor assíduo dos Ucides cordatus, Carlos Augusto Pakho Cornelsen, turismólogo, fala que não tem melhor que os caranguejos de Superagui. “Eu gosto muito de todos os frutos do mar, sempre comi desde pequeno e gosto muita da textura da carne do caranguejo. O gosto é muito agradável, embora ele saia do mangue, ele não tem gosto de mangue. E o da ilha acaba sendo mais saboroso, acredito que por estar em uma área mais limpa”, destaca.

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Tipos de tempero

Outra nuance, que pode mudar a opinião dos aficionados pela carne do crustáceo do litoral paranaense, é a forma de preparo e tempero. Marcio Martins é adepto dos ingredientes não tradicionais e com uma pitada de álcool. “Minha mãe prepara de diversas formas, inclusive com cerveja, e fica realmente um gosto muito bom”, conta.

Já Carlos Augusto Pakho prefere o detalhe de uma folha que pode fazer toda a diferença na experiência de consumo. “O sabor é muito sútil, apesar do cheiro ser forte e depende muito dos temperos que se usa. O segredo, para mim, é a cataia, uma folha que pode ser utilizada também na produção de cachaça, ela é colocada como uma folha de louro, apenas para dar gosto e deixa o caranguejo bem gostoso. Também fica bom quando se coloca cheiro verde, tomate e outros temperos”, explica.

Na ilha de Superagui, a pousada Sobre as Ondas é uma das referências nesse tipo de confecção do prato com caranguejo. “O mangue é muito mais limpo do que em outras regiões e nós temos um tamanho bem maior. Então, só de temperar com água e sal ele fica bom, mas minha esposa e cozinheira da pousada adiciona também a cataia e deixa ferver, a folha muda o gosto totalmente. E para acompanhar, feijão preto e vinagrete garantem um sabor diferenciado”, descreve Waldeir da Silva Teixeira, conhecido como Carioca de Superagui, responsável pela pousada.

Fomento do turismo

Por ser um prato típico da região, a caça e a venda de caranguejo trazem ao litoral paranaense muitos turistas que vêm em busca de um bom prato. Carlos Augusto Pakho Cornelsen conta que “o caranguejo atrai os turistas e quase todos os municípios do litoral têm festas do caranguejo. Em Pontal do Paraná, que é uma das mais famosas no Balneário Shangri-lá, tem uma quantidade imensa, e a de Paranaguá também é bem conhecida. Então, crustáceo retirado de uma maneira correta, acaba sendo um grande atrativo. Diferente de Belém do Pará, por exemplo, que tem criação, que tira o diferencial de ser um animal nativo”.

Preservação da espécie

Diferente do que acontece no nordeste brasileiro, o Paraná possui uma série de regras impostas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que hoje se transformou em Instituto Água e Terra (IAT). Por meio da portaria 180 de 2002, foi instituída a proteção das fêmeas e machos com carapaças de menos de 7 centímetros, ou seja, esses animais não podem ser caçados e consumidos em nenhuma época do ano.

A medida funciona como uma forma de perpetuar a espécie, que é consumida em todas as cidades litorâneas paranaenses. Mario Sergio Rasera, diretor-presidente do IAP, definiu que o transporte dos caranguejos só pode ser feito se os caçadores estiverem com licenças e registros junto ao IAT e ao IBAMA. Caso contrário, os produtores perdem o produto, que é confiscado pela fiscalização. Outra diferença, é que aqui no Paraná não é permitida a produção em cativeiro dos caranguejos-uçá. Segundo a normativa do IAP, eles devem viver livres e durante o período de 15 de março a 30 de novembro, quando acontece a fase de reprodução e crescimento, é proibida a caça para não prejudicar a procriação dos animais. Anualmente, cerca de três meses e meio são liberados para a captura do caranguejo e consumo dos machos com tamanho superior a 7 centímetros.

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