Lei do Mandante pode prejudicar a renda do Rio Branco

por Redação JB Litoral
14/10/2020 15:10 (Última atualização: 2 semanas atrás)

Rio Branco acredita que MP do Mandante pode prejudicar o clube financeiramente

Por Marinna Protasiewytch

Com o aval do presidente Jair Bolsonaro, em junho deste ano, a Medida Provisória (MP) 984/2020, conhecida como MP do Mandante, que muda as regras para a venda dos direitos de transmissão de partidas de futebol, entrou em vigor. A tramitação do texto foi rápida e em menos de dois meses a MP já estava valendo.

Mas, as vésperas do fim do período de vigência como Medida Provisória, a MP, que pode virar Lei, ainda não foi votada pelo plenário. Se isso ocorrer até quinta-feira (15), os clubes que tiverem o mando de campo terão 100% dos direitos televisivos e poderão negociar com a empresa que lhes convier ou realizar transmissões próprias, como tem ocorrido no caso do Athletico Paranaense.

Lei do Mandante pode prejudicar a renda do Rio Branco 2
Athletico, Coritiba, Paraná, Londrina e Operário são os clubes paranaenses mais engajados com a MP do Mandante (Foto: assessoria do Athletico Paranaense)

Porém, se o texto não passar por votação, a MP do Mandante perderá a validade e os jogos continuarão sendo regidos pelas regras da Lei Pelé, que estabelece que cada time tem os direitos de imagem de sua equipe, independente se está jogando em casa ou fora. Nesse caso, ficará permitida a transmissão nos moldes aplicados nos últimos anos, quando as emissoras realizavam uma negociação em conjunto com os clubes e fechavam uma espécie de pacote, comprando todos os direitos televisivos.

Rio Branco não apoia a iniciativa

Apesar de Athletico, Coritiba, Paraná, Operário e Londrina apoiarem a MP 984/2020, equipes, como o Rio Branco Sport Club, de Paranaguá, não acreditam em uma vantagem com a transferência de direitos para o mandante da partida. Em entrevista exclusiva ao JB Litoral, Diogo Borba, diretor administrativo do Rio Branco, falou que o clube não enxerga como algo positivo esse tipo de legislação. “O posicionamento do Rio Branco quanto à Lei do Mandante é de que os clubes menores serão prejudicados. Porque dificilmente as empresas vão se interessar em transmitir jogos isolados dos clubes considerados “pequenos”, destacou Diogo.

Opinião do capitão

Mesmo que indiretamente, os jogadores de futebol também acabam ganhando ou perdendo com a mudança na legislação. Capitão e volante do Rio Branco na última temporada, Paulo Henrique, conta que a medida pode ser positiva. “Eu acho que essa Lei veio para ajudar as equipes e a evoluir o futebol, para que não dependa somente de uma emissora. Acredito que não só para as equipes maiores, como as menores também, vai ser muito importante caso seja aprovada”, afirmou o capitão.

O que diz o movimento Futebol Mais Livre?

Segundo o coletivo de clubes, Futebol Mais Livre, que apoiam a causa da MP do Mandante, “os clubes de menor torcida na Lei anterior eram reféns do contrato que as emissoras fechavam com os grandes clubes e essas, depois, buscavam os menores, propondo a compra dos direitos deles, por valores inferiores. Com a MP um clube de menor torcida vai poder vender seus 19 jogos e, nessas partidas estão, claro, incluídos os confrontos com todos os outros clubes, de todos os tamanhos. Nenhum clube (independentemente do tamanho) depende de ninguém. Todos podem se sentir fortes e com um pacote de jogos muito atraente”.

Apesar da argumentação do movimento, o Rio Branco considera mais vantajosa a negociação de pacotes de jogos envolvendo os outros clubes, principalmente por se tratar de uma equipe que não possui partidas no Campeonato Brasileiro e tem na disputa do Campeonato Paranaense sua principal fonte de renda. “O ideal é a compra do campeonato por uma empresa de comunicação, tendo os clubes menores o direito a uma participação. Acreditamos que essa Lei do Mandante vai privilegiar os clubes maiores, que têm uma massa maior, uma venda muito maior. Então, o entendimento do Rio Branco é de que essa Lei, no momento, prejudicaria os clubes de menor expressão”, concluiu Diogo Borba, diretor administrativo do Leão da Estradinha. Procuradas pela reportagem do JB Litoral, tanto a Confederação Brasileira de Futebol, quanto a Federação Paranaense, informam que apenas cumprem o previsto por lei e o acordado com os clubes, sem juízo de valor do que é melhor ou pior.

Deixe um comentário