Litoral tem o pior índice de cobertura vacinal contra poliomielite do estado

por Redação JB Litoral
29/10/2020 15:10 (Última atualização: 29/10/2020)

Criança recebe as gotinhas da vacina contra a poliomielite (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Amanda Yargas

De acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), atualizados até esta quarta-feira (28), a 1ª Regional de Saúde do Litoral, responsável pelas sete cidades do litoral, é a que tem o pior índice de cobertura entre as crianças da faixa etária alvo da atual campanha de vacinação contra poliomielite.  Por aqui, apenas 30,36% dos meninos e meninas entre 1 a 4 anos recebeu as gotinhas. Para se ter uma ideia, foram 5.041 doses aplicadas quando a meta era chegar a 16.602 doses. 

A campanha está programada para encerrar nesta sexta-feira (30), mas o diretor da 1ª Regional de Saúde, José Carlos de Abreu, avaliou a situação como preocupante e disse que a instituição vai continuar promovendo, junto com as secretarias municipais a vacinação contra polio mesmo depois de encerrado o período oficial.

Segundo o diretor, apesar dos esforços conjuntos, a cobertura abaixo do esperado é algo que tem acontecido na regional há algum tempo. “A ausência da doença, o distanciamento do fato grave que são os efeitos da poliomielite sumiram das memórias das mães, então as pessoas acabam não valorizando, não reconhecendo a importância de levar seus filhos para uma imunização”, pondera.

Ele avalia que o medo do contágio pelo novo coronavírus pode ter contribuído para a baixa adesão à vacina, mas tranquiliza a população sobre a segurança de comparecer à unidade de saúde. “As equipes de saúde estão preparadas para evitar qualquer risco. Os responsáveis devem ligar para suas unidades e, se não puderem ir até a unidade naquele momento, converse com os agentes comunitários de saúde e marque um horário. Porque a vacina salva vidas e é muito importante que a gente vacine toda a população e, especialmente, as crianças aqui do litoral do Paraná”, ressalta.

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Abreu disse ainda que o trabalho de conscientização também passa pelo esclarecimento de dúvidas, caso os responsáveis tenham, com relação a riscos, eficácia e necessidade de vacinar as crianças.

Sintomas e meta de cobertura

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Zé Gotinha lembra da importância da vacinação (Foto: divulgação)

A meta de cobertura da vacina contra poliomielite é de 95% da população entre 1 a 4 anos. A chefe de Vigilância do Programa de Imunização da Secretaria de Estado da Saúde, Vera Rita da Maia, contou que a poliomielite é considerada extinta no Paraná desde 1986, mas que sem a vacinação ela pode voltar a aparecer. Segundo Vera, a cobertura ampla defende toda a população contra a doença. “Se nós atingirmos uma cobertura vacinal homogênea, nós temos além da prevenção daquele que foi vacinado, a prevenção também para aqueles que não podem receber a vacina, como as crianças imunodeprimidas por exemplo”.

A poliomielite é a doença conhecida como paralisia infantil causada por um vírus. Ela atinge geralmente o sistema nervoso na medula óssea e provoca paralisação de membros. Em casos graves, pode afetar os órgãos centrais do sistema nervoso e causar dificuldades para respirar e infecções graves, além de dores de cabeça. A doença pode ser transmitida pela água, por alimentos contaminados ou por contato com paciente infectado, mas pode ser completamente evitada pela ampla imunização.

Até esta quarta-feira (28), a vacinação contra a poliomielite recebeu cobertura de apenas 52,60% das crianças entre 1 e 4 anos no Paraná. Também estão abaixo de 40% a região que inclui Curitiba e Região Metropolitana, com 34,7%, e Londrina e região, com 36,74%. Três regionais ultrapassam os 80% de cobertura até o momento. O melhor índice é o da Regional de Irati, que já teve 81,88% das crianças de 1 a 4 anos vacinadas. Em segundo lugar está a regional de Francisco Beltrão, com 81% e logo em seguida, a de Jacarezinho com 80,52%.

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