Moradora denuncia desvio de doações enviadas para Potinga em Guaraqueçaba

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Eli do Potinga afirma que as doações não foram entregues à sua comunidade. Foto: Reprodução/Facebook

Após a campanha de arrecadação feita pelas prefeituras e moradores das cidades do litoral às famílias atingidas pelas fortes chuvas e enchentes do último sábado (05) e domingo (06), em Guaraqueçaba, as doações começaram a chegar no munícipio. Esta corrente de solidariedade ganhou toda a região, com o intuito de ajudar as dezenas de famílias, principalmente da zona rural, que perderam tudo durante este desastre natural.

A líder comunitária do Potinga, Elaine Laufer, conhecida como Eli do Potinga, agiu ativamente para buscar o arrecadamento de materiais para a população, entre eles de higiene e limpeza, roupas, alimentos não perecíveis e água potável. No entanto, nesta terça-feira (08), ela denunciou um suposto desvio dos donativos, por meio de um áudio que viralizou nos grupos de Whatsapp e postagem em seu perfil no Facebook.

De acordo com ela, por meio da mobilização via redes sociais, foram obtidos uma van e um ônibus com doações, inclusive até um carrinho de bebê. Ela conta que o ponto de coleta seria na Lanchonete do Alemão, na comunidade, porém, denuncia que a Secretária de Ação Social do município, Giselle Sarubbi, interceptou os materiais e proibiu que fossem entregues no Potinga, alegando que os moradores da região não tinham necessidade.

As doações que foram destinadas para a minha comunidade não chegaram. Ou melhor, chegaram, mas nós fomos impedidos de receber. Essas doações foram levadas pela Secretária de Ação Social, afirmando que Potinga não tinha necessidade”, afirma.

Doações para quem não foi afetado

Ela ainda disse ainda que presenciou pessoas pegando os materiais e levando para casas que não foram afetadas pela enchente e que, em Tagaçaba, pessoas que não foram atingidas também estavam recebendo. “Os políticos estão fazendo um trabalho de ação social, que não foi feito durante a gestão da Giselle, aproveitando a tragédia”, lamenta Elaine.

Ela afirma que os moradores de Potinga não receberam nada e que, para receber o carrinho de bebê, a mãe foi com sua criança no colo buscar, porém, não obteve a doação.

Quem nos ofereceu ajuda foi a Defesa Civil e a Secretária de Ação Social de Antonina, pois a de Guaraqueçaba não me atendeu”, diz.

Problemas antigos

Eli do Potinga também denuncia problemas antigos, mas que estão sendo tratados como atuais após a tragédia que aconteceu na cidade. Segundo ela, a falta de água na região existe há mais de dois anos e nunca foi solucionada pelos gestores municipais. Entretanto, após as enchentes, o rio o qual é utilizado para beber, está com a água barrenta e os moradores da comunidade não receberam doações de água.

Faz dois anos que tomamos água de rio, não é culpa da enchente. A Sanepar trouxe caminhão-pipa, mas temos o maior aquífero do Paraná, aqui é lugar para encher caminhão e não desaguar. A única coisa que precisava era a prefeitura ter feito a ligação dos canos, pois temos uma caixa da água de 20 mil litros que não está sendo utilizada”, declara.

Ela ainda informa que a ponte sobre o rio Capivari, em Tagaçaba de Cima, que foi muito visualizada após as enchentes, devido a estar com a cabeceira danificada, já estava comprometida há muito tempo. “Desde 2016 já existe dinheiro em caixa para arrumar a ponte. Agora querem usar a tragédia para comover o governo e prefeitos de outros municípios para fazerem o que os nossos gestores não fazem”, relata.

A líder comunitária diz que Guaraqueçaba se resume à sede, na zona urbana. “É uma cidade maquiada! O povo da estrada sempre esteve abandonado e está cada vez mais. Agora, depois da tragédia, estão jogando migalhas para a população das áreas rurais, e o restante dos donativos, doados por pessoas de outras cidades, que têm excelentes intenções e estão comovidas, estão usando como pré-campanha”, afirma.

O outro lado

O JB Litoral procurou a Secretaria de Ação Social, Giselle Sarubbi para dar sua versão sobre esta denúncia e, ela esclareceu que a pasta se responsabiliza pelo recebimento e triagem das doações, mas que cabe à Defesa Civil e Corpo de Bombeiros a distribuição dos donativos. Ela ainda afirma que os materiais não foram entregues à comunidade de Potinga devido à deliberação do Prefeito Hayssan Colombes Zahoui (MDB), o Ariad Júnior.

A secretária declara que está tomando as medidas cabíveis para que hajam as devidas averiguações no caso.

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A Secretária de Ação Social diz que seguiu ordens do prefeito.

A reportagem ouviu, ainda, o prefeito Ariad Junior, que informou que os materiais não pararam na comunidade porque o ponto central de arrecadação é em Tagaçaba de Baixo, pois é a região mais populosa e foi a mais afetada. “Então fica mais fácil a parte da logística e, de lá, saem quatro equipes que realizam a distribuição nas outras comunidades”, diz o prefeito.

Os veículos estavam vindo de Antonina e foram interceptados em Potinga, porém a primeira triagem deveria ser feita em Tagaçaba de Baixo, onde é o ponto base, para não perdermos o controle. Isto é de competência do poder público”, esclarece.

Questionado sobre doações sendo entregues a famílias que não foram atingidas, Ariad Junior, reforçou a informação repassada por Gisele Sarubbi, que a distribuição dos mantimentos é feita sob orientação da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.

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Prefeito diz que o levantamento da distribuição dos donativos foi realizada pela Defesa Civil.
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