Federação do Turismo pede extinção do Colit ao Governador Ratinho Júnior

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Fabio Aguayo, vice-presidente da Feturismo, assinou o ofício com o pedido de extinção do Colit. Foto – ABRABAR

Desde 2016 a extinção do Conselho de Desenvolvimento Territorial do Litoral Paranaense (Colit) vem sendo amplamente debatida no litoral, tanto por populares e empresários, quanto por políticos da região litorânea. Naquele ano, uma franca campanha popular foi disseminada nas redes sociais defendendo o fim do órgão, o que resultou em uma audiência pública, realizada na Câmara Municipal de Paranaguá, tendo como tema a solicitação de extinção da instituição, ao Governo do Paraná.

Na campanha eleitoral de 2018, quando o atual Governador Ratinho Júnior (PSD) foi candidato, entre suas propostas políticas para o litoral, ele prometeu acabar com a burocracia para facilitar investimentos. Para isto, garantiu o encerramento das atividades do referido conselho, que, segundo ele, atrapalha o desenvolvimento da região.

Com a intenção de acelerar este processo, na semana passada, a Federação das Empresas de Hospedagem, Gastronomia, Entretenimento e Similares do Estado do Paraná (Feturismo) enviou um ofício ao governador solicitando a extinção.

O documento foi assinado pelo Vice-presidente da Feturismo, Fabio Aguayo, e diz que, com o término do Conselho de Desenvolvimento, o litoral paranaense “passará por um verdadeiro crescimento, expansão e integração da comunidade litorânea”. O pedido, de acordo com a Federação, está “embalado pela nova visão do Governo”, sugerindo que Ratinho Júnior tenha grandes pretensões de realizar investimentos para o crescimento da região.

No mesmo ofício, Aguayo defende a construção da Faixa de Infraestrutura, em Pontal do Paraná, cuja licitação está travada na Justiça. O projeto nasceu no governo Beto Richa (PSDB) e visa fazer ligação entre a PR-412 e o Porto de Pontal, contando com rodovias, canal navegável, linhas de transmissão e outras intervenções. Com 20 km de extensão, as construções passariam por áreas preservadas da Mata Atlântica, ao custo estimado de R$ 270 milhões. O principal objetivo é facilitar a operação do porto privado, gerando empregos para a população e desenvolvimento econômico.

O litoral precisa de várias faixas de infraestrutura”, afirma o documento.

De acordo com a Assessoria de Comunicação Social de Ratinho Júnior, não existe novidade sobre o assunto. “O governador ainda não se pronunciou. A questão da extinção, no momento, está em stand by e não temos muitas informações”.

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Em 2016, Câmara de Paranaguá realizou audiência pública pela extinção

COLIT

Criado por decreto, em 1984, há quem defenda que o órgão ajuda na preservação ambiental, mas para outros, como o engenheiro elétrico Reilly Algodoal, tem sido um entrave ao desenvolvimento empresarial. Segundo ele, na data de sua criação, este Conselho pretendia assessorar a administração estadual no desenvolvimento do litoral, contudo, ele acredita que, nestes 35 anos, o colegiado pouco fez pela região.

Fiquei muito contente com a iniciativa da Feturismo, pois luto há muitos anos pela extinção do Colit. O maior benefício com o fim do órgão seria a economia de tempo, pois ele não tem feito outra coisa a não ser referendar tudo aquilo que já foi aprovado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), acrescido de um enorme prejuízo de tempo”, diz.

Segundo ele, já houve processos que ficaram parados no órgão durante seis anos para a aprovação, após a recomendação do IAP. “A partir do momento que o IAP aprova, dali para frente é perda de tempo com o Colit”, declara.

Reilly foi Vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) e Presidente da Coordenadoria Regional da FIEP.

Diferença entre a vida e a morte

Ele conta que tentou criar o Distrito Industrial de Paranaguá ao mesmo tempo em que Itajaí (SC) criava o seu primeiro, mas não obteve êxito devido ao Conselho. “Hoje Itajaí está no oitavo Distrito e o de Paranaguá não saiu nem do papel. Enquanto ficamos rediscutindo projetos, o Produto Interno Bruto (PIB) de Itajaí cresceu 1234%, enquanto o de Paranaguá apenas 277%”, explica.

Ele acredita que, com a extinção do Conselho, o desenvolvimento turístico, empresarial e econômico chegará ao litoral. “Com o fim, não vejo nenhum prejuízo para o meio ambiente, pois ele continuará sendo cuidado pelo IAP e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente”, afirma.  Ele também demonstra a importância da construção da Faixa de Infraestrutura, que ligará Praia de Leste a Pontal do Sul, em Pontal do Paraná. “Esta estrada é importantíssima para o desenvolvimento da nossa região. Ela talvez não seja importante para quem está passeando com a família, na temporada, mas é fundamental para quem agoniza dentro de uma ambulância, na esperança de chegar ao hospital, pois um minuto pode ser a diferença entre a vida e a morte”, diz.

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