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Mamãe de primeira viagem: primeiro Dia das Mães em quarentena

por Luiza Rampelotti
10/05/2020 12:36 (Última atualização: 10/05/2020)

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Monique com sua filha, de três meses. Com a pandemia, a mãe afirma que a rotina familiar está restrita ao ambiente domiciliar, sem receber visitas. Foto: Patrícia Silva

Para muitas mamães e para os filhos este Dia das Mães, no domingo (10), foi atípico devido à pandemia da Covid-19. Com a imposição do isolamento domiciliar, várias famílias não conseguiram estar reunidas na data, seja por morarem distante ou por respeitarem à quarentena, ficando longe dos idosos, que são o grupo de risco da doença.

Não houve almoço ou jantar no restaurante preferido da mãe e nem aquela saída de última hora para comprar o presente que ela merece, já que estão proibidas as aglomerações de pessoas. Em meio ao momento difícil e solitário, especialmente para os mais velhos, mães e filhos tentaram vencer a distância e amenizar a saudade com as chamadas de vídeo.

Porém, as mamães de primeira viagem também passaram o seu primeiro Dia das Mães de uma forma que nunca imaginaram. Nem elas, nem os pais das crianças, a família, os médicos e ninguém poderia prever que o mundo estaria tão bagunçado logo nos primeiros dias de vida de seus filhos.

As notícias de que uma pandemia, sem precedentes, havia se espalhado pelo mundo, com um novo vírus que não conta com nenhum tratamento ou vacina, chegava ao Brasil, de forma mais ameaçadora, no meio de março. A partir daí as medidas de isolamento social, com o objetivo de frear a disseminação do coronavírus, passaram a impactar a sociedade.

Riscos ao recém-nascido

A enfermeira Monique Marjore Michalski teve sua primeira filha no dia 03 de fevereiro, pouco antes do primeiro caso do vírus ser confirmado no Brasil. No entanto, apenas um mês depois, viu toda a sua rotina mudar. As visitas à recém-nascida precisaram ser evitadas, o contato com os familiares também. Com o isolamento, a rede de apoio, fundamental para as mães, especialmente no resguardo, ficou reduzida.

Este momento de pandemia me preocupa e me dá medo, pois penso no risco de expor a neném, tão pequenininha, às próprias pessoas que eu amo. Isso me priva, também, de estar ao lado da minha mãe, por exemplo, que mora em Curitiba”, diz Monique.

Apesar da preocupação comum durante o momento, ela garante que não sabe como pôde ficar tanto tempo sem ter um bebê em sua vida. “Estou muito feliz com minha filha, acredito que não tenha sentimento maior que o amor de mãe. Às vezes, fico olhando para ela e pensando em como Deus é perfeito em ter criado uma coisinha tão linda dessa. Estou amando ser mãe, mãe de primeira viagem, como dizem”, se derrete a mamãe. 

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Devido à quarentena, Monique não pôde passar o Dia das Mães com sua mãe, Maria, que reside em Curitiba. Foto: Arquivo pessoal/Monique Marjore

Saudade em tempos de quarentena

Monique comenta que, em tempos de isolamento social, a saudade das pessoas que fazem parte da rotina diária de cada um, como os amigos e a própria família, é um sentimento muito difícil de lidar. Porém, para ela, o mais importante é garantir a saúde de sua filha. “A preocupação para que ela fique bem é muito maior que a saudade. Com isso, não saímos para lugares públicos, restringimos as visitas em casa e nossa rotina agora é só dentro da nossa residência”, conta.

O momento fez com que diversos planos precisassem ser adiados, como passeios e visitas que foram planejados logo no início da gestação para serem feitos com a família completa reunida. “Só foram adiados, não cancelados, pois estão guardadinhos para que logo que tudo isto passar, a gente possa realizar, levando nossa bebê junto”, diz.

Diante da situação de isolamento, Monique afirma que a internet tem sido fundamental para aproximar os que estão distantes. “A gente mata um pouquinho da saudade por meio das redes sociais e chamadas de vídeo diárias. Especialmente com a minha mãe, precisamos viver o amor a distância, mas estamos pensando sempre na minha filha acima de tudo neste momento”. Segundo ela, sua filha é a principal motivação para continuar com esperança, acreditando em um mundo melhor e que esse período difícil será superado.

A enfermeira homenageia, também, sua mãe Maria Aparecida Michalski. O Dia das Mães precisou ser comemorado de longe, mas logo quando a pandemia passar, os beijos e abraços serão calorosos e terão um gosto diferente: o da saudade e felicidade por ver que todos estão bem. “Já que eu não pude vê-la, o jeito foi fazer uma chamada de vídeo para desejar um feliz dia das mães. Aguardo ansiosamente o momento que poderei te dar um abraço bem apertado e dizer o quanto te amo, mãe”, conclui.