Mandicuera garante a salvaguarda do Fandango de Paranaguá desde 2003

por Redação JB Litoral
30/07/2017 19:45 (Última atualização: 30/07/2017)

Mestre Aorelio e a missão de salvaguardar o Fandango. Foto/Ivan Ivanovick

Nascida com a finalidade de salvaguardar o Fandango de Paranaguá desde 2003, a Associação de Cultura Popular Mandicuera vem garantindo a manutenção da cultura caiçara, diante da necessidade de torná-la sempre viva, pulsante e com seu público sempre participante.

Assim define a missão da entidade o Mestre Aorelio Domingues que tem investido na fabricação das violas, adufos, rabecas, machetes e tamancos, além de tocar, dançar, ensinar e repassar o Fandango na sua sede localizada no Bairro do Sete de Setembro, na Ilha dos Valadares.

Nascido na Ilha dos Valadares, com avô vindo de Guaraqueçaba e avó, de origem dos índios Guaranis, os quais vieram fugidos do Paraguai, Aorelio é de uma geração de legítimos caiçaras, filho de caboclo com caboclo. Vale dizer que caboclo é fruto da mistura de português com índio.

Criado no meio do Fandango, ele passou a infância no Bairro do Canarinho, onde havia muitos bailes desta cultura e onde aprendeu fazer também a Folia do Divino. Como muitos meninos da época, que trabalhavam na bateira ou puxando materiais de construções, Aorelio optou pelo artesanato com seu avô, que já fazia rabeca para vender. Foi assim sua entrada no mundo de fazer instrumentos, tocar e estar com os mais velhos. Em 2003, após uma viagem por 16 estados brasileiros, apresentando o Fandango com o Mestre Eugênio, já falecido, na volta, baseado em alguns exemplos encontrados pelo caminho, nasceu a ideia de investir em uma associação e, assim, nasceu a Mandicuera, que é “o sumo extraído da mandioca no processo de produção da farinha”.

 

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Projeto Artesanias formando construtores de instrumentos musicais. Foto/Ivan Ivanovick

Projeto Artesanias

Com sede na Ilha dos Valadares, a Associação Mandicuera foi fundada em 2004, tendo como missão unir jovens e mestres, crianças e adultos valorizando modos de criar, fazer e viver destes grupos. Sem políticas sociais para o Fandango na cidade, nas últimas décadas, a Associação passou a desenvolver projetos voltados para a cultura caiçara, como o Projeto Fandango na Escola e o Rabecando, o qual promoveu oficinas de construção de instrumentos musicais caiçaras, como Rabeca, Viola, Caixa, Machete e Adufo. Com financiamento, na maioria das vezes, pelo Governo Federal e Estadual, foram muitas as oficinas realizadas em todo este período. Por meio da Lei de Incentivo/Mecenato subsidiado pela Prefeitura de Curitiba, foram confeccionados os primeiros instrumentos para a formação da Orquestra Rabecônica do Brasil.

Em 2010 o Ministério da Cultura reconhece o trabalho desenvolvido pela entidade, premiando-a pelo edital das culturas populares edição Dona Isabel, oportunizando a construção do Museu Capela do Divino Espírito Santo e da Santíssima Trindade. Em 2012 ganhou o prêmio Economia Viva pelo Projeto Fabriqueiros, o qual possibilitou a criação de uma marcenaria, compra de máquinas e ferramentas para a construção de instrumentos e artesanato. Agora, a Mandicuera está por encerrar o Projeto Artesanias, que passou no edital de culturas populares, dentro de um programa do Governo Federal, que já tinha sido discutido no primeiro ano do governo Lula. A proposta era a de fazer instrumentos para sanar a demanda. O projeto que trabalha com aprendizes existe há um ano e, cinco deles, estão no processo final e em condições de manter a salvaguarda na fabricação dos instrumentos.

 

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