Mega da Política: 408 nomes tentando uma das 19 cadeiras premiadas

por Redação JB Litoral
29/09/2020 15:36 (Última atualização: 4 semanas atrás)

Foi dada a largada para a campanha eleitoral de 2020. Desde domingo (27), já está permitida a propaganda eleitoral nas ruas e também na internet, rádio e televisão.

Além de uma eleição atípica, devido à pandemia do coronavírus, que fez com que a data da votação fosse alterada para o dia 15 de novembro, neste ano, outra situação inusitada ocorreu: o Brasil bateu o recorde de candidatos registrados. Em Paranaguá, o número não fugiu da regra: são 408 nomes tentando uma das 19 vagas na Câmara, e 10 buscando a oportunidade de se tornar prefeito.

Uma das explicações para a grande quantidade de candidaturas pode ser o fim das coligações para eleições proporcionais (vereador). Agora, os partidos têm que lançar muita gente para buscar ganhar o maior número de votos possível e tentar emplacar alguém no Poder Legislativo. Isso, provavelmente, gerou uma pulverização de candidaturas, e cada partido lançou muitos nomes porque, assim, há mais oportunidades de conseguir os votos para o quociente eleitoral.

Na verdade, o que parece, é que a política virou um jogo de loteria. Quanto mais tentativas, maior a chance de ganhar uma das 19 cadeiras premiadas, que garante uma remuneração bem acima da média da população comum: durante, pelo menos, quatro anos, o escolhido receberá R$ 9.750 todos os meses. Além, é claro, das demais possibilidades de auxílios e contratações parlamentares.

Mas, o jogo de azar complica muito a vida dos eleitores que, agora, terão que se desdobrar para filtrar e identificar um candidato bom no meio de 408. Então, o questionamento é: pensando em quem e no quê os tantos nomes se lançaram na política?

Certamente, não foi visando o bem da coletividade, já que, nesse caso, as muitas possibilidades podem acabar fazendo com que nem todos os nomes e suas propostas sejam conhecidos. Isso beneficia aqueles que já estão no poder, pois são populares entre o povo, e os candidatos com mais recursos financeiros para realizar uma campanha grandiosa e se fazerem vistos.

A alternativa para que não existissem tantos apostadores na loteria poderia ser abaixar o limite de candidatos que o partido pode lançar, já que a coligação foi extinta. Isso forçaria o partido a realizar um processo de seleção dos nomes, de triagem e debate interno antes do registro da candidatura, chegando, para nós, eleitores, somente aqueles que, de fato, fossem, ao menos, qualificados para exercer a função.

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