Mesmo com suposto esquema de corrupção, em 2006, empresa da família de Leite continua licitando em Paranaguá

por Redação JB Litoral
20/06/2019 15:36 (Última atualização: 04/08/2020)

Apesar de a empresa da família do Presidente da Câmara de Paranaguá, Waldir Turchetti da Costa Leite (PSC), em 2012, ter supostamente se envolvido num esquema de fraude em licitação na Prefeitura, que resultou na prisão do vereador e detenção de sócios e familiares, a KSW Construtora, cuja proprietária é Marilis Rocha da Silva, mulher do parlamentar, ainda tem participado de processos licitatórios com o executivo municipal.

Naquela época, Marilis também foi detida pelo mesmo motivo. Além dela, o irmão de Leite, Valdinei Turchetti da Costa Leite, a cunhada, Serly da Costa Leite, e outras seis pessoas foram presas. O suposto esquema teria rendido, pelo menos, R$ 500 mil. As prisões ocorreram por suspeita de fraude em licitação, falsidade ideológica e formação de quadrilha.

Neste ano, em fevereiro, a KSW foi habilitada, pela Comissão Permanente de Licitação da Prefeitura, a participar da Concorrência Pública nº 006/2018, com o objetivo de contratar especializada para executar serviços de reparos em rede de drenagem. Junto com ela, constaram do procedimento a Cleyton Ricardo Materiais para Construção e a Celpa Construção Civil, sendo esta última a vencedora. A Celpa apresentou a proposta de R$ 1.3 milhão, enquanto a de Marilis, R$ 1.5 milhão.

Sem receber dos cofres públicos municipais desde 2016, a KSW, até o momento, já faturou R$ 1.562.686,36 em serviços prestados de 2010, durante a gestão do Prefeito José Baka Filho (PDT), a 2016, na administração de Edison de Oliveira Kersten (MDB). Em 2019, a empresa foi em busca da contratação realizada pela prefeitura, que previa gasto máximo de até R$ 1.907.690,85, sem êxito.

Vale lembrar que, enquanto Baka foi o líder máximo do executivo, a referida construtora recebeu R$ 1.046.214,48 e, naquela época, José da Costa Leite Junior (PR), irmão do atual presidente da Câmara, foi vereador integrante da base aliada ao prefeito. Já durante a liderança de Kersten, o montante obtido foi de R$ 516.471,88, e, neste período, Waldir Leite era parlamentar, sendo parte da bancada de apoio.

Entenda o caso

A prisão dos envolvidos no suposto esquema de corrupção, em 2012, se deu devido à investigação do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), da Polícia Civil, que concluiu que Waldir Leite seria o principal beneficiário do acordo que, em 2006, teria fraudado sete licitações realizadas pela Prefeitura de Paranaguá. À época, o Delegado operacional, Fernando Zanoni, explicou que três empresas e uma ex-funcionária do executivo estavam envolvidas diretamente nas fraudes.

Segundo ele, a fraude nas licitações acontecia porque havia um acordo entre as três que participavam conjuntamente das mesmas concorrências. A vencedora sempre foi a Serly da Silva Ltda., cuja dona era a cunhada de Leite – o vereador seria o chefe do grupo de companhias relacionadas entre si.

Além disto, documentos obtidos pelo Nurce comprovariam que, quando a Serly foi aberta, o proprietário era o presidente da Casa de Leis. “Ao longo do tempo, ela mudou para o nome da mulher do vereador e depois ela doou 99% da empresa para a Serly”, disse. “A intenção era ocultar o verdadeiro dono: o ex-deputado”, disse o delegado.

As duas derrotadas, segundo a investigação, eram a Alessandro de Mello ME e a JA Barbosa Júnior e Almário Ltda., todas com ligação direta com a Serly. “O que percebemos é que elas entravam na licitação para perder”, afirmou Zanoni.

OUTRO LADO

JB Litoral questionou a Empresária Marilis Rocha da Silva acerca da legalidade de sua participação em licitações municipais, haja vista sua relação com o Vereador Leite Junior, em 2012, e com Waldir Leite, que atualmente exerce a função de fiscalizador do Poder Executivo no Legislativo. No entanto, até o fechamento desta reportagem, ela não se manifestou.

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