Mesmo em meio à pandemia, transplante de órgãos não para no Paraná

por Redação JB Litoral
06/10/2020 20:12 (Última atualização: 06/10/2020)

Por Gabriela Vizine

Mesmo em meio às restrições impostas pelo contágio do coronavírus, no Paraná, as doações de órgãos continuam acontecendo. Dados da Central Estadual de Transplantes do Estado (CET-PR) mostram que já foram realizados cerca de 474 transplantes com doadores falecidos. Desses, 308 foram de rins, 147 de fígado, 11 de coração e 04 de pâncreas. Em 2019, foram 496 no mesmo período.

A maior parte dos transplantes é feita com doadores falecidos, em pacientes que tiveram morte encefálica. A morte tem que ser verificada pela equipe médica e comprovada clinicamente a partir de exames laboratoriais.  Caso os familiares concordem com a doação, são convidados a assinar os documentos necessários. A vontade do doador declarada em vida precisa ser confirmada pela família.

No Litoral do Paraná, é o Hospital Regional do Litoral (HRL), em Paranaguá, que realiza o procedimento de intermédio entre a família do doador e a CET. Neste ano, foram contabilizadas 08 notificações de transplantes, porém, apenas 03 obtiveram sucesso e resultaram, efetivamente, em doação. De acordo com a assistente social, Daiane Cristine Stelmacki, o HRL é responsável pela captação dos órgãos e, também, pelos diálogos com as famílias enlutadas. Porém, é o CET-PR que organiza e estrutura as ofertas, pois Paranaguá não possui um Centro de Transplantes. Por esse motivo, os órgãos e pacientes são encaminhados a Curitiba. “A representante da CET vem até o hospital e leva os órgãos para a Central da capital. Eles são doados, em um primeiro momento, aos pacientes compatíveis do Estado”, explica.

Segundo Daiane, o diálogo com as famílias é feito com muito cuidado. Os profissionais explicam como são realizados os procedimentos, mas ressaltam que a escolha da doação é dos familiares. “É comum ter doadores no litoral, porém, nem sempre é possível realizar a doação por conta da compatibilidade. Mas temos uma aceitação bastante significativa por aqui. A maioria das famílias, que tem a possibilidade de escolher, acabam optando por ofertarem o órgão do familiar”, comenta.

A assistente explicou, também, que, assim como a Central Estadual, o hospital realiza os protocolos e exames necessários para o paciente que fará o transplante. “Tudo é feito com muita atenção e, se houver necessidade, o órgão é encaminhado para outra cidade de transporte aéreo”.

Doação salvou vida de enfermeiro

Há três anos, o enfermeiro João Antônio Starepravo, de Paranaguá, realizou um transplante de fígado em Curitiba. Em 2014, após um exame de tomografia, devido a uma dor na coluna, João descobriu uma cirrose hepática, provavelmente, segundo ele, causada por contato com material biológico no trabalho, sangue ou fluídos orgânicos potencialmente infectantes, por exemplo.

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Enfermeiro agradece doador pela oportunidade de estar ao lado da família.
(Foto: Arquivo pessoal)

Devido às complicações, em 2017, João entrou na fila do transplante. “No dia 17 de maio, fui chamado para uma oferta de órgão, mas nem cheguei ao hospital e a doação foi cancelada, pois o doador não era viável. Fiquei muito abalado”, conta.

Após um mês, ele recebeu mais três ofertas de órgãos. “A cada oferta o coração disparava”, relembra. Na quarta vez, o enfermeiro foi beneficiado por um novo fígado. A cirurgia durou 9 horas e ele precisou ficar sete dias internado. “A parte mais difícil do pós-transplante foi ficar longe da família, amigos e de casa, mas o que mais machucava era ficar longe da minha filha, que na época tinha apenas três anos”, comenta.

Para evitar contágios com outras doenças, depois de todo o procedimento, ele precisou ficar em isolamento. “Não podíamos receber visitas e, quando precisava sair, tinha que usar máscara. Foi um período delicado, de muito apoio da família, mas deu tudo certo, graças a Deus”, declara, aliviado.

Para ele, a doação trouxe esperança de uma nova vida. “Um único doador faz a diferença para muitas famílias. Nós não sabemos quem fez a doação, mas rezamos e agradecemos muito pela família, que num momento tão difícil tomou a decisão de salvar a vida de pessoas desconhecidas”, conclui.

Atualmente, ele está recuperado, entretanto, devido à pandemia, e sua imunidade baixa, precisou se afastar do trabalho.

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