Morre Dona Lídia e deixa como seu maior legado social o Projeto Vontade de Deus

por Redação JB Litoral
29/07/2020 19:25 (Última atualização: 31/07/2020)

Morre Dona Lídia e deixa como seu maior legado social o Projeto Vontade de Deus 2
A notícia surpreendeu e trouxe tristeza para todos da comunidade umbandista e outras pessoas ligadas ao projeto social

Neste momento de comemoração dos 372 anos de Paranaguá, a cidade está luto pelo falecimento da médium Lídia Antunes dos Santos (75), do Centro Espírita Filhos de Iemanjá (CEFI), localizado no bairro do Jardim Santa Rosa.

Hospitalizada em Curitiba desde a terça-feira (28) para realizar exames de rotina, dona Lídia, como era conhecida entre os espíritas, foi encaminhada às pressas para uma Unidade de Tratamento Intensiva UTI) e não resistiu a duas paradas cardíacas, falecendo a poucas horas.

Com mais de meia década de trabalho em favor das pessoas, a notícia surpreendeu e trouxe tristeza para todos da comunidade umbandista e outras pessoas ligadas ao Projeto Vontade de Deus – Associação Cristã de Estudos da Fraternidade Irmanada (ACEFI), nascido em fevereiro de 2002, diante dos problemas com dependentes químicos que a cidade enfrentava. Neste ano, Dona Lídia idealizou e fundou a ACEFI, com a finalidade de investir na recuperação de dependentes de drogas.

Bastante entristecido, o presidente da entidade Lederson Souza Capeta, em declaração ao JB Litoral, disse que “todos estão muito abalados neste momento, pois ela sempre foi uma guerreira, uma batalhadora e trabalhou até os seus últimos dias auxiliando os pacientes na comunidade terapêutica”.

O velório esta marcado para amanhã, quinta-feira (30), das 06:30h às 10:30h na capela do Cemitério Municipal Nossa Senhora do Carmo, ao lado da Praça da Paz. O sepultamento ocorrerá logo após o encerramento.

LEMBRANÇAS MARCADAS

Durante sua trajetória tanto no projeto Vontade de Deus quanto no Centro Espírita, dona Lídia teve a oportunidade de trabalhar com muitas pessoas ao seu lado, uma delas foi Denilson Pinheiro. Membro atuante na comunidade espírita, ele foi acolhido pela médium quando tinha apenas 14 anos de idade, hoje com 48, se despede emocionado de uma grande amiga. “Ela era um ser humano ímpar, me ensinou a amar e respeitar as pessoas. Sempre tinha uma mão amiga aos outras que a procuravam, uma conversa boa, uma palavra que acalmava. Dona Lídia me ensinou muita coisa, menos a viver sem ela”, contou o amigo.

O advogado Luiz Antônio Mattoso Ventura esteve ao lado da médium no projeto até o ano 2009. Lá, ele conta que viu a importância de ajudar o próximo e que a cidade perde uma das pessoas mais atuantes na causa dos dependentes químicos. “Paranaguá perde uma representante bastante significativa na recuperação destas pessoas. Ela foi pioneira neste tipo de trabalho e atendimento, depois da ACEFI muitas entidades vieram deram mais sustentação a este trabalho”, apontou o advogado

Mãe Lídia, dona Lídia, vovó Lídia, amiga Lídia, tia Lídia, a médium tinha inúmeras formas amáveis de ser chamada pelos amigos. Depois de muito lutar contra as doenças do corpo, ela partiu e, conforme a filosofia umbandista, segue sua missão para outras caminhadas em diferentes dimensões.

Com forte laços de amizade com o ex-prefeito de Paranaguá, José Baka Filho (PDT), também lamentou a sua morte. “Durante seu período entre nós, promoveu a caridade e o bem comum a todos seus semelhantes, amando a todos de forma incondicional. Nossa cidade sentirá a ausência dela, assim como de outros líderes espirituais que perdemos nesses tempos. Nossos sentimentos a todos os filhos e filhas, a família, aos amigos, aos seguidores e irmãos de fé”, disse Baka.

A ASSOCIAÇÃO

A ACEFI possui instalações para o tratamento destas pessoas com refeitório, alojamentos, anfiteatro e espaço com mais de sete mil metros quadrados, com árvores e animais, além de um responsável técnico, um psicólogo e programa terapêutico individual registrado no Conselho Regional de Psicologia.

Desde a fundação, em fevereiro de 2002, a ACEFI ampliou a atuação e está mais envolvida com a comunidade. Hoje, além do trabalho de recuperação de adolescentes, jovens e adultos envolvidos no vício de drogas e do álcool, leva também cursos e oportunidades aos moradores próximos da região onde se encontra a sede, em Paranaguá.

Atualmente, a casa possui capacidade para atender 60 pessoas diariamente com psicólogo, que faz a dinâmica e o trabalho junto aos meninos, individual e coletivo. São ministradas também palestras com os Narcóticos Anônimos (NA), palestras de estímulos e incentivos. Os internos recebem ainda aulas de inglês, violão e fazem curso de panificação para se profissionalizarem.

A associação oferece inclusão digital, por meio de um projeto feito em parceria com a empresa Petrobras. De acordo com o presidente da ACEFI, “há ainda a perspectiva de investir na construção de um prédio na sede para abrigar a secretaria de obras, junto com a secretaria da criança e juventude da associação. A ideia é investir num trabalho dinâmico, incluindo aulas de informática e música. É uma obra de expansão que vai além da questão de reabilitação e dependência química”, declarou.

CONTRIBUIÇÃO SOCIAL

O presidente se emociona ao falar dos índices de recuperação obtidos pela entidade nos últimos 11 anos, em que já foram atendidas cerca de 500 famílias com um percentual de 75% de pessoas recuperadas.

Para desenvolver este trabalho, a ACEFI conta com um grupo de 15 voluntários que vem até a sede todo o final de semana. Lederson disse que a ONG não recebe nenhuma ajuda da prefeitura, porém recebe recursos dos governos estadual e federal. “Os recursos que a gente aplicou na Vila Garcia foram da esfera federal e estadual, porque não recebemos nada do município”, afirma o presidente.

Para contribuir com as despesas, os internos fabricam e comercializam produtos de limpeza no laboratório que fica localizado na Vila Garcia, e que atende todas as exigências da legislação municipal e da Vigilância Sanitária.

De acordo com Lederson Souza, empresas de Paranaguá investem na compra desses produtos por dois motivos; o primeiro levando em conta a questão comercial de preço e qualidade; e o segundo, a social, uma vez que os recursos obtidos com as vendas são destinados ao trabalho de recuperação. 

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