Motoboys viram os ‘super-heróis’ dos comerciantes durante pandemia

por Maisy Pires
14/04/2020 19:05 (Última atualização: 14/04/2020)

Álcool em gel, máscaras e luvas viraram equipamentos de trabalho

Neste período de quarentena, uma das principais determinações foi a suspensão do atendimento presencial nos comércios para evitar aglomeração e assegurar o isolamento social. Desde então, o delivery se tornou um serviço fundamental. Elo entre a empresa e o cliente, os motoboys viraram protagonistas na garantia das necessidades básicas das pessoas. Tidos por muitos como verdadeiros “super-heróis”, eles são maioria nas ruas nas últimas semanas.

Há sete anos trabalhando com a entrega de produtos, Darlison Alan, garante que a demanda aumentou significativamente. “Neste período tivemos uma elevação de, aproximadamente, 50% no nosso faturamento. Com o aumento no número de entregas, precisamos estar ainda mais atentos, bem descansados e alimentados. Além disso, nossa principal ferramenta de trabalho, a moto, precisa estar com a revisão em dia para evitarmos maiores problemas”, afirma.

Além dos cuidados no trânsito, os motoboys redobraram a atenção com a higiene. Álcool em gel, máscaras e luvas viraram equipamentos de trabalho. O uso das máquinas de cartões e o pagamento on-line, para evitar o contato com o dinheiro e, até mesmo, com o cliente, também aumentaram. Mesmo desempenhando uma das principais funções neste período, Darlison ressalta que o reconhecimento ainda é pequeno. “São poucos que reconhecem nosso trabalho. Na verdade, ainda tem muitos clientes que não querem nem pagar entrega. Reconhecimento mesmo só de amigos e conhecidos”, completa.

Pressa vs segurança

O empresário Leandro Augusto Alves de Oliveira, sócio proprietário da lanchonete Social Pub, precisou se adaptar ao delivery e, hoje, conta com três motoboys. “Quando determinaram o fechamento dos comércios nós ficamos em pânico porque não tínhamos experiência com delivery, mas tivemos que aderir e conseguimos levar uma nova proposta para os nossos clientes, além de conquistarmos aqueles que não conheciam nosso trabalho”.

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Sem poder abrir as portas, empresário investe no delivery

Em meio à crise, Leandro gerou mais renda e empregos. “Devido ao aumento da demanda de lanches, contratamos mais uma pessoa para a cozinha e três motoboys. Felizmente não tivemos prejuízos e ainda conseguimos gerar mais empregos. Os motoboys são os principais responsáveis por tudo isso, mesmo com todos os perigos, eles fazem de tudo para que as entregas sejam realizadas o mais rápido possível. Infelizmente, muitos não entendem que há uma vida em cima da moto que precisa ser preservada”.