Na linha de frente, profissionais de saúde buscam controle emocional para enfrentar a Covid-19

por Maisy Pires
08/04/2020 18:50 (Última atualização: 08/04/2020)

Outros dois pacientes que estavam internados na instituição de saúde aguardam o laudo médico para a detecção da presença, ou não, do vírus.

A incansável luta dos profissionais de saúde contra o novo coronavírus pode levar médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem a sofrerem transtornos ligados ao estresse e à ansiedade. Acostumados a trabalhar na linha de frente e lutar pela cura e alívio das dores, a Covid-19 é um novo desafio para todos.

A chefe de enfermagem do Hospital Regional do Litoral (HRL), Thaissa Duque Figueira, trabalha na área há 10 anos, mas garante que não está sendo fácil. “É algo desconhecido e desafiador para todos. Além das atribuições do dia a dia, pois as outras doenças não param, temos mais esta pandemia. Ou seja, o trabalho triplicou porque precisamos lutar, principalmente, contra o tempo”.

Chefe de enfermagem do HRL, Thaissa, com 10 anos na área, garante que não está sendo fácil
Chefe de enfermagem do HRL, Thaissa, com 10 anos na área, garante que não está sendo fácil

A enfermeira conta que os dias são intermináveis, mas a calma é a sua principal aliada. “Claro que fico nervosa com tudo isso, mas preciso manter a calma para passar tranquilidade aos outros funcionários. Sempre reforço a importância de confiarem em fontes oficiais e autoridades sanitárias, pois informações desencontradas causam ainda mais transtornos. Além disso, sempre reforço o quanto somos importantes nesse período, pois o hospital foi feito para paciente que precisa de cuidados e quem faz o cuidado é a enfermagem, não existiria um hospital sem a enfermagem”, disse.

Hospital cria a ala “Covid”

Neste período, houve a necessidade de criar a “ala Covid”, onde os pacientes suspeitos e confirmados ficam em isolamento. “Criamos essa ala em tempo recorde. Quando vimos a necessidade, perguntamos aos técnicos e enfermeiros quem gostaria de trabalhar no setor, sabemos que alguns moram com pessoas do grupo de risco e, por isso, demos a opção”, contou a chefe.

A técnica de enfermagem, Eloina Buenos, estava em férias e, quando soube da situação, retornou ao trabalho. “Tenho duas filhas e fiquei na dúvida pelo fato de estar em contato direto com a doença, mesmo usando os equipamentos de proteção. A preocupação maior é a possibilidade de levar a doença para casa, mas eu também pensei que muitos precisam de nós, profissionais de saúde, e que se eu tomar os cuidados necessários o perigo será menor”.

Eloina fala ainda da importância do acompanhamento psicológico neste momento. “Ter esse acompanhamento é fundamental na nossa profissão, principalmente agora com o coronavírus porque é uma doença nova e causa medo em todos nós, principalmente nos pacientes porque eles precisam ficar em isolamento e esperar pela confirmação. Então, nós temos que manter o controle para passar tranquilidade a eles. Sempre digo que nós estamos aqui porque escolhemos, mas o paciente não”, disse a técnica.

Acompanhamento psicológico

O Hospital Regional do Litoral (HRL) está desenvolvendo um plano de ação para o atendimento e suporte psicológico aos colaboradores. Está em fase de implantação, mas os profissionais já podem contar com o atendimento dos psicólogos que já existem na equipe. “Vale ressaltar que o objetivo dessa ação é estender o atendimento para demandas específicas do momento em que vivemos, com ações pontuais”, disse a psicóloga Jadja Ruhoff.

Guaratuba oferece apoio às equipes da Saúde

A Prefeitura de Guaratuba, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, organizou os grupos de apoio psicológico para as equipes da Saúde que estão à frente dos trabalhos de prevenção e combate à pandemia Covid-19.

Na linha de frente, profissionais de saúde buscam controle emocional para enfrentar a Covid-19 2
Saúde, semanalmente, para os profissionais de todos os setores

A psicóloga da Secretaria da Saúde, Simone Muller, ressalta que as ações e estratégias para o conforto emocional dos profissionais de saúde, que estão na assistência direta ou indiretamente de toda a população, são fundamentais. “Neste momento são previsíveis sentimentos de ansiedade, medo, angústia, sobrecarga e estresse diante da crise”, destaca.

Os grupos são coordenados pelos psicólogos da Secretaria Municipal da Saúde, semanalmente, para os profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS’s), Vigilâncias, Farmácia, Hospital e Pronto Atendimento. Os profissionais podem participar em mais de um local, conforme sua necessidade ou disponibilidade. Na área rural, os grupos acontecerão por vídeo conferência.