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Após Centro de Compostagem do Litoral, agricultores comemoram melhora no solo e plantações férteis

Ultima Atualização: 19.09.2019 às 16:48:58
O Agricultor Nelson recomenda a utilização do adubo orgânico na plantação

Inaugurado em julho de 2017, o 1º Centro de Compostagem de Origem Vegetal do Litoral tem sido um forte aliado aos agricultores de Morretes, que utilizam o adubo orgânico produzido para realizar a plantação de frutas, verduras e legumes. Com filial no município, a empresa Nitrade Treze Irmãos tem o objetivo de, por meio da compostagem, auxiliar na recuperação da fertilidade de solos de propriedades de agricultura familiar.

A ideia surgiu após as fortes chuvas que provocaram deslizamentos de terra, ocorridos na região, em 2011. “Isto acabou com as lavouras, acabou com tudo e a terra ficou quase improdutiva”, explica o Gerente Jonathan Jorge Pereira de Souza. Entretanto, as licenças necessárias para a criação do Centro só foram obtidas anos depois. “Foram seis anos de luta para obtermos a licença. Todos os órgãos ambientais pertinentes, existentes no Litoral, nos licenciaram, como o IAP e COLIT”, diz. 

Segundo ele, os de origem vegetal e orgânica (milho, soja, trigo, grãos e etc.) provenientes de empresas portuárias, são utilizados na confecção do adubo orgânico, material mais econômico e ambientalmente correto para plantação.
 

O Gerente da Nitrade explica que a compostagem auxilia na recuperação da fertilidade de solos de propriedades de agricultura familiar
O Gerente da Nitrade explica que a compostagem auxilia na recuperação da fertilidade de solos de propriedades de agricultura familiar


Destinação final dos resíduos

A compostagem auxilia não só os pequenos, médios e grandes agricultores, mas também as empresas portuárias que têm a intenção de se adequar ambientalmente, com o destino correto dos rejeitos. Desta forma, a Nitrade emite um certificado ambiental de destinação final, assinado pelos técnicos responsáveis, item que as empresas são obrigadas a apresentar ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP). “O Centro de Compostagem se apresenta como a melhor opção para que as empresas, bem como os órgãos públicos envolvidos na geração destes resíduos, como a Portos do Paraná, possam fazer parcerias nos seus planos de gerenciamento”, explica Jonathan.

Atualmente, o empreendimento, que está a poucos quilômetros dos locais que produzem estes detritos, tem capacidade para receber até 2.400 toneladas. Porém, o local está passando por uma ampliação e, em breve, estará apto para armazenar até 7.200 toneladas. “Por estar perto das empresas, o custo é muito menor, se tornando a forma mais fácil economicamente, ambientalmente e socialmente, uma vez que o composto final atende produtores rurais dos municípios do litoral”, destaca o gerente.


Solo melhorado

Após as enchentes de 2011, o solo da região litorânea atingida pelo desastre se tornou, praticamente, infértil. Os locais que ainda aceitavam plantação eram de extrema dificuldade, produzindo alimentos pequenos e de forma muito lenta.

O Agricultor Nelson Polli, do Bairro Mundo Novo, em Morretes, conta que antes de utilizar o adubo orgânico, utilizava a chamada “cama de galinha” como fertilizante para o solo. “Mas a cama de galinha é muito cara e prejudica o meio ambiente, porque é feita com as fezes do animal. O adubo orgânico é 50% mais barato e, depois que comecei a usar, é notável a diferença. A planta fica bem verde, mais bonita, a produção é bem maior, os frutos são bem grandes”, explica.

Na chácara, Polli planta chuchu, maracujá, vagem, abobrinha e pepino e, além de utilizar para consumo familiar, ele também vende os alimentos à Central de Abastecimento do Paraná (CEASA), em Curitiba.


Compostagem

O processo de compostagem visa à aceleração da decomposição de material orgânico, desde que haja condições para o desenvolvimento microbiano. Os materiais utilizados para o composto são resíduos de origem vegetal agrícola, como soja, milho e grãos em geral, sem tratamento químico industrial.

Este tipo de material é isento de contaminantes e, quando se realiza a compostagem, é capaz de produzir condicionador de solo e/ou fertilizante orgânico de boa qualidade. Seu uso é recomendado para a recuperação de áreas degradadas, recuperação da fertilidade do solo e indicação de adubação para culturas em geral.

Com a instituição da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010, pela Lei Federal nº 12.305, as pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, que geram rejeitos sólidos por meio de suas atividades, estão incumbidas de darem a destinação final ambientalmente adequada a estes materiais. Isto inclui a reutilização, reciclagem, compostagem, recuperação e o aproveitamento energético, entre outros, de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, e a minimizar os impactos ambientais adversos.

Sendo assim, a compostagem tem sido utilizada como alternativa para a disposição ambientalmente correta de sedimentos oriundos de diferentes atividades agrícolas, agroindustriais e industriais, normalmente descartados em aterros sanitários.

Neste local o adubo orgânico é preparado com resíduos de origem vegetal e orgânica
Neste local o adubo orgânico é preparado com resíduos de origem vegetal e orgânica

 

Resíduos portuários

O Porto de Paranaguá e as empresas portuárias são os grandes geradores destes resíduos vegetais, devido à movimentação e exportação de grãos. O Terminal Logístico e Transporte Interalli foi o primeiro a abrir as portas à Nitrade e enviar o detrito ao Centro de Compostagem, beneficiando, assim, tanto o meio ambiente, quanto os pequenos e médios agricultores locais. Além dele, outras empresas como os Terminais Portuários e Logística Rocha, Adubos Sudoeste, Seara Alimentos e outras que estão fora da faixa primária da área portuária, também fazem a destinação.

Dentro da Portos do Paraná, apesar de a Nitrade ter protocolado pedido de cadastramento para prestação de serviços, e encaminhado a documentação necessária em abril, até o momento, os rejeitos de origem vegetal e orgânica ainda são destinados à J.M. Tratamento de Resíduos, um aterro sanitário.

Entretanto, aterro sanitário é o local para onde são destinados os sedimentos sólidos domésticos, comerciais, industriais, hospitalares, de construção e também os gerados no esgoto. Grande parte, deste lixo, é formada por materiais não recicláveis. Porém, os orgânicos e vegetais podem ser reaproveitados, por meio da compostagem, de forma a beneficiar a própria comunidade da região, como é o caso dos agricultores.


Porto diz não conhecer o Centro de Compostagem

Apesar do pedido de cadastramento, em abril, a Diretoria de Meio Ambiente da empresa  Portos do Paraná informou, ao JB Litoral, que desconhece a existência do Centro de Compostagem do Litoral. “A Portos do Paraná segue todos os preceitos da Política Nacional de Resíduos Sólidos e destina os resíduos de acordo com a legislação vigente, conforme a Lei 12.305/2010, encaminhando-os para locais devidamente licenciados, de acordo com a sua classificação”, esclarece, em nota.
 

Trabalhadores que atuam no Centro de Compostagem
Trabalhadores que atuam no Centro de Compostagem

Trabalhadores que atuam no Centro de Compostagem
Trabalhadores que atuam no Centro de Compostagem
Neste local o adubo orgânico é preparado com resíduos de origem vegetal e orgânica
Neste local o adubo orgânico é preparado com resíduos de origem vegetal e orgânica
O Gerente da Nitrade explica que a compostagem auxilia na recuperação da fertilidade de solos de propriedades de agricultura familiar
O Gerente da Nitrade explica que a compostagem auxilia na recuperação da fertilidade de solos de propriedades de agricultura familiar
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