Paranaguá

Litoral deve estar preparado para nova epidemia de dengue do tipo mais agressivo

Ultima Atualização: 28.11.2019 às 21:00:46
Foto/SECS MG

Até o momento, em todo o litoral do Paraná, já foram registrados 163 casos confirmados de dengue. É o que informa os últimos Boletins da Dengue produzidos pela Secretaria de Estado da Saúde (SESA), com data de agosto de 2018 até julho de 2020.

Destes, 35 ocorreram em Paranaguá e, no 2º semestre deste ano, foram registrados apenas duas ocorrências na região. De acordo com o Estado, nenhum dos casos registrados evoluiu para o quadro de dengue grave.

Diferente dos números repassados pela SESA, a Secretaria Municipal de Saúde de Paranaguá (SEMSA) informou que, no mesmo período, 40 casos de dengue foram registrados na cidade e, destes, mais que o dobro, ou seja, 29 foram do tipo mais grave da doença.

Segundo o Biólogo Pedro Cervo Calderaro, da 1ª Regional de Saúde do litoral, neste último verão, o tipo viral circulante da doença foi o 2, o mais agressivo, também conhecido como hemorrágico. “Como a população ainda não foi pré-exposta a este vírus, ela está suscetível a ele, e o resultado disto é o risco de uma nova epidemia, agora pela dengue tipo 2”, explica. 

Segundo o Biólogo da SESA, a população do litoral está suscetível a uma nova epidemia de dengue tipo 2

Na grande epidemia da doença, que ocorreu no verão de 2015/2016, em Paranaguá, quando foram confirmados 16.392 casos e 36 mortos, o vírus circulante foi o dengue tipo 1 e, boa parte da população, após a infecção, desenvolveu imunidade contra este tipo viral, mas se tornou vulnerável à outra forma da doença.

 “A princípio, todas as pessoas são suscetíveis à infecção pelo vírus da dengue, mas desenvolvem imunidade após a cura. No entanto, a doença apresenta quatro tipos virais e a imunidade após uma infecção é tipo-específica, ou seja, se a pessoa pegar dengue 1, fica imune contra o tipo 1, mas pode ser contaminada pelos outros três tipos”, explica o biólogo.

Segundo ele, desta forma, uma pessoa pode “pegar” quatro vezes a doença durante a vida. “Além disto, a reinfecção por outro tipo de vírus da dengue aumenta as chances do paciente desenvolver a forma grave da doença”, diz.
 

Prevenção
 

A melhor forma de prevenção contra a dengue, chikungunya e zika é combater o mosquito Aedes aegypti por meio da eliminação dos criadouros. “A população precisa se responsabilizar pela sua residência, cuidando do seu pátio, pelo menos, uma vez por semana”, recomenda Pedro. Os principais cuidados são: tratar e vedar bem as caixas d’água, eliminar pequenos recipientes que possam acumular água, manter a piscina sempre tratada ou coberta com lona, tampar os ralos pluviais com tela milimetrada, abrigar pneus em locais protegidos da chuva, manter as calhas limpas, entre outros cuidados.

Com a chegada do verão, as condições climáticas ficam muito favoráveis à proliferação do mosquito, pois o calor acelera o ciclo de vida do Aedes aegypti e as chuvas frequentes aumentam o número de criadouros. “Se a pessoa suspeitar que esteja com dengue, ela deve procurar imediatamente o atendimento médico e será realizada, pelos profissionais da saúde, a avaliação de risco do paciente e o tratamento adequado”, conclui.


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