Paranaguá

Saída de jurídico e economista faz Zeco deixar presidência dos Conferentes

Ultima Atualização: 03.08.2019 às 17:14:25
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Decisões radicais tomadas pela categoria em Assembleia Geral, realizada no início deste mês, fez o Presidente do Sindicato dos Conferentes de Carga e Descarga dos Portos do Paraná, José Maria Gonçalves, o Zeco, renunciar ao cargo, faltando seis meses para o encerramento do mandato de três anos.


Sem a segurança de uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com o Sindicato dos Operadores Portuários do Estado do Paraná (Sindop), desde 2017, para garantia da mão de obra na faixa portuária, Zeco recebeu uma proposta da classe patronal e levou para a apreciação dos associados na polêmica Assembleia.


Com uma posição de diretoria contrária ao recurso do Dissídio Coletivo, inclusive com orientação do setor jurídico e econômico do sindicato, uma vez que deixou de ser ferramenta útil na mesa de negociação entre capital e trabalho, sua posição como presidente foi voto vencido na Assembleia, com a categoria optando pelo Dissídio Coletivo. Mesmo com Zeco levando aos associados a posição da Federação dos Avulsos (Fenccovib), presidida pelo conferente Mário Teixeira, que também é contrário ao referido recurso.


O presidente argumentou que os sindicatos no país, desde 2007, perderam a força na mesa de negociação, quando o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do Ministro Gilmar Mendes, decretou o fim ultratividade. Isto fez com que a justiça deixasse de decidir por um lado, quando não ocorresse consenso entre trabalhadores e patrões.


Antes desta decisão, a ultratividade permitia que na discussão das regras da convenção, não havendo consenso entre as partes, enquanto não se assinasse outra convenção, as anteriores se mantinham. Naquela época, a Justiça definia, via sentença normativa, o que hoje não ocorre mais. Diante deste entendimento, o jurídico orientou no sentido de não investir na ação, razão pela qual Zeco não concordou com a decisão da assembleia, justamente por ser contra o dissídio. “Ele não tem possibilidade de prosperar”, argumentou.


Antoninho (1º à direita ) assumiu a presidência dos Conferentes. Foto/enviado via WhatsApp


Renúncia anunciada antecipadamente


Além desta pauta, os conferentes também aprovaram o pedido de demissão do Advogado José Maria Gonçalves Junior e do Economista Eduardo, que defenderam os interesses do Sindicato por 15 anos na área jurídica e 20 na econômica.


Estas posições contrárias, ao que a diretoria entendia como ser o melhor para os conferentes, reforçou uma decisão que Zeco já havia anunciado anteriormente, quando a Comissão de Negociação, que faz oposição à Diretoria, havia pedido a saída de ambos os profissionais e ele recusou, por não apresentarem nenhum fundamento que justificasse o pedido. Naquela ocasião avisou que, se isto ocorresse, não permaneceria no cargo. “Os dois sempre realizaram um bom trabalho atendendo aos interesses da categoria, não apenas em nossa diretoria bem como nas que nos antecederam”, defendeu.


Com a decisão da assembleia, os profissionais foram dispensados e Zeco decidiu renunciar de forma irrevogável, cabendo ao conferente Antonio Santos, que integra a diretoria, concluir o seu mandato, uma vez que existe a discussão de que o Vice-presidente, Carlos Antonio Tortato, não pode assumir, por vir de dois mandatos consecutivos.


 

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