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Verão é a época com mais acidentes envolvendo animais peçonhentos

Ultima Atualização: 27.12.2019 às 23:46:15
Biólogo conta que a maior incidência de acidentes, no litoral, é com jararacas e aranhas armadeiras

Com a chegada da temporada de verão, os animais peçonhentos, como serpentes, escorpiões e aranhas, tornam-se mais ativos, devido à época de procura por parceiros para reprodução, além do calor e umidade. Com isso, os casos de acidentes crescem consideravelmente no fim de ano, quando adultos e crianças estão em férias.

Os dados são comprovados pelo Ministério da Saúde, que informa que, nos últimos anos, foram registrados no Brasil cerca de 140 mil acidentes com os animais já mencionados, além de lagartas, abelhas, águas-vivas e outros em menor proporção.

Em Paranaguá e no litoral existem hospitais que realizam, gratuitamente, o pronto-atendimento para casos de intoxicação por estes animais, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “O grande problema é que os hospitais do litoral não possuem técnicos que consigam identificar o animal que causou o acidente. Isso gera ineficácia no tratamento, mesmo com o soro polivalente”, explica o biólogo Caio Fernandes. Para ele, o ideal, especialmente neste período de verão, é a realização de capacitação profissional com as equipes de saúde dos hospitais e centros de atendimento da região.

O diagnóstico é realizado com base na identificação do animal causador do acidente. Em alguns casos, há recomendação de exame complementar. O tratamento para o acidentado é sintomático e com soro antiveneno, de acordo com cada espécie e cada situação. Todos os atendimentos são oferecidos pelo SUS.

Caio conta que acontecem, em média, 20 mil acidentes ofídicos (com serpentes) notificados por ano e a ocorrência está, em geral, relacionada a fatores climáticos e ao aumento da atividade humana de lazer ou trabalho no campo. Já os acidentes com aracnídeos (aranhas e escorpiões) registram mais de 13 mil casos anualmente. “Estes acidentes ocorrem, pois os animais deixaram de viver na natureza para viver em contato com o ser humano, devido à procura por abrigo e alimento”, diz.


Cuidados no caso de acidentes


Ao sofrer uma intoxicação por qualquer tipo de animal peçonhento, a pessoa deve tomar alguns cuidados com relação aos primeiros-socorros e ao encaminhamento até o local de atendimento. “Em hipótese alguma, o acidentado pode ficar agitado ou nervoso, pois a agitação acelera o metabolismo, fazendo com que o veneno haja mais rapidamente na corrente sanguínea. Além disto, é lenda urbana a utilização de torniquete, pois, dependendo da espécie, o veneno é concentrado na região da picada, como o caso da serpente Jararaca. Outra crendice que não deve ser feita é a sucção no local do ferimento, pois causará o envenenamento de mais pessoas. Não fure, corte ou esprema o local da picada; não coloque folhas, pó de café, pomadas, fumo ou urina na picada, pois aumentará a infecção; não tome e nem aplique bebidas alcoólicas na picada”, explica Caio.

Segundo ele, a maior incidência de picadas, no litoral, é com as serpentes da família da Jararaca (Bothrops) e a aranha Armadeira (Phoneutria), que ocorre, geralmente, em contato com a natureza. “Caso a pessoa vá ficar mais próxima da natureza, por exemplo, realizando uma trilha, acampando, ou algo do tipo, a orientação é para que sejam utilizadas luvas e botas, porque as picadas ocorrem geralmente nas mãos, pernas e pés”, diz.

Vale destacar que o litoral do Paraná está inserido no bioma Mata Atlântica, o habitat natural de várias espécies de animais. “Ao visitar um ambiente selvagem, é necessária a consciência de que estamos entrando na casa dos animais, e, que, estes, apesar de causar acidentes com seres humanos, desempenham um papel importantíssimo na biodiversidade do mundo. Segundo a Lei nº 9.605/98, matar qualquer espécie silvestre é crime inafiançável, acarretando multa e, até mesmo, detenção”, explica o biólogo.


Como se prevenir

O risco de acidentes com animais peçonhentos pode ser reduzido tomando algumas medidas gerais e bem simples para prevenção:
 


  • vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros e rodapés;


  • usar calçados e luvas nas atividades rurais e de jardinagem;


  • utilizar telas, vedantes ou sacos de areia em portas, janelas e ralos;


  • examinar calçados, roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-las;


  • manter limpos os locais próximos das casas, jardins, quintais, paióis e celeiros;


  • afastar camas das paredes e evitar pendurar roupas fora de armários;


  • evitar plantas tipo trepadeiras e bananeiras junto às casas e manter a grama sempre cortada;


  • não acumular entulhos e materiais de construção;


  • limpar terrenos baldios, pelo menos na faixa de um a dois metros junto ao muro ou cercas;


  • limpar regularmente móveis, cortinas, quadros e cantos de parede.


O Ministério da Saúde informa que manter a higiene e limpeza é fundamental, uma vez que lixo e entulhos podem servir de abrigo para muitos destes animais, além de funcionarem como chamariz para alimentação.


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