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Vereador denuncia que Prefeitura distribui materiais vencidos às salas odontológicas

Ultima Atualização: 24.11.2019 às 18:12:38
Vereador denunciou situação nas redes sociais

Na última semana, o Vereador Jaime Ferreira dos Santos (PSD), o Jaime da Saúde, denunciou em suas redes sociais, a distribuição e o uso de materiais odontológicos com prazo de validade vencidos, ou próximos da data de vencimento, às Unidades Básicas de Saúde (UBS) que disponibilizam o serviço de odontologia. De acordo com ele, profissionais o alertaram sobre a situação, e, desta forma, ele pôde constatar o fato nos locais.

O vereador esteve nas UBS na quarta-feira (06) e, no dia seguinte (07), além de o Prefeito Marcelo Elias Roque (Podemos) ter realizado a nomeação da dentista Nathalia Gomes Feriato para o Cargo em Comissão de Coordenador de Odontologia, a Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA) retirou os materiais vencidos das unidades. “Todos os locais com serviço odontológico, como o Leblon, Baduca, Vila Garcia, Ilha do Mel, Porto Seguro, Jardim Iguaçu, Bangu, Escola Sully e Eva Cavani receberam produtos com datas próximas ao vencimento ou estavam utilizando produtos vencidos. Quando a informação de que fui fiscalizar os locais vazou, no dia seguinte o Prefeito realizou a nomeação de alguém para cuidar da área porque, até então, quem realizava este trabalho eram as duas irmãs dele”, diz. Segundo o Portal da Transparência, Etelvina Roque Mendes e Maira do Rocio Cordeiro das Dores Roque são Auxiliares Administrativas, lotadas na Divisão de Odontologia na SEMSA. Etelvina foi admitida em março de 1999, no penúltimo ano do primeiro mandato do seu pai, o Prefeito Mário Manoel das Dores Roque (MDB), enquanto Maira foi admitida em maio de 2004, último ano da segunda gestão de seu pai.

Segundo Jaime da Saúde, durante a averiguação realizada no dia 06, foi constatado grande desperdício de material caro e importante para a saúde bucal do povo. “Serão milhões jogados no lixo por incompetência da Administração Municipal. E, recentemente, já haviam sido nomeadas pessoas para cuidar desta questão, fiscalizando os materiais, porque já foram perdidos muitos produtos”, explica. Ele afirma que os profissionais estão se recusando a utilizar estes produtos, pois “colocam em risco a saúde do povo”.

Centenas de materiais serão jogados fora, devido o vencimento no prazo de validade

Sem consultas nas unidades

Ele informa que são dezenas de anestésicos, agulhas, obturadores provisórios, ácidos peracéticos e anestésicos tópicos que precisarão ser jogados no lixo, pois não podem ser utilizados após o vencimento.  Uma Auxiliar Odontológica, que prefere não se identificar temendo represálias, conta que perto do vencimento dos produtos, a Prefeitura encaminhou caixas de materiais aos Centros Odontológicos. “Acho que eles perceberam que vários materiais, mas, principalmente, os anestésicos, iriam vencer todos no dia 07, e mandaram de volta para os postos. Só que o que a gente vai fazer?”, questiona.

O vereador conta, ainda, que após o recolhimento dos materiais pela Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA), não estão acontecendo agendamentos para consultas odontológicas em todas as UBS. “Só estão fazendo limpezas e coisas simples, e se tiver uma emergência? Isto quer dizer que por desorganização as pessoas estão ficando desassistidas”, diz.

Irmãs do prefeito estão lotadas na Divisão de Odontologia

O que diz a SEMSA
 

O JB Litoral procurou a SEMSA questionando a respeito da denúncia realizada pelo vereador. Segundo a Secretaria, “não estavam sendo ministrados medicamentos ou entregues materiais vencidos nas salas odontológicas. A SEMSA esclarece que trabalha para prestar o melhor serviço para a população de Paranaguá, sem demagogia, sem fake news, sem inventar histórias mentirosas”.

Ela informa, ainda, que assim que teve informação de que os anestésicos utilizados pelos dentistas venceriam no dia 07 de novembro, a equipe do Departamento de Odontologia providenciou a retirada das unidades básicas no dia 06. “Este é um procedimento de praxe e não há nada de excepcional. O recolhimento já foi concluído e houve a substituição por produtos que poderão ser utilizados tranquilamente. Os servidores, como dentistas e auxiliares de consultório odontológico, também são bem atentos à questão, já que em qualquer falha, poderiam responder em seus conselhos por tais atos. Foi determinada abertura de sindicância para apurar a situação e punir os responsáveis. Mas é importante afirmar que não houve nenhuma situação em que o paciente ficasse exposto ou a qualidade do atendimento por parte dos profissionais fosse prejudicada”, conclui.

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