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Vigias Portuários e Consertadores se fundem em um só sindicato em Paranaguá

Ultima Atualização: 07.11.2019 às 13:23:36
Fotos/Portos do Paraná

Das seis atividades de trabalhadores portuários avulsos (tpas), criadas com a Lei Federal 8630/93, substituída recentemente pela 12.815/2013, conhecidas como Lei dos Portos, a partir deste mês deixa de contar com as fainas (tipo de serviço) dos trabalhadores do Sindicato dos Consertadores de Carga e Descarga dos Portos do Paraná, na operação portuária, que passarão a ser requisitados nas fainas do Sindicato dos Vigias Portuários de Paranaguá.

Na sexta-feira (01), o Sindicato dos Operadores Portuários do Estado do Paraná (SINDOP) realizou assembleia com o objetivo de consolidar a fusão.
Segundo o Presidente do SINDOP, Edson Cezar Aguiar, os Vigias absorverão os Consertadores. “Continua existindo os dois sindicatos, mas os trabalhadores consertadores estarão dentro da faina dos vigias. A requisição será apenas a do vigia e o consertador fica como faina facultativa”, explica.
 

Edson do SINDOP: “Consertador fica como faina facultativa”


Atualmente, os Vigias Portuários contam com 62 homens e, com a vinda dos Consertadores, cerca de 30 tpas, o sindicato passa a ter um quantitativo de 92 trabalhadores. O Presidente da categoria, Marcos Ventura, afirma que existem duas linhas de trabalho: o serviço atracado, que é realizado em navios encostados no porto, e o ao largo, naqueles fundeados na baía de acesso ao porto. O Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) requisita um vigia para cada navio, quando necessário. “A incorporação era um desejo do SINDOP há anos e, há três meses, enviamos esta proposta para eles, que concordaram e começamos as negociações. Já estamos conversando com nossos associados, temos valores, e, tenho certeza, que não haverá problemas, tanto na parte laboral, quanto patronal”, diz Marcos.

O Ex-presidente do Sindicato dos Consertadores, Jesiel Fonseca de Souza, afirma que o trabalhador está praticamente sem faina, por isto a necessidade da integração. “A fusão atenderá as demandas do Sindicato dos Vigias, bem como a demanda laboral dos Consertadores, que estão, praticamente, sem faina, visto que a modernização basicamente extinguiu a mão de obra do trabalhador. A absorção é um ganho social e também sindical. Ainda existe a figura do consertador, mas, no momento, ela dará um tempo”, comenta.

Ex-presidente dos Consertadores Jesiel e Marcos dos Vigias, satisfeitos com a junção. Foto/JB Litoral


Categoria em extinção
 

Desde 2001 já se falava que os consertadores são uma categoria em extinção, devido à modernização no sistema de operação das cargas e sua unitização em contêineres, praticamente pondo fim à necessidade de reparos. O Manual do Trabalho Portuário e Ementário, produzido em 2001 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, afirma que a extinção se dá, também, pela crescente necessidade de produtividade, gerando estadias portuárias cada vez menores para os navios, inviabilizando o conserto da carga.

A Lei determina que os consertadores efetuam o conserto de carga, reparo e restauração das embalagens de mercadorias, nas operações de carregamento e descarga de embarcações, reembalagem, marcação, remarcação, carimbagem, etiquetagem, abertura de volumes para vistoria e posterior recomposição.

Os vigias portuários, por sua vez, fazem a vigilância dos navios, fiscalizando a entrada e saída de pessoas a bordo, atracados ou fundeados, bem como realizam a fiscalização da movimentação de mercadorias nos portalós, rampas, porões, conveses, plataformas e em outros locais da embarcação, na área do porto organizado.


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