O “antes tarde do que nunca” não cabe

por Gilberto Fernandes
01/06/2020 10:45 (Última atualização: 30/06/2020)

Gestões públicas, desprovidas de competência e, em muitos casos, seriedade, adotaram jargões e criaram ditados, para justificar a entrega de obras em seus mandatos e que, são aceitas, apenas por aqueles que integram ou se beneficiam ao longo dos quatro anos. 

Dois deles se tornaram icônicos, no caso do jargão, foi o nascido na capital paulista na gestão de Paulo Maluf: o “rouba, mas faz”. Da mesma forma, a máxima popular do “antes tarde do que nunca” ganhou o país há décadas.  

Na semana passada, a cidade recebeu a restauração da Estação Ferroviária, obra prevista para um período de 240 dias e que demorou 1.095 dias. Ou seja, quase três vezes e meia do prazo.

Mas saiu, mesmo tarde. Porém, independente da beleza da obra e do compromisso com o gasto público cumprido, a prefeitura deixou de informar o que foi feito com mais de R$ 1.1 milhão pagos para a empresa que executou próximo de 60%, em quase um ano de trabalho, e a diferença da contrapartida dada pelo município.

Em 2018, a prefeitura anunciou que foi de R$ 832 mil e, na inauguração na sexta-feira, o valor caiu para R$ 432. Qual é o certo? Entende-se todos os problemas gerados com o abandono da Pires Giovanetti Guardia Engenharia e Arquitetura, mas por que o cancelamento do contrato foi feito em junho, quando poderia ter ocorrido no final de abril de 2018? Foram meses no limbo.

CONTINUA DEPOIS DO ANÚNCIO

Entretanto, entregue em pleno período de pandemia do coronavírus, o espaço ficará ocioso e a prefeitura, via Secretaria de Cultura e Turismo, terá como se organizar o que fazer dela, para que, liberada sua visitação, tudo esteja devidamente pronto, exploração comercial, mobiliários, logística de atendimento e pessoal e, até mesmo, projetos turísticos voltados à Estação.

Não será concebível, pensar em tudo isso, somente depois de liberado o acesso aos parnanguaras e turistas. Estaremos atentos.