“O Erasto é uma bênção em Paranaguá”, diz Maura, diagnosticada com câncer de mama

por Maisy Pires
06/10/2020 00:02 (Última atualização: 06/10/2020)

Maura foi diagnosticada com câncer após sentir “algo estranho” durante o banho. (Foto: Gabriela Vizine / JB Litoral)

Neste ano, o Outubro Rosa é ainda mais especial para o município de Paranaguá, pois o mês de conscientização sobre o câncer de mama será comemorado, pela primeira vez, com a Unidade Avançada do Erasto Gaertner, “Marcos Vinícius dos Santos Costa”, referência no atendimento a pacientes com câncer.

Em matéria publicada no portal do JB Litoral, no dia 02 de janeiro deste ano, o prefeito Marcelo Roque (PODEMOS), informou que foi investido R$ 500 mil na reforma do prédio e mais R$ 1 milhão na aquisição de equipamentos, segundo ele, 100% do valor foi retirado do cofre público municipal.

O prédio foi inaugurado no dia 27 de janeiro, mas, desde dezembro de 2019, moradores de Paranaguá, que precisavam viajar até Curitiba para fazer o tratamento, passaram pela triagem com as equipes responsáveis pelo Erasto para serem transferidas à unidade de Paranaguá.

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Unidade Avançada Marcos Vinícius dos Santos Costa. (Foto: Maisy Pires/JB Litoral)

Desde a sua inauguração, mais de 1.500 pacientes já foram atendidos, gerando, aproximadamente, 800 procedimentos por mês. Entre os serviços prestados estão as consultas com cancerologista, oncologista clínico, enfermeiro, farmacêutico e Nutricionista. Também são realizados exames de sangue, preventivos ginecológicos, biópsias, curativos, além da infusão de quimioterapia e dispensação de quimioterápicos orais, hormônios e medicamentos para dor.

Segundo o coordenador da Sala de Situação da Secretaria Municipal de Saúde, Gianfrank Tambosetti, o município é responsável pelo custeio mensal da unidade. “Além de providenciar toda a estrutura física e os equipamentos, a prefeitura cobre todos os custos mensais do Erasto para atender os parnanguaras. Entre os salários dos médicos, funcionários, equipe técnica, equipamentos, insumos, é investido em torno de R$ 200 mil por mês”, explicou o coordenador.

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Gianfrank é servidor público há 20 anos. (Foto: Maisy Pires/JB Litoral)

Ele conta que a Unidade está na fase inicial, mas, dependendo da demanda, haverá uma ampliação do número de serviços. “Esse ano ainda estamos na fase inicial, fazendo o acolhimento e a triagem de todos os casos, o que chamamos de busca ativa. Mas, na medida que ampliarmos essa quantidade de pacientes, com certeza teremos uma ampliação do número e da qualidade dos serviços, na medida em que a demanda imprimir a necessidade”, disse.

Há 20 anos na área de saúde no município, Gianfrank ressalta a importância do Erasto para a população. “Acompanhei de perto a demanda dos pacientes oncológicos durante todo esse período, sei o quanto é difícil a pessoa ter que ir todos os dias para resguardar a sua vida, passar 12h em Curitiba, voltar, ter pouquíssimo contato com a sua família e, no outro dia, ter que ir novamente. Então, a Unidade do Erasto é um marco dessa administração, e da saúde pública de Paranaguá, pois possibilita o suporte familiar, que é fundamental em qualquer doença, e qualidade de vida para esses pacientes”, completou.

Diagnóstico precoce

O cirurgião oncologista do Hospital Erasto Gaertner, Dr. Romilton Leal, que atende em Paranaguá desde o início, ressalta o verdadeiro significado do Outubro Rosa. “Fazer o diagnóstico precoce do câncer é fundamental para o tratamento, pois a cirurgia é mais tranquila, muitas vezes, as sessões de quimioterapia não são necessárias, conseguimos tratar melhor e com mínima sequela. Então, este mês é para fazer com que a mulher pense mais em si e faça todos os exames necessários”, orientou.

Dr. Romilton garante que o atendimento que é feito na unidade de Paranaguá é o mesmo do Erasto de Curitiba. “Claro que ainda temos algumas limitações, em relação aos equipamentos para a realização de alguns exames, mas o atendimento é exatamente o mesmo, nós fazemos a triagem, solicitamos os exames e, caso a doença seja confirmada, o paciente faz o acompanhamento aqui”.

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“Fazer o tratamento em casa não tem preço”. (Foto: Maisy Pires/JB Litoral)

Em relação ao câncer de mama, o mais comum entre as mulheres, o oncologista ressalta que é feito todo o trabalho psicológico, após o diagnóstico. “Sabemos o quanto é difícil para a mulher receber a notícia, pois além da própria doença não ser fácil, existe toda a parte feminina. Então, nós tentamos trabalhar toda a parte psicológica e fazer a retirada total da mama apenas em situações mais radicais, ou seja, tumores mais avançados. Por isso reforço a importância do diagnóstico precoce”, salientou.

O médico diz ainda que ver os pacientes fazendo a quimioterapia em casa não tem preço. “Já acompanhei muitos pacientes parnanguaras no Erasto de Curitiba, saber que agora eles podem fazer a quimioterapia e o acompanhamento em casa: não tem preço. Ficar mais próximo da família, de casa, sentir-se mais acolhido é extremamente importante”, completou.

“Ninguém merece ficar pegando van”

A aposentada Maura Regina Passos Teixeira, 60 anos, foi diagnosticada com câncer após sentir “algo estranho” durante o banho. “Em junho de 2019, eu estava no Pará e, na hora do banho, senti algo estranho no seio. Mas, como estava em outro estado, resolvi que iria procurar um médico quando voltasse para Paranaguá. Porém, tive um problema de doença com meu irmão, que faleceu, e esqueci de mim”, contou.

Em dezembro, Maura resolveu ir ao médico. “Fui ao médico e, depois de alguns exames, falaram que tinha a suspeita de câncer, já me encaminharam para Curitiba. Mas, antes de ir para a capital, fui na mastologista e fiz uma biopsia. No dia 20 de dezembro recebi o resultado, positivo, meu presente de natal”, disse, rindo.

Depois de duas quimioterapias vermelhas em Curitiba, a aposentada começou o tratamento em Paranaguá. “Das quatro quimios vermelhas, apenas duas precisei fazer em Curitiba, depois todo o meu tratamento foi feito aqui. As últimas vermelhas e as 12 quimios brancas. Terminei o tratamento no dia 10 de setembro, apenas perdi o cabelo, tive pouquíssima reação, foi bem tranquilo. Agora vou fazer a cirurgia e, depois da recuperação, terei que fazer a radioterapia, que, infelizmente, ainda não tem aqui”.

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Maura e a equipe da Unidade do Erasto em Paranaguá. (Foto: Arquivo pessoal)

Maura conta ainda que o acompanhamento foi uma experiência única. “Todas as funcionárias são incríveis, as secretárias são extremamente educadas, competentes; as enfermeiras são de um profissionalismo […] sempre tinham uma palavra de carinho, não sei nem o que falar. Tudo é motivo de comemoração e isso é muito importante para a autoestima, há todo um cuidado com o paciente”, ressaltou.

“Tudo isso é uma benção porque ninguém merece estar pegando van ou micro-ônibus às 4h da manhã no inverno, no calor. Ir para Curitiba, onde a sua consulta é às 8h, e ter que esperar até o último paciente que foi na van ser consultado para ir embora. Você pode conversar comigo ou com qualquer outra pessoa que todos dirão a mesma coisa: essa Unidade do Erasto caiu do céu. Eu digo porque sou prova disso”, completou.

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