Outubro fecha com mais de 600 animais marinhos encalhados no litoral do PR

por Redação JB Litoral
30/10/2020 17:35 (Última atualização: 04/11/2020)

Uma tartaruga encalhada sendo resgatada na praia

O período de fortes ventos que castigam a costa do litoral do Paraná, entre os meses de setembro e outubro, todos os anos, causam muitos encalhes de fauna marinha. São golfinhos, lobos marinhos, e tartarugas marinhas que acabam sendo resgatados e, muitas vezes, salvos pelas instituições de proteção e monitoração destes animais.

Além do vento, acredita-se que, possivelmente, atividades realizadas pelos humanos no mar também se intensificaram nas últimas semanas.

De acordo com a bióloga Camila Domit, coordenadora do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR, houve um grande aumento no número de encalhes de fauna nestes dois últimos meses e, até o final de outubro mais de 600 registros foram contabilizados na região.

Entre estes animais, ela destaca os registros de sete tartarugas-de-couro (Dermochelys coriacea), espécie ameaçada de extinção, para a qual os registros foram de animais fêmeas sub-adultas e adultas, ou seja, em fase essencial para a manutenção da espécie.

“Esta mortalidade é alta para a espécie, que no Brasil desova na região norte do Estado do Espírito Santo e se agrega para alimentação, principalmente, em regiões oceânicas no sul do Brasil”, explica a bióloga.

Entre os animais registrados e atendidos via Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), com apoio das secretarias municipais de Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba, a maioria dos indivíduos apresentava marcas de interação negativa com atividades pesqueiras.

“Devido ao porte dos animais e área de ocorrência da espécie, devem refletir interações com pescarias comerciais que operam distante da costa e com petrechos robustos”, informa a coordenadora.

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Capturas acidentais

As interações com a pesca não são intencionais, sendo chamadas de capturas acidentais, mas demandam de intensificação de diálogo entre múltiplos grupos para a busca de soluções deste problema grave à conservação da biodiversidade marinha. Estas soluções devem integrar fatores ambientais, sociais e econômicos e é crucial que sejam construídas de forma participativa.

Infelizmente, fóruns e espaços de discussão ainda demandam de fortalecimento, mas uma ação imediata que todos nós podemos nos engajar é consumir pescados apenas dentro dos períodos de safra, capturados de maneira artesanal, e fortalecer práticas de pesca sustentáveis e mais justas em questões sociais e ambientais.

Como instituição de pesquisa, a UFPR também está fortalecendo outros mecanismos de incentivo ao diálogo entre os grupos envolvidos nesta busca de soluções. “Esperamos avançar nesta direção”, torce a bióloga.  

Vale destacar que, encontrando tartarugas marinhas encalhadas, as pessoas devem entrar em contato com o PMP-BS pelo 0800-6423341

Com foto e informações da Secretaria de Meio Ambiente de Matinhos

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