Pandemia provoca aumento nos cancelamentos dos planos de saúde

por Redação JB Litoral
24/09/2020 21:16 (Última atualização: 25/09/2020)

Os cancelamentos são consequência da perda de emprego/renda", diz a operadora. (Maisy Pires/JB Litoral)

A crise financeira, desencadeada pela pandemia do novo coronavírus, propiciou um cenário para que muitas famílias brasileiras deixassem de custear planos de saúde, de acordo com dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com informações referentes aos meses de março a julho. A entidade é responsável por regularizar os planos médicos no Brasil e, segundo ela, os convênios de saúde perderam 327 mil usuários durante o período.

A pesquisa demonstra que maio foi quando os clientes mais realizaram o cancelamento. Naquele mesmo mês, o país tinha alcançado 12,9% na taxa de desemprego, impactando a renda de 12,7 milhões de pessoas, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de conveniados que integra, atualmente, o quadro de brasileiros com planos de saúde vigentes é de 46.758.762 pessoas, ou seja, apenas 22% da população, revela a ANS.

Em Paranaguá, uma das operadoras de planos médicos que atende a região é a Evangélico Saúde, que está instalada na cidade desde março de 2019 e conta com mais de 5.000 conveniados. De acordo com a empresa, diferentemente do alto índice de cancelamentos retratado pelo cenário brasileiro, no município, o saldo negativo foi menos de 1%.

“Por conta da pandemia, as famílias que não perderam renda preferem a segurança de um plano de saúde. Os cancelamentos são consequência da perda de emprego/renda, entretanto em nível baixo na nossa experiência”, esclarece a operadora.

Suspensão de reajuste nas mensalidades

A Evangélico Saúde acrescenta que foram poucos os cancelamentos efetuados por motivo de inadimplência. Em agosto, a Agência reguladora suspendeu a aplicação de reajuste nas mensalidades dos planos de todas as modalidades: individual, familiar, coletiva e empresarial e a empresa avalia esta iniciativa como desnecessária. “A ANS suspendeu os reajustes de forma retroativa, em nosso entendimento. Percebe-se que foi uma manobra política que obrigou a ANS. Haverá consequências”, destaca.

O JB Litoral também procurou a Unimed Paranaguá para falar sobre o assunto dos cancelamentos no município, no entanto, a operadora não respondeu aos questionamentos. Segundo informações, disponibilizadas no site oficial da entidade, apenas no município, cerca de 30 mil beneficiários são atendidos.

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Mais cancelamentos, mais lotação no SUS

Maria Goretti Lopes, diretora de Vigilância e Atenção da Saúde do Paraná, órgão da Secretaria de Estado da Saúde (SESA), afirma que houve um crescimento significativo na procura por atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos meses. Porém, não soube informar o número exato do aumento de pacientes. “Mesmo com o aumento, o sistema está preparado para atender às pessoas, como pudemos ver no enfrentamento da pandemia”, diz.

De acordo com ela, além de auxiliar os pacientes infectados pela COVID-19, o SUS precisa dar conta de todas as outras responsabilidades no campo de saúde: prestar serviços laboratoriais, hospitalares, ações de vigilância epidemiológica, sanitária e ambiental, e ainda transplantes e vacinação. “É um desafio, mas estão conseguindo. Tivemos que adquirir novos equipamentos e fortalecer a equipe de trabalho”, comenta.

Já sobre o pós-pandemia, a SESA informa que irá continuar na luta diária e permanente para o fortalecimento do SUS. “Esperamos, também, que a ANS possa ressarcir o SUS nos serviços prestados aos cidadãos que possuem planos de saúde. É um recurso devido”, pontua.

Segundo Maria Goretti, a Agência criou um fundo garantidor para funcionamento dos planos, para que esses pudessem prestar assistência aos conveniados contra a COVID-19. “Porém, em grande parte, nós sabemos que quem acabou atendendo foi o SUS. É necessário o ressarcimento, pois o Sistema teve despesas e precisamos retomar todas as ações de saúde do SUS”, conclui.

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