Paranaguá é uma das três cidades do Paraná a ser reconhecida como Amiga da Bicicleta

por Redação JB Litoral
26/06/2020 10:21 (Última atualização: 26/06/2020)

Paranaguá tinha, até 2017, em torno de 115 mil bicicletas para uma população de cerca de 153 mil habitantes. Foto/Rafael Pinheiro/JB Litoral

Que Paranaguá é conhecida como a capital das bicicletas no Estado não é novidade, mas, agora, o título ficou ainda mais oficial, já que o Projeto de Lei 748/2019, que institui o título de Cidade Amiga da Bicicleta, foi aprovado, neste mês, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). O projeto vai conceder o título às cidades nas quais o uso da bicicleta é reconhecido como meio de transporte e a mobilidade sustentável é incentivada, e o município é uma delas.

O deputado estadual Goura Nataraj (PDT) é um dos autores da nova lei, e viu na ideia da criação da honraria uma forma de incentivar o Paraná a valorizar cada vez mais os ciclistas e o uso da bicicleta. Na cidade mãe do Paraná, é fácil perceber que esse meio de transporte é muito utilizado. De acordo com os últimos dados divulgados pela Superintendência Municipal de Trânsito (SUMTRAN), em 2017 o município possuía cerca de 115 mil bicicletas para uma população de mais de 153 mil pessoas, ou seja, praticamente o dobro do número de carros.

A intenção é homenagear os ciclistas parnanguaras e aqueles das demais cidades que sejam amigas da bicicleta. Isso compreende reconhecermos e valorizarmos os ciclistas, pois cada bicicleta é um carro a menos. A lei resulta no favorecimento, por meio de políticas cicloviárias, do meio ambiente, da mobilidade, da saúde dos cidadãos, do cicloturismo, da economia do Paraná. São só benefícios”, destaca Goura.

Até o momento, somente Paranaguá, Marechal Cândido Rondon e União da Vitória foram contempladas como Cidade Amiga da Bicicleta.

Incentivo para mais investimentos

Atualmente, a cidade conta com 27 quilômetros de ciclovias, mas, menos de 20% delas estão em boas ou excelentes condições. A realidade é que mais de 40% encontra-se em estado ruim ou péssimo, segundo levantamento de voluntários da área, junto ao mandato do deputado, bem como pesquisas apresentadas pelo curso de Bacharelado em Gestão Ambiental, da UFPR Litoral.

Ao mesmo tempo em que há esse grande uso da bicicleta por parte da população, os ciclistas têm uma carência grave de políticas públicas específicas, já que não há infraestrutura adequada para esse tipo de transporte, mais ciclovias e etc. Paranaguá tem índices alarmantes, o trecho urbano da BR 277, por exemplo, é muito perigoso, os ciclistas se expõem a riscos e ouvimos com frequência questões de fatalidades envolvendo-os e, em geral, caminhões”, comenta o deputado.

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O deputado Goura na cidade, em 2017, quando era vereador, falando com o prefeito sobre investimentos em ciclomobilidade

De acordo com ele, o tema tem sido tratado junto à prefeitura e o governo do Estado bem antes de ter assumido como deputado, em 2019, mas desde quando era vereador de Curitiba, em 2017. Além disso, ele explica que um dos objetivos da nova lei é incentivar que os municípios invistam cada vez mais na ciclomobilidade. “Que a gente tenha um investimento, presença da bike nos orçamentos municipais e, cada vez mais, haja uma cultura de respeito no trânsito, redução de acidentes e mortes, e um estímulo cada vez maior para a economia da bike, cultura da bike como turismo, esporte, mobilidade no dia a dia e como promoção de saúde dos cidadãos”, diz.

Ele ainda cobra do governo estadual, junto à prefeitura, e com a empresa pública Portos do Paraná, a resolução, com urgência, do tema relacionado à falta de segurança dos ciclistas no trecho da BR 277. “Eles precisam ter um acesso seguro junto à BR, para que tenham segurança. É necessária uma ciclovia muito bem sinalizada, que prossiga até a região portuária e centro da cidade, conectando os bairros”, afirma.

Novos projetos

Goura destaca que Paranaguá é um exemplo para outras cidades paranaenses de como a bicicleta pode estar incorporada no dia a dia para os afazeres das pessoas, melhorando a qualidade de vida, condições de vida no meio urbano, entre outros. “É uma cidade que tem o uso maciço da bike como meio de transporte. São famílias que se deslocam diariamente para o trabalho, estudos, muitas crianças que utilizam a bicicleta”, diz.

Por isso, ele tem outros projetos para os ciclistas do litoral do Paraná, com enfoque no cicloturismo. “Estamos propondo a construção de uma ciclovia junto à ferrovia que liga Antonina a Morretes e Morretes a Paranaguá, para ser mais um atrativo turístico. Entendemos que uma proposta dessa seria revolucionária, já que conectar a malha ferroviária a uma estrutura cicloviária irá estimular que famílias e cicloturistas façam esse trajeto. Com certeza, será uma experiência incrível, no meio da Mata Atlântica, com segurança, sem o contato com o trânsito pesado”, conclui.